Dicionário com 6 mil palavras traduz riqueza da língua Kaiowá

O trabalho foi desenvolvido ao longo de 30 anos de pesquisa entre os povos indígenas guarani-kaiowá da região de Dourados e Ponta Porã

Toda a riqueza da língua indígena e os seus significados, agora, estão ao alcance de pesquisadores, alunos e os entusiastas dos estudos de linguagem. Lançado nesta sexta-feira (18), em Dourados o “Dicionário Kaiowá-Português”, reúne mais de 582 páginas e 6 mil verbetes, com a pronúncia e escrita corretas do idioma de um dos povos mais tradicionais de Mato Grosso do Sul e do Brasil.

Idealizado pela professora de História, Graciele Chamorro, o trabalho foi desenvolvido ao longo de 30 anos de pesquisa entre os povos indígenas guarani-kaiowá da região de Dourados e Ponta Porã.

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Indígenas ao redor do dicionário, durante o lançamento do livro. (Foto: Divulgação)

“Eu me sinto muito honrada por poder trabalhar com essas pessoas, em poder registrar essas falas, esses pensamentos, essas ligações”, comenta a professora.

Graciela é paraguaia e mora em Dourados há 40 anos e foi a campo, junto com alunos da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) desenvolver as pesquisas. De importância acadêmica e cultural ímpar, o dicionário também nasce como um aliado no combate ao preconceito contra os povos originários.

“Hoje ainda me perguntaram se o guarani-kaiowá é um dialeto. Deixa o dialeto para lá, é uma língua. Existe um racismo linguístico, a gente quer achar que é língua, só aquelas associadas com o poder”, completa a pesquisadora.

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Professora idealizadora do dicionário, Graciele Chamorro. (Foto: Divulgação)

A obra ainda conta com ilustrações realizadas pelo desenhista Kaiowá Misael Concianza Jorge; mini-biografias, fotos de colaboradores indígenas e textos de apresentação. Em termos geográficos, o dicionário privilegia a fala de homens e mulheres Kaiowá do antigo Ka’agwyrusu, que se refere à área compreendida entre o Rio Brilhante e os córregos Panambi, Hũ e Laranja Doce.

Ela abriga, atualmente duas terras indígenas regularizadas, Panambi, ou Lagoa Rica e Panambizinho, e quatro acampamentos de retomada: Laranjeira Nhanderu, Itay Ka’agwyrusu, Gwyra Kambiy e Tajassu Ygwa.

“Trabalhamos de modo sistemático e duradouro com indígenas Kaiowá de Panambi, Panambizinho, Itay Ka’agwyrusu e Gwyra Kambiy”, descreve a autora na publicação.

O dicionário ainda não foi impresso, mas está disponível para ser acessado gratuitamente através deste link. A versão impressa está prevista para 2023.

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Página com alguns dos verbetes do dicionário. (Foto: Divulgação)

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