Também acontece na vida real! Amor com cara de conto de fadas
Seja no perfiil de uma cervejaria no Instagram ou no balcão de uma farmácia com uma espinha inflamada, a gente nunca sabe onde vai encontrar o amor
Sabe aqueles encontros que parecem ter saído das telas de TV? Aqueles que a gente não acredita muito porque não acha ser possível acontecer na vida real? Então, a verdade é que muitos casais se conhecem sim, de forma inusitada e surpreendente.

Você já reparou nos seguidores dos perfis que segue? Pois é, o Michel Rios, 48 anos, que mora em Cuiabá desde 2019, observou as pessoas que seguiam o perfil de uma cervejaria artesanal que ele gosta.
Na lista, ele encontrou a jornalista Natacha Wogel. Mandou uma mensagem, os dois começaram a conversar e descobriram ter outras coisas em comum, além de gostarem da mesma cervejaria. Inclusive, que eram amigos do dono do estabelecimento.
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Depois de muito papo, marcaram um encontro onde? Na cervejaria, onde tudo “começou”. E lá, realmente a história começou. Os dois estão junto há um ano e seis meses e as afinidades só aumentam.
Além de amarem cerveja, amigos e botecos, gostam do mesmo estilo musical. Até a banda preferida dos dois é a mesma: Barão Vermelho.

Os dois já foram casados anteriormente. Foram felizes nos relacionamentos anteriores até quando deu. Depois, ambos se separaram e, nas voltas das vida, se “encontram” num perfil de cervejaria.
“Uma das coisas que sempre penso é que por mais que pareça que não, a vida sempre pode te surpreender reservando algo inesperado… só que as pessoas têm que estar abertas. Não é porque já viveu desilusões, histórias de amor que não acabaram tão bem, que devem achar que ‘não é pra isso’. Fechar-se para o amor é perder a chance de se surpreender”, completou Natacha.
Uma espinha inflamada
A vida é repleta de encontros inesperados e dona Marilene Garcia, que o diga. Por causa de uma espinha inflamada ela conheceu o marido, Wilson Garcia, com quem viveu uma união de mais de 45 anos. Hoje, aos 75 anos, ela relembra como se conheceram.
O ano era junho de 1975. Dona Mariele tinha 28 anos e estava em época de prova na faculdade, quando a espinha apareceu no meio do rosto. Moradora de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, ela conta que foi à farmácia procurar uma solução para a inflamação.

“Muito preocupada por causa das provas, eu comecei a mexer naquela espinha até que ela inflamou. Ficou parecendo um tumor no meu rosto, deu febre e até íngua embaixo do braço. Fiquei sem saber o que fazer e falei para o meu irmão que não sabia se ia ao médico porque estava tendo dor de cabeça, e por causa da febre não estava dormindo. Aí meu irmão falou: ‘Vai lá na farmácia do sêo Valim'”, disse.
Sêo Valim era um senhor dono de uma farmácia local, onde, diante de uma enfermidade, o pai de Marilene costumava levar os filhos antes de procurar atendimento hospitalar, algo comum naquele tempo. Aborrecida com aquela deformação no rosto, ela foi até o estabelecimento.
Porém chegando ao local, foi surpreendida por um rapaz loiro, alto, dos olhos bem claros, vestido de branco atrás do balcão. Era Wilson Garcia, aos 31 anos de idade. Ele disse a ela que o senhor Valim não era mais o dono da farmácia e que ele era o novo farmacêutico do local.
“‘O que você tá precisando?’, ele me falou. Contei a história e perguntei se ele achava melhor eu procurar um médico ou se daria para resolver na farmácia mesmo. Ele olhou e falou: ‘É uma espinha que inflamou devido você ter ficado mexendo, mas dá pra resolver aqui mesmo. Senta aqui no laboratório, vou fazer um curativo com uma pomada. De noite vai vazar mas você não mexe no curativo. Você vem aqui que eu vou tirar e limpar'”, relata.

