Familiares e amigos se despedem de João Guilherme e pedem por justiça
Família denuncia que a criança foi vítima de negligência no atendimento médico após machucar joelho
Familiares e amigos se despediram do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, durante enterro realizado nesta quarta-feira (8) em Campo Grande. A família denuncia que a criança foi vítima de negligência e falha no atendimento médico após uma sequência de idas a unidades de saúde.

Segundo relatos, João Guilherme se machucou enquanto brincava com outras crianças e começou a sentir dores no joelho.
A partir daí, passou por atendimentos no pronto atendimento infantil do bairro Tiradentes, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário e na Santa Casa.
Ao todo, foram várias idas às unidades de saúde antes da morte, registrada na madrugada de terça-feira (7).
Abalada, a família afirma que João Guilherme era uma criança saudável e que o caso poderia ter tido outro desfecho.
“Além da dor, que é a maior de todas, a gente quer justiça. Para que outras pessoas não passem pelo que ele passou”, disse a tia, Adriana Soares.
A irmã, Stefany Jorge Pires, também cobrou responsabilização. “Se tivessem tomado as medidas certas, meu irmão estaria vivo”, afirmou.
O caso será investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que vai analisar os atendimentos médicos e apurar se houve negligência.
A ocorrência foi registrada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação ficará a cargo da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde informou que também abriu apuração interna, com base na análise de prontuários e registros médicos.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul destacou que existem protocolos específicos para o atendimento de pacientes com traumas.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul afirmou que acompanha o caso de João Guilherme com pesar e reforçou que a apuração precisa seguir critérios técnicos e sigilosos.
O órgão destacou que não pode emitir julgamentos antecipados e que eventuais infrações éticas só são confirmadas após a conclusão de processo administrativo.
Confira nota do CRM-MS na íntegra:
O CRM-MS acompanha com pesar as notícias recentes e lamenta profundamente a situação relatada. Entendemos a busca por respostas e a relevância do caso, mas, como órgão de fiscalização, precisamos agir com a cautela e a responsabilidade que o momento exige.
Para que a justiça seja feita de forma correta, nossa atuação segue alguns passos essenciais:
Nossa função é fiscalizar e julgar as atividades médicas de forma técnica. Por isso, não podemos emitir opiniões ou julgamentos antecipados sobre casos que ainda estão sendo analisados ou que aparecem na imprensa.
Por lei, as investigações precisam ser sigilosas. Isso não significa falta de transparência, mas sim uma garantia de que a apuração será feita com total imparcialidade, respeitando o direito de defesa e a seriedade dos fatos.
Uma infração ética só é confirmada após a conclusão de todo o processo administrativo. É esse cuidado que nos permite manter a ética e a segurança na medicina para toda a sociedade.
O CRM-MS reafirma seu compromisso com a ética médica e com o cumprimento de suas funções legais perante a sociedade.
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