Reza em mesquita de Campo Grande tem súplica pelas vítimas de terremotos
Quatro dias depois dos terremotos que atingiram a Síria e Turquia, a tradicional reza de toda sexta-feira uniu súplicas pelas almas dos que se foram na tragédia
Sexta-feira, 13h em ponto começa o chamado para o sermão e a reza reunindo muçulmanos na Mesquita Luz da Fé, em Campo Grande. Separadas por um biombo, as mulheres ficam de um lado, homens de outro, e todos se curvam diante das orações em direção à Meca.
Quatro dias depois dos terremotos que atingiram a Síria e Turquia, a tradicional reza de toda sexta-feira uniu súplicas pelas almas dos que se foram na tragédia. Na chamada “reza de corpo ausente”, os muçulmanos repetiam “Allahu Akbar”, que significa “Deus é maior”, com o sentimento voltado aos irmãos.
“A gente pede a misericórdia de Deus para com eles, e que Deus perdoe. Nós todos ficamos abalados, a gente vê mulheres, crianças e ainda mais que veio em uma hora que estava todo mundo dormindo, não sabemos quanto de gente está abaixo dos destroços”, conta o comerciante Salim Ali, de 61 anos.

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Ele soube dos terremotos por mensagens de WhatsApp de amigos e familiares que sentiram os tremores, em escala bem menor, do Líbano. “Rapidinho chegou mensagens nos grupos, tenho amigos que deram a notícia antes da gente ver pela TV. Depois ficamos acompanhando as agências que transmitem ao vivo”, descreve.
Em um dos vídeos enviados, é possível ver os tremores em um hospital de Beirute. Por estarem distantes da área atingida, nenhum familiar e amigo de Salim está entre as vítimas. O que não diminuiu o sentimento de tristeza do comerciante.
“A gente implora a Deus a favor deles, que sejam recebidos em paz e entregues no paraíso. Isso também é um aviso pra gente, porque esta vida mundana é limitada. Você não sabe o dia e quando vai chegar a hora, milhares estavam dormindo, pensando que iam se levantar, trabalhar e seguir a rotina, mas olha o que aconteceu? Ninguém planejou morrer naquele dia”.

Depois do sermão que falou sobre brigas, intrigas e conciliação, o sheik conduziu a reza em que todos se curvam em fileiras, lado a lado, para então iniciar a oração fúnebre. “Nós fizemos pedidos para Deus ajudar os vivos, que dê vida para que sejam encontrados com saúde, e pelas almas dos que foram, que Deus tenha misericórdia”, clama a culinarista Jamila Taha, de 60 anos.
A reza de corpo ausente é feita sempre que ocorrem explosões, guerras, e agora, os terremotos. “É uma dor muito grande, uma tristeza a gente ver mães perdendo filhos, parentes, amigos, e o mais triste e revoltante é estar longe e não conseguir ajudar. Você quer ajudar, dá vontade de ir lá, mas infelizmente estamos muito longe”, completa Jamila.

A muçulmana que gentilmente escreve “Allahu Akbar” num caderno é Sâmia Nagib, de 46 anos, relata o que tem acompanhado pelas redes sociais desde que soube dos terremotos. “O povo turco é tão alegre, amoroso. A Síria já convive com uma guerra. Tudo isso é muito triste, e por ser um desastre natural, não está nas nossas mãos. O que a gente pode fazer por eles é orar por todos os que estão sofrendo. Em 1, 2 minutos as pessoas tinham casa, tinham tudo, depois não tinham mais nada”, comenta.
Ao mesmo tempo em que repete o que suplicou na reza, “Deus é o maior”, Sâmia se emociona ao falar do povo. “Eles vibravam e comemoram por cada pessoa que encontravam com vida. Eles têm muita fé, são muito fortes”.
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