Segundo dona Mariele, foi uma noite de muita dor por causa do ferimento, mas obedeceu a orientação do profissional e no dia seguinte, retornou ao estabelecimento.
“Não aguentava de dor. Chegando lá ele já mandou eu entrar no laboratório. Ele tirou aquele curativo, limpou, fez outro, disse para eu continuar tomando o anti-inflamatório e pediu para eu retornar no dia seguinte para que ele pudesse avaliá-la. Foi uma semana indo lá pra fazer curativo”, ela conta.
Quando chegou sexta-feira, a espinha de Marilene já não era a mesma. O inchaço havia passado, assim como a dor. No dia, ela tinha prova na faculdade mas retornou ao local para refazer o curativo.
“Tinha prova na faculdade, aí já fui arrumadinha com as minhas coisas porque de lá eu já iria pegar o ônibus pra faculdade, pra fazer minha prova. Quando eu fui saindo, ele também saiu da farmácia e me perguntou pra onde eu iria. Ele estava saindo pra jantar e depois que falei, ele perguntou se eu não queria uma carona. ‘Você não é casado?’ perguntei, porque tinha uma mulher dentro da farmácia andando de lá e pra cá, e eu achei que era a mulher dele. Ele falou ‘não’. Eu: ‘E essa senhora que tem aí dentro da farmácia?’. Então ele explicou: ‘Ela é a proprietária da farmácia, eu sou o farmacêutico’. Aí eu aceitei”, detalha.
Chegando no local, sêo Wilson foi ligeiro e logo se ofereceu para levar dona Marilene para casa após o exame.

“’Que horas que você sai?’ ele disse. “Hoje saio um pouco mais cedo porque eu vou fazer prova. Então lá pras 21h30, 22h’, falei. ‘Posso vir te buscar?’. Pensei: ‘Pronto, danou-se. Agora com esse rosto tudo remendado, o que esse rapaz tá vendo em mim?! mas eu também estava gostando dele”, declarou.
Desde então, não se largaram mais. Entre uma carona e outra, o amor foi crescendo, dando início a um namoro que perdurou 5 anos até se firmar em um casamento.
“Eu dava aula à noite no supletivo, ele ia me buscar. Quando eu ia pra faculdade no final de semana, ele ia me buscar. Aquela paquera mesmo. A gente ficava conversando no portão e meu pai ficava nos espiando pelo vitrô. A gente nunca brigou pra separar, às vezes tinha uma briguinha por causa de mim porque ele era muito tranquilo. Ele era cheio de surpresas. Quando foi pra ficar noivo também. Ele trouxe a aliança e só falou assim: ‘Me dá sua mão ai’. Pensei que era uma brincadeira, mas ele tirou aquela caixinha do bolso, a aliança, colocou no meu dedo e pronto. Eu só cheguei em casa e mostrei pra minha mãe, ela ficou na maior alegria”, destaca.
Após se casarem, eles se mudaram para Tangará da Serra, onde os pais de Wilson viviam em uma fazenda já há alguns anos. Por lá viveram durante muitos anos juntos, até o ano passado, quando o senhor Wilson morreu, vítima de um AVC.
“Ele era muito atencioso e alto astral. Depois que a gente se aposentou, todos os dias ele levantava, fazia o café e trazia pra mim na cama. Eu já ficava esperando. Ele vinha com a xícara e falava: ‘aqui tá o cafezinho de Quintana que todo mundo ama’, e punha na mesa de cabeceira. Quintana é uma cidade no interior de São Paulo, perto de Marília, onde o pai dele tinha um sítio de café onde eles cresceram. Meu sogro era produtor de café”, explica.
O amor de Wilson e Mariele gerou frutos: duas filhas, Andréia e Ianara Garcia, e dois netos, Marina e Rafael.
Apesar de a espinha não ter deixado uma cicatriz, dona Marilene fala da saudade que o marido deixou.
“É dificil esquecer. Acho que a gente não esquece, a gente pode com o tempo ir se acostumando. Por enquanto na minha casa tudo lembra ele. Às vezes eu tô ali fora na varanda, arrumando almoço ou lavando a louça, parece que eu tô escutando ele saindo ali naquela porta arrastando o chinelo”, disse.
Mesmo diante de tantos anos, ela ainda se surpreende com o início da história dos dois.
“Eu me arrumava, saia toda bonitinha, ia e voltava arrumava uns namoradinhos que não vingavam e aquele da espinha, com rosto todo inchado, foi o que vingou. E no balcão de farmácia. Quando tem que ser, às vezes você encontra no trabalho, na escola onde você estuda, quando você sai no comércio”, conclui.
Seja no perfil de uma cervejaria no Instagram ou no balcão de uma farmácia com uma espinha inflamada, a verdade é que nós nunca sabemos quando, nem onde, vamos encontrar o amor.
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