Calor de 40°C: uso incorreto do ar-condicionado pode elevar conta de luz
Calorão elevado aumenta o uso do aparelho e consumidores precisam se atentar para não se assustar com a conta no fim do mês
Com as altas temperaturas em Mato Grosso do Sul, o ar-condicionado deixou de ser luxo e se tornou necessidade. No entanto, o uso incorreto do equipamento pode elevar significativamente o consumo de energia e reduzir a vida útil dos aparelhos. Apesar de a previsão do tempo indicar chuvas isoladas que podem amenizar o calor, as temperaturas ainda podem atingir 40°C nos próximos meses, estimulando ainda mais o uso do aparelho.

O aumento na demanda por climatização, porém, vem acompanhado do crescimento expressivo no consumo de energia elétrica. De acordo com o técnico e especialista em climatização Luiz Carlos Ben de Oliveira, sócio proprietário da Alto Controle MS, erros comuns no uso do ar-condicionado são os principais responsáveis pelo aumento na conta de luz.
“O motor do aparelho precisa trabalhar muito mais para baixar a temperatura de um ambiente que está a 30 °C ou 40 °C do que em dias mais amenos. Quando o equipamento é antigo, está mal dimensionado ou com filtros sujos, o consumo pode sim disparar”, explica Luiz.
Ligar e desligar o aparelho não economiza
Um dos erros mais comuns é acreditar que desligar o ar-condicionado constantemente ajuda a reduzir o consumo. Segundo o especialista, essa prática tem o efeito contrário. “Toda vez que o aparelho é ligado novamente, o compressor precisa trabalhar com força total para resfriar o ambiente outra vez. Isso gera picos de consumo e sobrecarrega o sistema”, alerta.
Outro erro frequente é ajustar o equipamento para temperaturas muito baixas. O recomendado, segundo Luiz Carlos, é manter o termostato entre 22 °C e 24 °C, faixa que proporciona conforto térmico e reduz o esforço do aparelho.
A escolha incorreta da potência do ar-condicionado, medida em BTUs, também compromete a eficiência. Ambientes maiores exigem aparelhos mais potentes. Quando o equipamento é insuficiente para o espaço, ele trabalha no limite, não resfria adequadamente e consome mais energia.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou em janeiro o calendário de anúncio das bandeiras tarifárias de 2026. Leia aqui.

Manutenção preventiva é essencial
Além do impacto financeiro, a falta de manutenção pode trazer riscos à saúde. Filtros sujos e serpentinas obstruídas dificultam a circulação do ar, aumentam o consumo de energia e favorecem a proliferação de fungos e bactérias.
No Brasil, a Lei Federal nº 13.589/2018 estabelece a obrigatoriedade da manutenção de sistemas de climatização, com foco na qualidade do ar e na saúde dos ocupantes, prevenindo problemas como a Síndrome do Edifício Doente e infecções respiratórias.
Ambientes com vidro exigem atenção redobrada
Outro fator que influencia diretamente no desempenho do ar-condicionado, especialmente em ambientes residenciais modernos, é o uso excessivo de vidro. Portas, janelas e fachadas envidraçadas funcionam como grandes receptores de calor, absorvendo a radiação solar ao longo do dia e elevando significativamente a temperatura interna dos ambientes.
De acordo com o especialista em climatização Luiz Carlos Ben de Oliveira, mesmo com o ar-condicionado ligado, o calor acumulado pelo vidro faz com que o equipamento precise trabalhar mais para manter o ambiente refrigerado, o que impacta diretamente no consumo de energia.
“O vidro é um dos principais vilões quando falamos em ganho térmico. Ele absorve e transmite calor com facilidade. Em casas e apartamentos com muitas janelas ou portas de vidro, o ar-condicionado acaba trabalhando o tempo todo no limite, tentando compensar esse calor que entra no ambiente”, explica Luiz.
Segundo o técnico, algumas medidas ajudam a minimizar esse efeito sem comprometer a iluminação natural ou o conforto visual dos espaços. “O ideal é investir em películas de controle solar, cortinas ou persianas adequadas, além de evitar a incidência direta do sol nos horários mais quentes do dia. Em projetos novos, vale considerar vidros com proteção térmica. Essas soluções reduzem significativamente o calor interno e aliviam o esforço do ar-condicionado”, orienta.
Antes de comprar, atenção aos detalhes
Na hora de adquirir um novo equipamento, o especialista recomenda avaliar a quantidade de BTUs necessária para o ambiente, além do selo de eficiência energética e do tipo de tecnologia do aparelho.
De forma geral, o cálculo de BTUs leva em consideração o tamanho do espaço em metros quadrados, a incidência solar, a quantidade de pessoas que ocupam o ambiente e a presença de equipamentos eletrônicos. Como referência, ambientes residenciais costumam exigir, em média, 600 a 800 BTUs por metro quadrado, podendo variar conforme a exposição ao sol e o tipo de uso do local.
“Um ambiente pequeno, mas com muito vidro ou sol direto, pode precisar de mais potência do que um espaço maior e bem protegido termicamente. Por isso, o cálculo correto faz toda a diferença para evitar desperdício de energia e garantir conforto”, explica Luiz.
Segundo o especialista, optar por ar-condicionado com tecnologia inverter e realizar manutenção preventiva pelo menos a cada 6 meses contribui para reduzir o consumo ao longo do tempo e aumentar a vida útil do aparelho.
“Um aparelho bem dimensionado e com manutenção em dia consome menos energia, dura mais e garante conforto térmico mesmo nos dias mais quentes. Muitas pessoas acham que a manutenção é só uma vez no ano, mas pelo contrário ela precisa acontecer com mais frequência para se evitar o acúmulo de sujeira e a proliferação de fungos e bactérias”, reforça.
Para quem tem dúvidas sobre o dimensionamento correto, instalação ou manutenção preventiva, a orientação é procurar um profissional especializado, capaz de avaliar as características do ambiente e indicar a solução mais adequada.
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