Aluguel sobe acima da inflação e pesa no orçamento em Cuiabá
Preço da locação cresce e dificulta acesso à moradia em Cuiabá. Em 2025, os aluguéis residenciais tiveram alta média de 9,44%.
Cuiabá está entre as capitais com menor valor médio de aluguel do país. Mesmo assim, quem mora de aluguel na cidade sente o aumento dos preços. Para quem não tem imóvel próprio e precisa alugar perto do trabalho ou dos estudos, o custo pesa cada vez mais.
Em 2025, os aluguéis residenciais tiveram alta média de 9,44% no Brasil, percentual mais que o dobro da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Os dados são da FipeZAP, que é o primeiro índice de preços de imóveis residenciais e comerciais com abrangência nacional. O levantamento do órgão analisou anúncios em 36 cidades, sendo que 34 registraram alta nos preços. Entre as capitais, 21 das 22 pesquisadas tiveram aumento nos valores de locação.
Cuiabá segue a tendência de aumento
Mesmo entre as capitais com menor valor médio de aluguel, Cuiabá não ficou fora dessa tendência. Segundo a instituição, o aluguel na capital mato-grossense deve registrar aumento de 14,61%, passando de R$ 39,83 para mais de R$ 46 por metro quadrado ao mês.
Elenice Soares Fernandes sente no bolso o peso do aumento do aluguel. “Eu pagava R$ 550 e foi só aumentando. Hoje já são R$ 800. E não é só o aluguel: tem água, luz, gás…tudo isso vem junto e aperta o orçamento”, conta.
Já Lucy Helena acompanha de perto a rotina da filha, que precisa se desdobrar em dois empregos para conseguir pagar o aluguel. “Se não me engano, são cerca de R$ 1.400. Para conseguir pagar esse valor, ela trabalha em dois serviços: um durante o dia e outro à noite, uma noite sim, outra não. Durante o dia, trabalha de segunda a sábado”, relata.
Para a economista Veneranda Acosta, o reajuste médio de cerca de 15%, que vem se repetindo há alguns anos, acaba gerando um aumento desproporcional em relação ao poder de compra da população. Segundo ela, se esse ritmo continuar, o inquilino tende a sentir o impacto de forma cada vez mais intensa a cada ano.
Juros altos e menos imóveis no mercado
Quem busca um imóvel para alugar em Cuiabá também tem um perfil bem definido. A maior procura está concentrada em aluguéis de até R$ 2 mil, faixa que, segundo o Sindicato da Habitação de Mato Grosso, deve continuar sendo a mais demandada em 2026.
Ainda conforme o sindicato, o aumento dos preços está diretamente ligado à alta taxa de juros, que desestimula novos investimentos no setor imobiliário. Para o presidente do Secovi-MT, Marco Pessoz, esse cenário afeta tanto quem quer comprar quanto quem pretende construir para alugar.
Oferta não acompanha a demanda
Segundo ele, com os juros elevados, muitas pessoas acabam adiando o sonho da casa própria e permanecem no aluguel. Como a necessidade de moradia continua, a procura por imóveis para locação aumenta.
Pessoz explica que essa demanda maior consumiu o estoque de imóveis disponíveis. Ao mesmo tempo, a oferta não cresce no mesmo ritmo, já que os imóveis dependem de investimentos e não ficam prontos de forma imediata. Com a taxa de juros alta, as incorporadoras passaram a lançar novos empreendimentos com mais cautela e em intervalos maiores.
O resultado, segundo o presidente do Secovi-MT, é que hoje o volume de imóveis disponíveis para aluguel é menor do que em anos anteriores, o que ajuda a manter os preços em alta. Veja trecho do assunto abaixo: