Da cozinha à cerâmica: artesã encontrou no barro um recomeço após a pandemia

De cozinheira para artesã, campo-grandense Tatiana Toma, de 32 anos, viu a pandemia como um ponto de partida para uma transformação completa de carreira.

A pandemia de Covid-19 em 2020 mudou o rumo de muitas vidas e, para a campo-grandense Tatiana Toma, de 32 anos, foi o ponto de partida para uma transformação completa de carreira. Formada em gastronomia e atuando como cozinheira, ela viu o setor parar durante o lockdown e precisou reinventar a própria fonte de renda. Hoje, se apresenta com orgulho em uma nova profissão: artesã.

Cerâmicas feitas por Tatiana (Foto: Redes Sociais)
Cerâmicas feitas por Tatiana (Foto: Redes Sociais)

“Tudo começou na pandemia. Eu trabalhava em um restaurante, mas com tudo fechado, precisei buscar outra alternativa”, relembra.

O primeiro passo veio de um hobby antigo: o desenho. Tatiana começou a fazer ilustrações digitais por encomenda, entrando aos poucos no universo da arte e o que parecia ser apenas uma solução temporária acabou abrindo portas inesperadas.

Do digital ao barro

Tatiana fazendo peça de cerâmica (Foto: Redes Sociais)
Tatiana fazendo peça de cerâmica (Foto: Redes Sociais)

Foi nesse processo de descoberta que ela teve o primeiro contato com a cerâmica, inicialmente a chamada cerâmica fria, que não precisa de um forno profissional para ser queimada. 

“Uma coisa vai levando à outra. Comecei a testar, fazer peças decorativas, e isso despertou meu interesse pela cerâmica de alta temperatura”, conta.

A virada definitiva foi já no fim da pandemia, quando decidiu procurar um ateliê em Campo Grande para fazer aulas presenciais. 

Umas das coisas que Tatiana buscava com a cerâmica de alta temperatura é poder fazer com as próprias mãos objetos utilitários, como copos, canecas e pratos, já que a fria não permite contato com água e é mais sensível.

O que começou como um hobby, também com um papel terapêutico em meio a um período difícil, rapidamente se transformou em paixão.

“Quando você mexe com o barro, parece que esquece de tudo. É um momento de concentração total. As três horas de aula passavam e eu nem queria ir embora”, lembra.

Processo que exige tempo e paciência

Casinha Cogumelo - luminária e incensário (Foto: Redes Sociais)
Casinha Cogumelo – luminária e incensário (Foto: Redes Sociais)

Na cerâmica, Tatiana aprendeu uma lição que carrega até hoje, a de respeitar o tempo das coisas.

“A gente até brinca que o barro tem o próprio tempo. As coisas acontecem no tempo dele, não no nosso”, diz.

O processo de criação envolve planejamento, testes e muita paciência. Cada peça passa por etapas até ficar pronta, da modelagem à queima, o que pode levar semanas. Ainda assim, é justamente essa transformação que mais a encanta.

“Você pega uma bolinha de barro e transforma em uma caneca, um prato, uma escultura… é meio mágico. É muito gratificante ver algo que você criou com as próprias mãos.”

Arte que virou profissão

Peças de cerâmica feitas por Tatiane (Foto: Redes sociais)
Peças de cerâmica feitas por Tatiane (Foto: Redes sociais)

Com o tempo, Tatiana passou a unir as duas paixões pelo desenho e pela cerâmica. Suas ilustrações ganharam forma em peças utilitárias e decorativas, marcando o estilo autoral que desenvolveu ao longo do processo.

O incentivo da professora foi fundamental para dar o próximo passo e começar a vender. Em 2022, a cerâmica deixou de ser apenas um hobby e se tornou sua principal fonte de renda.

“Foi tudo muito natural. Eu nunca comecei pensando em transformar isso em profissão. Mas a cerâmica virou minha vida de cabeça para baixo, e ainda bem”, afirma.

Hoje, ela mantém um ateliê montado em casa, onde produz as peças que comercializa. Mais do que uma profissão, a cerâmica se tornou uma forma de expressão e conexão pessoal.

“Eu consigo colocar muito de mim em cada peça. É um processo que exige paciência, mas que também traz liberdade. Posso criar desde itens utilitários até peças decorativas, e isso me realiza.”

Entre o tempo do barro e o ritmo acelerado do mundo, Tatiana encontrou um novo caminho, mais lento, manual e, sobretudo, significativo.

Das feiras locais ao cenário nacional

Tatiana Toma com cerâmica em feira (Foto: Redes sociais)
Tatiana Toma com cerâmica em feira (Foto: Redes sociais)

A trajetória de Tatiana no mercado começou em pequenas feiras independentes em Campo Grande, ainda no período em que esse tipo de evento era mais restrito. Com o tempo, ganhou espaço em eventos maiores e mais consolidados.

Ela participa desde as primeiras edições da Feira do Bosque e da Feira Borogodó, feiras mensais realizadas em Campo Grande, além de já ter levado seu trabalho para fora do estado, como na Pixel Show, em São Paulo, uma das maiores feiras de criatividade do país.

Recentemente, também passou a integrar a criação da Associação Sul-Mato-Grossense de Cerâmica de Alta Temperatura, iniciativa que busca fortalecer o setor e ampliar a presença de artistas locais em feiras nacionais.

“Agora a gente está enviando peças para outros estados. É um movimento que está crescendo”, destaca.

Atualmente, Tatiana participa mensalmente da Feira Borogodó, no primeiro domingo do mês, e da Feira do Bosque da Paz, no terceiro domingo, além de iniciar a expansão das vendas online por meio das redes sociais e site próprio.

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