Vaticano analisa beatificação de padre e indígena mortos em MT

Processo para tornar Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo beatos avança após parecer favorável de teólogos.

Após reconhecer o padre Nazareno Lanciotti como beato de Mato Grosso, o Vaticano, onde fica a sede da igreja católica, analisa agora o processo de beatificação do padre salesiano Rodolfo Lunkenbein e do indígena Simão Bororo, mortos em 1976 na missão salesiana de Meruri, em General Carneiro, a 451 km de Cuiabá.

A causa avançou após receber parecer favorável dos censores teólogos do Dicastério para as Causas dos Santos e agora aguarda a análise da sessão ordinária de cardeais e bispos, ainda sem data definida.

Simao Bororo e Rodolfo Lunkenbein foto reproducao vaticano news
Vaticano analisa processo de beatificação de indígena e padre mortos em General Carneiro. – Foto: Reprodução/VaticanoNews

O avanço do processo coincide com os 50 anos da morte de Rodolfo e Simão, lembrados nessa quarta-feira (15). Para marcar a data, a Inspetoria Salesiana de Campo Grande promoveu celebrações de ação de graças e memória junto aos túmulos dos dois missionários, em Meruri.

História

Segundo a Igreja Católica, o processo foi aberto em 31 de janeiro de 2018. A fase diocesana foi concluída e aprovada pela Santa Sé em 2020. Em novembro de 2024, a documentação da causa foi entregue ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano.

No ano seguinte, a Positio super Martyrio recebeu parecer favorável dos censores teólogos. Agora, resta apenas a análise da sessão ordinária de cardeais e bispos.

Vaticano - O Som da Viagem (Foto: reprodução)
Beatificação de indígena e padre mortos em MT está em análise no Vaticano. – Foto: Reprodução/Vaticano News

Rodolfo Lunkenbein nasceu na Alemanha, em 1939, e chegou ao Brasil como missionário salesiano. Em Meruri, dedicou-se à evangelização e à defesa dos direitos do povo Bororo. Em 1972, participou da fundação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e tornou-se uma das principais lideranças na defesa dos povos indígenas.

Simão Bororo nasceu em Meruri, em 1937, e trabalhou ao lado dos missionários salesianos durante boa parte da vida. Pedreiro, ajudou na construção das primeiras casas para famílias Bororo e participou de missões voltadas aos povos indígenas da região.

Os dois foram mortos em 15 de julho de 1976, durante um conflito na missão salesiana de Meruri. Segundo a Igreja, Simão Bororo foi assassinado ao tentar proteger padre Rodolfo e, antes de morrer, perdoou os agressores.

Se o martírio for reconhecido pelo Vaticano, Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo vão passar pelo processo de beatificação.

Padre Nazareno

Em junho deste ano, o padre Nazareno Lanciotti foi declarado beato pela Igreja Católica, durante cerimônia realizada em Jauru. Missionário italiano radicado em Mato Grosso, ele teve o martírio reconhecido pelo Vaticano após a conclusão do processo canônico, tornando-se o primeiro beato ligado ao estado.

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Padre morto em MT se tornou beato pela igreja em junho deste ano. – Foto: Reprodução

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