RMC 60 anos: bairro é mapa de memórias com ruas que contam a história da família Zahran
Nomes das ruas contam a história dos primeiros negócios da família Zahran e da formação do comércio campo-grandense
Quem anda pelo bairro Santo Amaro, em Campo Grande, talvez não perceba de imediato. Mas, basta olhar para as placas das ruas para descobrir que esse pedaço da cidade guarda, silenciosamente, a história de uma das famílias mais influentes do estado: a Zahran.
Ali estão as ruas “Copagaz”, “Padaria Moderna”, a travessa “Café Néctar” e a rua “Café Central”. Nomes que, para muitos, são só endereços. Mas, na verdade, contam uma trajetória construída com trabalho, coragem e um profundo vínculo com a cidade.

A família Zahran veio de uma pequena aldeia libanesa chamada “Magbel Maouch”. Elias e Laila Zahran deixaram a terra natal em 1920, atravessaram oceanos e rios, até chegarem à Bela Vista, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira com o Paraguai. Depois, seguiram para Campo Grande, que nem chegava a 50 mil habitantes.
A partir dali, iniciaram uma jornada que influenciaria o comércio, o gás, a comunicação e até o modo como o estado se desenvolveu.
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Rua Bar Central
O primeiro negócio da família na capital foi o Bar Central, aberto em 1926, na esquina entre as ruas Dom Aquino e 14 de Julho. Era um ponto de encontro da cidade. Entre fregueses, cheiro de comida e o movimento do centro, os filhos aprenderam a trabalhar cedo.
Foi ali também que surgiu uma das marcas da família: o café torrado no próprio bar para agradar os clientes. Uma memória que, hoje, ecoa no nome da Rua Bar Central, no Santo Amaro.

Rua Padaria Moderna
Depois do bar, a família arrendou a Padaria Moderna, que ficava na rua Sete de Setembro, na década de 1940. Ueze Zahran se tornaria “mestre masseiro”, como lembram relatos da época. Inclusive, chegou a ir para a Argentina buscar farinha para melhorar a qualidade dos pães.

A Rua Padaria Moderna é uma lembrança desse período de madrugadas quentes, cheiro de pão e muito trabalho.
Travessa do Café Suave e Travessa do Café Néctar
A família comprou, em 1950, uma pequena torrefadora chamada Café Suave, que passaria a se chamar Café Néctar. O negócio cresceu e virou referência, marcando a memória dos campo-grandenses que acompanharam a expansão da cidade.

No bairro, a Travessa Café Néctar preserva o nome de um dos empreendimentos mais emblemáticos da trajetória Zahran.

Rua da Copagaz
Em 1955, o comércio começava a história do que seria uma grande empresa. Ueze fundou a Copagaz, distribuidora de gás que nascia modesta, mas que se tornaria uma das maiores do Brasil.

A empresa surgiu a partir de um pedido da mãe que havia voltado de São Paulo: o fogão a gás – modernidade que contava com um botijão ao lado de um dos itens mais importantes da cozinha. Novidade absoluta pаra a família. Mas, vontade de mãe é lei! O filho, prontamente, tratou de conseguir um.
Alertado pelo desejo materno, Ueze vê que o campo estava aberto para quem agisse rapidamente. Com um olhar sempre atento e à frente do seu tempo, o empresário fundou a distribuidora de gás, Copagaz, em 1955. Fazia a recarga dos botijões em São Paulo e os mandava por ferrovia para o ainda estado uno de Mato Grosso.
Por que essas ruas estão ali?
O bairro aparece no mapa como Residencial Sírio-Libanês II, o que já indica um vínculo com a imigração árabe na cidade.
Os nomes das vias parecem seguir um padrão claro: cada uma carrega a memória de uma empresa construída pela família Zahran, entre as décadas de 1920 e 1960.
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