Circos que passavam por Campo Grande inspiraram Aracy Balabanian
Durante a entrevista a Pedro Bial, Aracy relembrou a admiração pelos atores e atrizes dos circos que passavam por Campo Grande
Nascida na Campo Grande de 1940, quando Mato Grosso do Sul e Mato Grosso ainda eram um só, Aracy Balabanian conquistou o Brasil com personagens únicos, que marcaram a dramaturgia. Foi nas ruas do centro da cidade, quando ainda era criança, que ela viu surgir o desejo de ser artista.
No ano passado, durante o programa Conversa com Bial, Aracy lembrou da infância, de quanto precisou ir embora da cidade e do começo da carreira.

Durante a entrevista ela relembrou a admiração pelos atores e atrizes dos circos que passavam por Campo Grande.
“Eu não sabia que tinha sido lá, mas foi lá. E sabe o que era? Não era nem circo de bichos, dos palhaços eu sempre gostei, era os dramas finais. Todo circo que se apresentava tinha um drama”.
Os títulos Aracy ainda lembrava. “O Orgulho de Marta. Esses títulos maravilhosos. Eu achava sempre muito interessante”.
Na época, quem vinha a cidade ficava em um hotel perto da loja da família Balabanian, no centro antigo. Era dali, que a pequena Aracy olhava os artistas.
“Eles ficavam em um hotel grandioso, para mim era enorme, morar em hotel, eles ficavam em hotel e passavam na frente da loja do meu pai”.
O comércio da família era de calçados, malas e pastas. “Tinha um público que procurava rapadura. Mas rapadura nós não vendíamos”.
Quando fez 10 anos, precisou deixar Campo Grande. Isso porque os irmãos mais velhos estavam em tempo de entrar na faculdade e a família decidiu ir para São Paulo.
“Eu chorei muito, os cachorros correndo atrás do trem. Eu achei que minha vida tinha acabado naquele dia”.
A vida estava apenas começando. Foi na capital paulista que a atriz realmente “nasceu”. Na primeira apresentação, foi apontada pela crítica como um nome promissor. O talento foi enxergado por Décio de Almeida Prado, um dos mais respeitados na história do teatro.
“Falamos acima em vocações que surgem para o palco. Almanjarra apresenta uma dessas revelações, que talvez venha a justificar, no futuro, todo o trabalho atual do Teatro Paulista do Estudante. É uma atriz, chama-se Aracy Balabanian e nasceu evidentemente para o palco. E um nome para se guardar”.
Trecho retirado do jornal Estadão
Aracy tinha apenas 16 anos.
De lá para cá, viveu grandes personagens: Filomena, em “A Próxima Vítima”, “Dona Armênia”, de Rainha da Sucata”, aquela do bordão “na chon”, e Cassandra, a sogra de Caco Antibes em “Sai de Baixo”, só para ficar em alguns exemplos.
“Eu pedi para sair logo nas primeiras semanas. Porque eu não tinha o tempo de comédia que eles tinham. Eu não sabia fazer a comédia que eles faziam. E eu tenho o riso frouxo, como tenho o choro frouxo”. Mas Aracy ficou e conquistou o Brasil com sua risada sincera.
Confira o depoimento dado por ela no programa Persona em Foco da TV Cultura e Viva.
Nunca fui Anjo
A vida de Aracy foi contada em um livro: Aracy Balabanian – Nunca Fui Anjo
O nome, contou a Pedro Bial, também é por uma das histórias vividas em Campo Grande.
“Eu queria muito em criança ser anjinho, para coroar Nossa Senhora, mas não podia, porque eu não tinha cara de anjo, tinha cara de Armênia, dizia a professora de catecismo. Até hoje eu não sei muito bem o que é cara de armênia ou como os anjos eram”, brincou.
Já atriz, deu vida a Nossa Senhora em uma interpretação de Natal, em frente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, no Rio de Janeiro. Conversando com o bispo, foi lembrada de que Maria podia ser armênia. “E eu fiz tremer a professora de catecismo”.
A entrevista dada a Pedro Bial será exibida novamente, na noite desta segunda-feira (7).
No ano passado, em uma das poucas aparições na TV, participou a mesa do Criança Esperança e fez questão de falar com a repórter Bruna Mendes, ao saber que ela era de Campo Grande.
Veja o vídeo:
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