Brasil tem quase 2 milhões de pessoas trabalhando por aplicativos; hora rende 12% menos

Pesquisa do IBGE mostra que trabalhadores de plataformas cumprem, em média, 5,4 horas a mais por semana e enfrentam informalidade maior.

Quase 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, seja como principal fonte de renda ou de forma complementar. Apesar de terem rendimento mensal próximo ao dos demais trabalhadores do setor privado, quem depende das plataformas trabalha mais horas e recebe menos por hora.

Os dados fazem parte de um levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4). Ao todo, foram identificados 1,959 milhão de trabalhadores de plataformas digitais, o equivalente a 1,9% das pessoas ocupadas no país.

A maior parte está no transporte de passageiros. Cerca de 1,2 milhão de pessoas, ou 58,9% dos trabalhadores por aplicativo, atuavam nesse segmento. Desse grupo, aproximadamente 1,1 milhão utilizava plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente por aplicativos de táxi.

Entregadores já podem financiar moto com 100% do valor. - Foto: Getty Imagens
Levantamento mostra ainda que 84,4% daqueles que tinham os aplicativos como ocupação principal eram homens – Foto: Getty Imagens

Os entregadores também representam uma parcela significativa: 376 mil pessoas, correspondentes a 19,2% do total, faziam entregas de comida, produtos e outros itens por aplicativos. Outros 313 mil trabalhadores utilizavam plataformas para prestar serviços profissionais ou gerais, como design, tradução e até consultas de telemedicina.

Trabalham mais e recebem menos por hora

O rendimento mensal médio de quem tinha o aplicativo como trabalho principal chegou a R$ 3.147 em 2025, praticamente o mesmo valor registrado entre os trabalhadores que não atuavam por plataformas, de R$ 3.148.

A diferença aparece quando a jornada de trabalho é considerada. Quem trabalhava por aplicativos cumpria, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas entre os demais. São 5,4 horas a mais semanalmente.

Com isso, o rendimento médio por hora dos trabalhadores de aplicativos ficou em R$ 16,20, enquanto os demais recebiam R$ 18,40. Na prática, a remuneração por hora era 12% menor para quem trabalhava por meio das plataformas.

Os valores considerados pelo IBGE correspondem ao que efetivamente fica com o trabalhador depois dos gastos relacionados à atividade, como combustível no caso dos motoristas.

Informalidade chega a 72%

A pesquisa também aponta uma diferença expressiva na formalização. Entre os trabalhadores de aplicativos, 72,1% estavam na informalidade e apenas 34% tinham cobertura previdenciária.

Entre quem não trabalhava por plataformas digitais, a informalidade era de 42,7%, enquanto 63% possuíam cobertura previdenciária.

Segundo o IBGE, entram na classificação de informais, por exemplo, trabalhadores sem carteira assinada e autônomos que não possuem CNPJ. A falta de formalização pode significar ausência de garantias como férias e 13º salário.

Número de trabalhadores por app cresceu

Ao considerar apenas quem tinha os aplicativos como ocupação principal, o número de trabalhadores passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025.

Isso representa crescimento de 9,1% em apenas um ano e de 36,8% em três anos. Entre 2024 e 2025, o número de entregadores por aplicativo aumentou 18,6%, a maior variação entre as atividades analisadas.

O levantamento de 2025 foi mais amplo do que os anteriores porque passou a incluir também pessoas que usam aplicativos apenas como complemento de renda. Por isso, o total de quase 2 milhões não pode ser comparado diretamente com os números gerais de 2022 e 2024.

Falta de outro trabalho está entre principais motivos

Entre motoristas de transporte de passageiros — sem considerar táxis — e entregadores, o principal motivo apontado para começar a trabalhar por aplicativos foi a dificuldade de encontrar outro emprego.

Flexibilidade e possibilidade de ganhar mais do que em outros trabalhos disponíveis também apareceram entre as razões apresentadas pelos entrevistados.

O levantamento mostra ainda que 84,4% daqueles que tinham os aplicativos como ocupação principal eram homens, enquanto 47% tinham entre 25 e 39 anos.

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