Resistência marca Cruzeiro e Igrejinha neste Carnaval em Campo Grande
Escolas de samba da capital de Mato Grosso do Sul choram para levar desfile à avenida Alfredo Scaff, na Praça do Papa
Unidos do Cruzeiro e Igrejinha levam o samba-enredo para a avenida na primeira noite, dia 20 de fevereiro, na Praça do Papa, em Campo Grande. Nos barracões de cada uma, o que se vê é a resistência para botar a escola na rua desde a confecção das fantasias até o choro de quem vive pelo Carnaval.
Não é a toa que o diretor de Carnaval da Cruzeiro, Thierris Guedes, ama a folia. Nascido no barracão, 37 anos atrás, ele cumpre até hoje a promessa feita ao pai, conhecido como Picolé, e um dos fundadores da escola. “Ele era um apaixonado pelo samba e pedia para a gente nunca deixar o samba morrer, e é isso que a gente faz. Resistir”, diz.
A resistência das escolas também está desde ter espaço apropriado para adereços e carros alegóricos, ao investimento na produção. No Centro Comunitário do Bairro Estrela do Sul, é uma família trabalhando nos bastidores. Cola quente aqui, plumas ali, paetês e recortes acolá. E tudo, ao som de muito samba.
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“O Carnaval é a minha vida. Eu fico descompassado, porque você vê o sonho se transformar em realidade, você vê a alegria. Não tem como explicar”, emociona o músico e intérprete da escola, Tim da Vila, de 55 anos. Ele quem aparece no vídeo segurando o choro, todo dia ele sai do Caiobá até o Estrela do Sul para trabalhar na agremiação do Cruzeiro.
Na máquina, o diretor da escola, Alex Guedes, está costurando uma saia a partir de materiais descartáveis. Sem financiamento e apenas com um repasse do Governo do Estado, por um Carnaval na rua exige criatividade para driblar os custos.
Carnaval da Igrejinha

Em um dos espaços onde a Igrejinha fez barracão, os detalhes não podem ser mostrados, imagem? Só gerais. Nada que “revele” o que a escola de samba vai por na avenida. Carnavalesco, Manuel Lemos explica que este ano, mais do que nunca, a Igrejinha será resistência.
“A gente vai mais na raça ainda, porque assumimos a escola tem dois meses e meio. Estamos reativando a Igrejinha, e o nosso maior desafio é transformar tudo isso no mundo encantado da criança”, diz.
Com samba-enredo “Uni-duni-tê”, a escola quer desfilar levando uma mensagem a todos os membros. “Até para a nossa escolar acreditar num futuro melhor, na esperança da criança e na esperança da Igrejinha”.
Fã incondicional da escola, dona Nirce Ortega, de 72 anos, já escreveu até livro. “Paixão Vermelho e Branco” conta a história da Igrejinha e de seus “anônimos”, gente como ela que é apaixonado pelo Carnaval de Campo Grande.
“Com o tempo eu via que não tinha nenhum livro de história de Mato Grosso do Sul que falasse da Igrejinha, das escolas de samba, era algo que não existia. Pois então, eu falei ‘agora vai existir sim'”, exibe toda orgulhosa o livro.
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