Jejé de Oyá: prêmio celebra personalidades negras e manifestações culturais em MT

A jornalista da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), Lorraine Costa, esteve entre os premiados.

A 4ª edição do Prêmio Jejé de Oyá, uma das mais importantes iniciativas de valorização da cultura, da memória e do protagonismo negro em Mato Grosso, foi realizada na noite desta segunda-feira (29), no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, e premiou pessoas negras de 10 diferentes áreas de atuação (confira a lista completa mais abaixo).

Premio Jeje de Oya 2025 Foto TVCA
Prêmio Jejé de Oyá 2025. | Foto: TVCA

Ao todo, 20 profissionais foram celebrados, entre eles, a jornalista da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), Lorraine Costa.

“É um motivo de muito orgulho receber um prêmio que leva o nome de Jejé de Oyá, que enfrentou muito preconceito e continua dando essa força para todos nós. Isso mostra que em meio a tanto racismo, que continua nos confrontando, seguimos firmes”, declarou.

O evento foi apresentado pelo jornalista Derik Bueno, também da RMC. Ele afirmou que “estar em um palco de representatividade, de várias figuras importantes, é algo sensacional”.

Lorraine Costa e Derik Bueno durante o Premio Jeje de Oya Foto TVCA
Lorraine Costa e Derik Bueno durante o Prêmio Jejé de Oyá. | Foto: TVCA

Nesta edição, foram dois premiados por categoria, escolhidos por um júri técnico, que seguiu critérios, como, primeiramente, ser negro e ter destaque na área em que atua. Além dos premiados, a cerimônia também homenageou personalidades e manifestações culturais.

O tema da premiação foi “Território”, reforçando espaços físico e simbólico ocupados por pessoas negras, no passado e no presente. Segundo o fundador da Bemtivi Academia de Arte, organizadora do Prêmio Jejé de Oyá, Jeferson Bertoloti, o prêmio tem como objetivo combater ao racismo, por meio de discussões sobre igualdade racial, pertencimento, direito de espaço e homens e mulheres que venceram dentro da área de atuação.

Confira os premiados da 4ª edição:

Categoria Alimentação e Gastronomia
Deni Correa: chefe quilombola (Chapada dos Guimarães)
Edinaldo Pereira Neves: Múltiplos Sabores (Cuiabá)

Categoria destaque Afro Científico
Carolina Joana da Silva: professora Unemat/Seciteci (Cáceres)
Jozanes Assunção: professora UFMT (Cuiabá)

Categoria Mídias Sociais
Micos Brown: youtuber (Cuiabá)
Márcio Barreto: vendedor (Cuiabá)

Categoria Estética da Identidade Negra
Shirley Black: megahista (Cuiabá)
Adriano Oliveira: barbeiro (Cuiabá)

Categoria Performance Artística
Spinha: DJ (Cuiabá)
Gê Lacerda: cantora (Cuiabá)

Categoria Impacto Social
José Aparecido: biólogo (Cáceres)
Gorila Rise: projeto social (Várzea Grande)

Categoria Comunicação e Jornalismo
Lorraine Costa: jornalista TV Centro América (Cuiabá)
Kleber Lima: jornalista HiperNoticias (Cuiabá)

Categoria Performance Física
Flávia Zelinda: técnica de Ginástica Artística (Sinop)
“Pelezinho”: jogador de futebol (Cuiabá)

Categoria Artes Visuais
Paulo Pires: escultor (Rondonópolis)
Diego Almeida: fotógrafo (Cuiabá)

Categoria Escrita Artística
Edilene Rodriguez: escritora e professora de teatro (Primavera do Leste)
Kilwangy Kya Kapitango A Samba: professor Unemat (Barra do Bugres)

Homenageados:

  • Ivo Gregório de Campos: presidente do Instituto Mato-grossense de Resgate da Cultura e Cidadania (Cuiabá)
  • Maria Inês da Silva Barbosa: professora universitária (Salvador)
  • Nubya Beatriz Gomes Reis: delegada de Polícia Civil (Várzea Grande)
  • Dança do Chorado: manifestação cultural (Vila Bela da Santíssima Trindade)
  • Dança do Congo: manifestação cultural (Vila Bela da Santíssima Trindade)

Quem foi Jejé de Oyá

Jose Jacinto Siqueira de Arruda mais conhecido como Jje de Oya Reproducao
José Jacinto Siqueira de Arruda, mais conhecido como Jjé de Oyá. | Foto: Reprodução

José Jacinto Siqueira de Arruda nasceu em Rosário Oeste e se mudou para a capital mato-grossense com a mãe, ainda pequeno. Negro e homessexual, Jejé de Oyá ficou famoso, entre as décadas de 50 e 80 por quebrar estigmas e confrontar a elite cuiabana da época.

Jejé, junto dos amigos João Pedro Ponce de Arruda e Martha Ponce Arruda, escreviam para jornais, na época. Ele é considerado um dos principais colunistas sociais da história do estado.

Os três também eram foliões e participavam dos carnavais de rua na capital.

Jejé morreu devido a uma parada cardíaca, aos 81 anos, em janeiro de 2016. No ano seguinte, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) o aprovou como patrono do colunismo social do estado.

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