VÍDEO: carreata em MT comemora cura de câncer em criança que passou por 10 cirurgias e 53 sessões de quimioterapia
A carreata marcou o fim da luta da pequena Heloíse Portilho contra um tumor maligno no cérebro, descoberto em fevereiro de 2025, segundo a família.
Depois de meses de medo, dores, cirurgias e uma rotina marcada por hospitais, Heloíse Portilho Prates, de apenas 10 anos, teve um dia para celebrar. As ruas de Arenápolis (MT) foram tomadas, nesta quarta-feira (26), por uma carreata para comemorar a cura do câncer e a última quimioterapia da menina, que há um ano e meio enfrentava um meduloblastoma.
A homenagem foi organizada por moradores da cidade, que se uniram à família para transformar o encerramento de uma etapa tão difícil em um momento de alegria. Para a mãe, Silmara Portilho Prates, de 37 anos, a comemoração quase não aconteceu devido ao cansaço acumulado durante o tratamento feito em Cuiabá e Nova Mutum (MT).

A própria Heloíse, no entanto, fez questão de que a carreata acontecesse, segundo contou Silmara Portilho ao Primeira Página.
“A vontade mesmo era ir lá, fazer [a última quimioterapia] e voltar para casa. Mas ela falou: ‘não, eu quero carreata! Eu quero porque eu sei o que eu sofri, o que eu enfrentei, então eu quero sim’. E o pessoal da cidade aqui pegou com todo amor [a ideia da carretada], todo carinho e todo mundo”, disse à reportagem.
Diversos carros, motocicletas, caminhões-baú e até um ônibus escolar participaram do momento. Os veículos carregavam balões cor-de-rosa e percorriam as ruas de Arenápolis, enquanto os participantes buzinavam em comemoração. Veja vídeo:
A luta que chegou ao fim
Heloíse foi diagnosticada em fevereiro de 2025 com meduloblastoma, um tumor maligno que se desenvolve na região do cérebro e que pode se espalhar pelo líquido que protege o sistema nervoso. Silmara relembrou que, nos primeiros sintomas, já procurou o hospital.
“Os primeiros sintomas dela foram visão dupla, depois deu estrabismo. Algumas crianças dão muita dor de cabeça e vômito. Nela deu também esses sintomas, mas não chamou a nossa atenção porque a gente estava gripado aqui em casa. Achamos que seria uma virose. Foram duas semanas de dor de cabeça nela, depois passou, não deu mais. Logo deu novamente a visão dupla e o estrabismo, e foi aí que nos assustou. Corremos [para o hospital] e, com dois dias, foi diagnosticada e fez a primeira cirurgia”.
Após o diagnóstico, a menina passou por uma cirurgia que durou cerca de 10 horas. Segundo Silmara, os médicos conseguiram retirar todo o tumor, dando início a uma longa jornada de tratamento.

Ao longo de um ano e meio de tratamento feito em Cuiabá e Nova Mutum, Heloíse enfrentou 10 cirurgias, 53 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia. Ela também passou por três internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI que, somadas, ultrapassaram 45 dias.
Mesmo com todas as dificuldades, os exames realizados durante o tratamento, segundo Silmara, não apontaram sinais de que o tumor tivesse se espalhado para a coluna ou para o líquido cefalorraquidiano.
Agora, após o fim da quimioterapia, Heloíse deverá passar por novos exames para confirmar a continuidade da remissão, com avaliações do crânio e da coluna.
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