Vinho feito no século passado de videiras originais é aberto na França

Garrafa raríssima de Romanée-Conti de 1899 foi aberta durante jantar de aniversário e revelou aromas inesperados após mais de um século.

Um grupo de especialistas em vinhos viveu, recentemente, uma experiência rara na França: a abertura de um vinho de 127 anos em um restaurante estrelado. A garrafa era um Romanée-Conti de 1899, produzido na região da Borgonha, uma das áreas vinícolas mais prestigiadas do mundo.

Vinho de 127 anos e aberto na franca foto reproducao Cabernerd
Vinho que atravessou duas guerras mundiais é aberto na França. – Foto: Reprodução/Cabernerd

A degustação foi organizada pelo investidor Soo Hoo Khoon Peng, que decidiu comemorar o aniversário abrindo uma das garrafas mais antigas já degustadas publicamente. A rolha original ainda trazia a marca do ano de produção, visível através do vidro.

Garrafas dessa idade geralmente permanecem intocadas em coleções privadas. Um exemplar de Romanée-Conti da safra de 1945, por exemplo, já ultrapassou US$ 500 mil em leilões. Mesmo assim, o proprietário preferiu abrir a garrafa e descobrir se o vinho ainda estava vivo.

Uma garrafa que atravessou séculos

A história do vinho começa na aristocracia francesa. A garrafa pertenceu à família Brou de Laurière e ficou guardada por décadas até ser vendida por engano em um lote comum de vinhos antigos.

O item acabou sendo comprado por um valor muito baixo com outros rótulos do século XIX. A raridade só foi percebida depois, quando um colecionador identificou que se tratava de um Romanée-Conti produzido em 1899.

Além da idade impressionante, o vinho foi produzido com uvas Pinot Noir de pé-franco, ou seja, videiras originais que não passaram por enxertia. A bebida ainda resistiu à devastadora praga da filoxera e atravessou dois conflitos mundiais.

O sabor de 127 anos na taça

Quando finalmente foi servido, o vinho surpreendeu os especialistas. A bebida apresentava cor âmbar com reflexos alaranjados, típica de garrafas extremamente antigas.

Nos aromas, surgiram notas de chá, ameixa em conserva e flores secas. Segundo o crítico William Kelley, do The Wine Advocate, a fruta original praticamente desapareceu, dando lugar a uma complexidade delicada e etérea.

Para Olivier Pion, responsável por localizar a garrafa, o estado de conservação foi quase um milagre. O nível do líquido no gargalo indicava que o vinho foi guardado em condições ideais durante mais de um século.

Com informações de Cabernerd.

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