Em pleno 2023 a gente ainda tem que desenhar: "não é não"

De forma inédita, Defensoria reunirá núcleos da infância, defesa da mulher e direitos humanos para atendimento no Carnaval

“Não é não” – campanha contra assédio carimba foliões no Carnaval.

“Assédio não é paquera. Não é não”

Em pleno 2023 a mulherada ainda precisa lembrar que roupa não é convite e que o corpo não é público. A poucos dias do início do Carnaval, blocos de rua de Campo Grande (MS) têm participado de ações de conscientização contra o assédio. De forma inédita, neste ano também haverá plantão dos núcleos da infância, defesa da mulher e direitos humanos da Defensoria Pública do Estado para atendimento conjunto no Carnaval.

“Injúria racial é crime, assédio não é paquera, a venda de bebidas alcóolicas a crianças e adolescentes é crime”, elenca a coordenadora de Projetos, defensora pública Renata Leal. Nos dias de folia nas ruas, a Defensoria Pública está encaminhando atendimentos, de acordo com as necessidades, para delegacias e postos de saúde, além de fazer ações judiciais.

No final de semana anterior ao início oficial do Carnaval, o Cordão Valu recebeu o coletivo de mulheres “Elas Podem” que carimbou foliões com a advertência “Não é não”. No embalo das marchinhas, as mulheres têm levado conscientização para as ruas.

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À esquerda, coletivo Elas Podem e à direita, Silvana Valu carimbada com “Não é não”. (Fotos: Arquivo Pessoal)

“A gente precisa desenhar e colocar no nosso corpo. Ele é meu. Confeccionamos os carimbos, e a gente chega e dialoga, fala sobre a questão do assédio para que as mulheres fiquem atentas não só a elas como as outras. Nenhuma mulher é obrigada, a gente não é obrigada”, frisa a cientista social Karla Mello, do coletivo Elas Podem.

Fundadora do Cordão Valu, Silvana Valu não só foi carimbada com o aviso “não é não” como reforçou o empenho dos 10 blocos que vão sair às ruas na campanha contra o assédio.

“O que a gente quer é que a pessoa entenda que quando ela chegar no bloco, se a pessoa falar pra parar, parou. Pode estar com a roupa que for, não é um convite. Machistas não passarão no Carnaval. Vamos respeitar as minas, as manas e as monas”, enfatiza Valu.

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