CMN amplia renegociação de dívidas rurais e dá novo prazo a produtores

Nova medida atende agricultores, pecuaristas e cooperativas que ficaram fora das regras anteriores por problemas operacionais ou de prazo na formalização.

Produtores rurais afetados por eventos climáticos e outras condições excepcionais terão uma nova chance para renegociar dívidas. Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta sexta-feira (4), uma medida que amplia as possibilidades de refinanciamento de débitos de agricultores, pecuaristas e cooperativas agropecuárias prejudicados na produção e na capacidade de pagamento.

A decisão permite a recomposição de dívidas que acabaram ficando fora das regras da Resolução CMN 5.330, aprovada em julho, por questões operacionais ou por problemas relacionados ao prazo de formalização.

Na prática, a medida tenta corrigir uma falha que impediu parte dos produtores de acessar a renegociação, mesmo quando eles já preenchiam os requisitos exigidos.

colheita de soja
CMN amplia renegociação de dívidas rurais e dá novo prazo a produtores. – Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Quem poderá ser atendido

Poderão entrar nas novas regras dois grupos de operações.

O primeiro é o de dívidas que já haviam seguido as regras da Resolução 5.330, mas acabaram entrando em inadimplência após o prazo de 30 dias porque a renegociação não foi formalizada.

O segundo abrange operações renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio de 2026, com vencimento entre 15 de agosto e a data de publicação da nova resolução, e que ficaram inadimplentes nesse intervalo.

O prazo para contratar a recomposição da dívida vai até 12 de novembro.

Crédito com recursos livres

Além da ampliação das regras, o CMN autorizou as instituições financeiras a oferecerem linhas de crédito com recursos livres para recompor dívidas rurais que não tenham sido contempladas pela Resolução 5.330 ou nos casos em que os recursos inicialmente destinados à medida já tenham sido esgotados.

A contratação, porém, não será automática. O produtor dependerá de análise de crédito por parte do banco, que fará uma nova classificação de risco. As garantias também poderão ser reavaliadas.

dinheiro na mao
CMN amplia renegociação de dívidas rurais e dá novo prazo a produtores – Foto: Reprodução

Ou seja, a medida amplia as alternativas de renegociação, mas não representa aprovação automática do crédito.

Regras para fundos constitucionais

O Conselho também aprovou tratamento específico para operações contratadas com recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO).

A nova regra prevê uma classificação de risco mais favorável para determinadas operações renegociadas, conforme a legislação vigente. Estão contemplados contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais linhas de crédito rural.

Quem entra nas regras dos fundos constitucionais?

Primeiro grupo

Entram operações de custeio, comercialização e industrialização que:

  • foram renegociadas ou prorrogadas entre 1º de junho e 15 de julho de 2026;
  • estavam adimplentes no momento da contratação da nova operação.

Segundo grupo

Entram operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização que:

  • foram contratadas até dezembro de 2025, mesmo que tenham sido renegociadas ou prorrogadas;
  • estavam inadimplentes desde 1º de janeiro de 2024;
  • continuavam inadimplentes em 15 de julho de 2026.

Entenda a mudança

A nova decisão foi tomada após o CMN identificar, durante a regulamentação da renegociação de dívidas rurais, que algumas operações se enquadravam nos critérios para receber o benefício, mas ficaram impedidas de acessar as linhas de crédito por problemas operacionais ligados à formalização e aos prazos.

A regulamentação anterior foi criada para dar efetividade à Medida Provisória 1.376, editada em julho para apoiar produtores e cooperativas afetados por eventos climáticos e outras condições excepcionais.

A MP prevê prazo de até dez anos para pagamento e também a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao financiamento rural de médio e longo prazo.

Com a nova resolução, o CMN tenta ampliar o alcance das medidas e evitar que produtores aptos ao benefício fiquem de fora da renegociação.

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