Mesquita muçulmana também faz parte da história de Campo Grande
A construção da Mesquita Luz da Fé na Avenida América foi concluída em 1990, mas sua história começou em 1974 com a formação da Sociedade Islâmica de Campo Grande
Quando um muçulmano chega em uma cidade desconhecida a primeira pergunta que faz é: existe uma mesquita aqui ? Se a cidade em questão é a capital de Mato Grosso do Sul, a cidade Morena, que completa 124 anos, neste sábado (26), a resposta é afirmativa.
Para uma das voluntárias do templo islâmico, Najwa Ahmad, contar como uma mesquita significa se sentir representado. “É onde a gente procura para estudar, para aprender, ensinar nossos filhos a decidir, se unir, conversar, um ajudar o outro, saber a notícia do outro.”
Os dados do último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre religião ainda não foram divulgados, mas os de 2010 apontam que Mato Grosso do Sul conta com a segunda maior comunidade islâmica do centro-oeste, ficando atrás apenas do Distrito Federal. Boa parte deles vive em Campo Grande, onde foi construída a mesquita.
A construção da Mesquita Luz da Fé na Avenida América foi concluída em 1990, mas sua história começou em 1974 com a formação da Sociedade Islâmica de Campo Grande, em um prédio situado na Rua 14 de Julho.

Em todos esses anos o número de muçulmanos em Campo Grande aumentou e a mesquita cresceu, integrando a arquitetura árabe à capital. “Temos entre 60 e 70 famílias muçulmanas aqui e, mais ou menos 15 brasileiros convertidos ao Islan”, comenta um dos voluntários da Mesquita, o Mohamed Ali.
A reportagem do Primeira Página foi até a Mesquita para saber como ocorre a integração entre os muçulmanos, em sua maioria árabes, e os campo-grandenses.

Na entrada há tamareiras, árvores muito simbólicas para os árabes, especialmente os palestinos. Há também um espaço reservado para as mulheres na mesquita, separado do local dos homens apenas por um muxarabi, uma treliça de madeira vazada que forma desenhos.
O sermão é feito em árabe e também na língua portuguesa, mas um indício da integração que ocorre em Campo Grande.
Najwa Ahmad, conta que os vizinhos e amigos costumam perguntar se podem ir até a Mesquita quando há alguma festa ou reunião, especialmente quando sabem que serão servidos pratos da culinária árabe.

“A gente convida eles pra virem, eles gostam. E têm pessoas que passam aqui, olham a Mesquita, perguntam qual horário que está disponível pra gente entrar? Aí a gente fala quais os horários, eles entram, vem, conversam, aprendem, muitas coisas.”
Dentre essas coisas está o árabe. “Eu dava aulas de árabe e a Mesquita ficava cheia. Todos brasileiros e as aulas voluntárias. A gente não cobrava nada de ninguém. Então a gente abre pra eles também as portas pra lá. Eles aprendem a cultura”, comenta Najwa.
Segundo ela, muitos alunos aprendem o idioma porque têm curiosidade de conhecer países árabes. “Tive aluno que aprendeu em dois anos. A falar, ler e escrever”, conta Najwa. As aulas foram suspensas durante a pandemia do coronavírus e ainda não foram retomadas.

Refugiados do Iêmen também participam de aulas na Mesquita, mas para aprender a língua portuguesa. Najwa conta que esta troca acontece por meio de uma integração feita com universidades da cidade.
Ainda sobre a interação entre o templo islâmico e Campo Grande, Najwa conta que a maioria dos muçulmanos que vivem na cidade dão preferência a morar perto da Mesquita. “Fica perto da mesquita, das pessoas que congregam e acreditam da mesma forma”, diz.
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