Alfredo da Mota Menezes

Alfredo da Mota Menezes

Centro Histórico de Cuiabá

Turista não vem a Cuiabá para ver viadutos. Turista vem para conhecer a culinária, o linguajar, a arquitetura, folclore e sempre visitam o Centro Histórico. Preocupar com essa atividade turística é preocupar com renda e emprego.

O Centro Histórico da capital merece uma atenção maior. Não se pode deixar perder um patrimônio desse porte. O IPHAN diz que ali tem 600 imóveis e 400 estariam tombados. Em levantamento feito anteriormente algo como 40% necessitaria de algum tipo de reforma.

Centro Histórico de Cuiabá
Centro Histórico de Cuiabá (Foto: Iphan/Divulgação)

Autoridades se afastam desse assunto com a alegação de que o poder público não poderia investir dinheiro público em imóveis particulares. Outra alegação é que muitos imóveis teriam disputas judiciais entre herdeiros. Motivos que dificultaria a participação do poder público em algumas reformas naquele espaço da cidade.

Deveria ter um grupo de trabalho na prefeitura somente para tomar conta do Centro Histórico. Esse grupo, inventado agora pela coluna, poderia ir ver o que se fez em Salvador, Recife, São Luís, Ouro Preto e outros lugares para trazer essas experiências para cá.


Experiências não somente da preservação em si, mas também como contornar problemas, incluindo supostas disputas judiciais entre familiares, para o poder público ajudar nas reformas. Saber também como outros lugares encontraram meios legais para que o poder público pudesse fazer reformas em casarões particulares antigos.

Fala-se também que falta recurso para atender o Centro Histórico. Cuiabá já buscou algum dinheiro do PAC Cidades Históricas em Brasília? Alguém já leu alguma coisa de que, nesta ou em outras administrações, trouxeram recursos da área federal para isso?

O BID ou Banco Interamericano de Desenvolvimento tem recurso para isso. São Luís, Maranhão, conseguiu, em 2019, mais de 13 milhões de dólares para revitalizar o seu Centro Histórico. Por que aqui não faz também tentativa nessa direção?

Fala-se que tem dinheiro até em Portugal para que sejam preservados patrimônios arquitetônicos coloniais e que tem, muitos deles, traços de arquitetura portuguesa da época. É só fazer uma viagem a Lisboa para ver o quanto se tem de casarões antigos parecidos com os muitos que se tem no Centro Histórico de Cuiabá.


Como Salvador salvou o Pelourinho? Com quais recursos? Dinheiro da prefeitura local? Se foi, como se contornou problemas entre familiares ou que o poder público não poderia ter gasto em imóveis particulares?


Não se ouve em Cuiabá nenhuma ação para se buscar dinheiro onde for para ajudar a preservar aquele patrimônio histórico.

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Tem um exemplo que poderia servir para Cuiabá também. É aquele de Recife em que foi para o Centro Histórico da cidade o setor de tecnologia e inovação. Provocou recuperações pela iniciativa privada.

Se falou aqui que o Centro Histórico de Cuiabá receberia diferentes Faculdades com cursos à noite. Seria uma boa coisa.

Professores, estudantes, bares, restaurantes funcionando, de acordo com as regras do local, faria uma enorme diferença no Centro Histórico. Cadê o resultado dessa ideia?

Turista não vem a Cuiabá para ver viadutos. Turista vem para conhecer a culinária, o linguajar, a arquitetura, folclore e sempre visitam o Centro Histórico. Preocupar com essa atividade turística é preocupar com renda e emprego.


Morei alguns anos em Nova Orleans. Parte da renda da cidade vem de sua tradição na culinária, música e do bem preservado French Quarter, o Centro Histórico da cidade, onde tudo ocorre. Em Cuiabá isso parece não ter importância.

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