Uma década de laços: grupo de mães que se formou na gravidez celebra reencontro e 10 anos dos filhos
Rede de amizade feminina resistiu ao tempo e uniu uma geração de crianças
O que começou como uma busca por acolhimento e respostas nas madrugadas silenciosas da maternidade de primeira viagem se transformou em uma rede de afeto que já dura uma década.

Em Campo Grande, um grupo com mais de 20 mães se reuniu para celebrar uma marca muito especial: os 10 anos de vida de seus filhos, nascidos entre novembro de 2015 e março de 2016. O reencontro coletivo não apenas comemorou o aniversário das crianças, mas também celebrou a resistência de uma amizade que nasceu junto com eles.
A história desse grupo de mulheres começou quando elas criaram um canal de comunicação para compartilhar as dúvidas, anseios e descobertas da gestação, já que para muitas, eram mães de primeira viagem. No início, o grupo servia como um porto seguro nas horas mais difíceis: as madrugadas em claro.
“Mamadrugada” e a rede de apoio
Carolina, mãe de Arthur, explica que os assuntos iam desde soluções para cólicas até o choro inconsolável dos bebês.
“A gente pôde trocar experiências de madrugada, quando ficava todo mundo acordado. Então era assim, a cólica, que que a gente faz nas cólicas? É, a criança tá chorando demais, o que? Então uma e dava as dicas para outras experiências até hoje. A gente agora ainda tira dúvidas, agora faz de pré-adolescência. E então a gente continua com essa rede de apoio. Lógico que agora as conversas não são mais tão intensas, mas sempre estamos ali nos apoiando e virou um grupo assim de daquela amizade feminina que é importante”.
Carolina Lemos, administradora de empresas
Essa união foi fundamental também para enfrentar as diferentes fases da vida. Após o nascimento de Lorenzo, a família de Ely cresceu com a chegada da pequena Júlia, o aprendizado acumulado com o primeiro filho e o suporte das amigas foram cruciais para essa jornada.
“Dez anos passaram muito rápido e durante esse esse tempo nós podemos desenvolver uma amizade, compartilhar muitas coisas que a maternidade nos trouxe. Então, aquele grupo que nós formamos trouxe para nós um porto seguro para compartilhar experiências, para compartilhar felicidades e também situações que não eram tão felizes, né, que em 10 anos aconteceram muitas coisas”.
Ely Zalla, psicóloga
Do primeiro aninho aos 10 anos: amizade que passa de mãe para filho
Essa não é a primeira vez que essa grande família celebra unida, pois quando as crianças completaram um ano de vida, uma grande festa coletiva reuniu 35 aniversariantes para assoprar a primeira velinha.
Desde então, embora a rotina e o tempo tenham tornado as reuniões físicas menos frequentes, inclusive com mães que se mudaram da Capital, como a mãe do Heitor, que partiu de Campo Grande quando o filho tinha 3 anos, o vínculo nunca se rompeu.
A união das mães acabou moldando também a relação entre os filhos, e o reencontro de 10 anos foi a oportunidade perfeita para colocar o papo e as brincadeiras em dia.
Para algumas das crianças, o contato físico havia se perdido na memória dos primeiros anos, restando apenas lembranças em fotos e vídeos, como Arthur e Pedro Henrique.
“Eu nem lembrava dele só por fotos e vídeos quando era criança”.
Arthur Moreira, 10 anos
“Estamos colocando a amizade em dia. É muito bom se ver agora, já que a gente não se vê todo dia”.
Pedro Henrique Leite, 10 anos
Enzo, outro aniversariante do grupo, não escondeu a ansiedade para reencontrar a turma. “Estava com muita saudade. A gente brincou, jogou futebol”, contou.
Os 15 anos já estão nos planos
Embora algumas das crianças hoje estudem juntas, para a maioria o encontro é ocasional, o que torna celebrações como esta ainda mais valiosas. “Sempre nos encontrávamos de vez em quando, e agora proporcionamos esse momento de reencontro. São 10 anos de troca de informações entre as mães e também entre eles”, destaca Priscilla Cristiane Bigetti, uma das mães.
A semente plantada há uma década gerou frutos que as organizadoras já fazem planos para o futuro. Se no primeiro ano foram 35 bebês e agora mais de 20 pré-adolescentes celebraram juntos, o grupo já mira o próximo grande marco.
“Estamos pensando no que vai ser compatível com a idade deles e o que vão gostar na época, porque aí já não serão mais crianças, né?”.
Lidiane Maria de Oliveira Capriata, bancária
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