Comunidade isolada em MS cria criptomoeda e transforma produtos locais em ativos digitais

Criptomoeda equivale a cerca de R$ 13 e pode ser utilizada em uma rede de parceiros

Em meio à paisagem do interior de Mato Grosso do Sul, a cidade de Zigurats desenvolve um modelo econômico que combina produção local, pesquisa tecnológica e ativos digitais.

A comunidade criou uma criptomoeda própria, que atualmente equivale a cerca de R$ 13 e pode ser utilizada em uma rede de parceiros distribuída em um raio de até 200 quilômetros, incluindo Campo Grande.

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A proposta é utilizar a tecnologia blockchain para conectar produtos fabricados na região a um ecossistema econômico próprio, criando novas formas de comercialização, circulação de riqueza e geração de negócios.

Esse tipo de tecnologia funciona como um banco de dados compartilhado entre várias pessoas ou empresas. Cada vez que alguém compra ou vende algo, a operação fica registrada na blockchain. Todos conseguem verificar a transação, mas ninguém pode apagar ou alterar o histórico.

A iniciativa envolve a tokenização de produtos produzidos localmente, como argila medicinal, cosméticos naturais, água mineral, suplementos alimentares e outros itens desenvolvidos a partir de pesquisas realizadas dentro da comunidade.

A tokenização consiste em transformar produtos físicos em tokens, ou seja, ativos digitais. Dessa forma, podem ser realizadas aplicações financeiras nos produtos, como uma forma de investimento.

Com um modelo de negócios próprio, a comunidade afirma viver sem depender de subsídios dos governos municipais, estaduais ou federal.

As transações financeiras e os pagamentos realizados dentro do ecossistema ocorrem de forma totalmente digital, por meio da moeda utilizada pelos moradores e parceiros da rede.

A autossustentabilidade é um dos pilares do projeto. A partir dos recursos naturais disponíveis na região, a comunidade busca desenvolver produtos, gerar renda e incentivar um estilo de vida considerado mais saudável.

Diversos itens resultantes dessas pesquisas já são comercializados não apenas entre os moradores, mas também para consumidores de outras regiões do país.

Entre os principais produtos está a água mineral extraída na própria região. Segundo os pesquisadores, ela apresenta características consideradas diferenciadas em relação a outras fontes disponíveis no mercado.

Fonte de água mineral em Zigurats pode virar criptomoeda
Fonte de água mineral em Zigurats (Foto: Chico Gomes)

Outro recurso que ganhou destaque a partir dos estudos desenvolvidos em Zigurats é a argila. Após a descoberta de uma jazida na região, pesquisas conduzidas pela comunidade identificaram propriedades consideradas especiais no material natural, que passou a ser utilizado em produtos voltados ao bem-estar e à saúde.

Segundo o responsável técnico do Centro Tecnológico e do Observatório Dákila Pesquisas, Marcus Vinícius Rigo, o projeto busca estruturar uma economia baseada em produtos e serviços reais, que já fazem parte da rotina da rede de parceiros.

“Por meio das pesquisas, são desenvolvidos produtos, serviços, empresas e negócios que geram empregos e renda. Tudo isso é sustentado por uma plataforma econômica baseada em blockchain, a mesma tecnologia utilizada por criptomoedas conhecidas mundialmente”, afirma.

De acordo com Rigo, a tecnologia permite transformar ativos ligados à produção local em representações digitais, ampliando as possibilidades de negociação e integração entre empresas, profissionais e consumidores.

Atualmente, a rede reúne empreendedores e prestadores de serviços das áreas de saúde, turismo, hospedagem, comércio, vestuário, combustíveis e diversos outros segmentos.

Zigurats é comunidade isolada em MS
Zigurats é comunidade isolada em MS (Foto: Chico Gomes)

A proposta é que as transações ocorram dentro desse ecossistema utilizando ativos digitais vinculados às atividades econômicas desenvolvidas na região.

A estratégia também está diretamente ligada ao crescimento de Zigurats, que busca atrair pesquisadores, empreendedores e investidores interessados em projetos voltados à inovação, sustentabilidade e novas tecnologias financeiras.

Entre os recursos que poderão integrar o processo de tokenização estão outros produtos considerados estratégicos para a economia local, como a argila utilizada em tratamentos terapêuticos, cosméticos produzidos a partir de extratos vegetais e a água mineral explorada na região.

Para os idealizadores do projeto, o diferencial está na associação entre tecnologia blockchain, produção física e pesquisa científica.

Zigurats

Cercada pela Serra de Maracaju, Zigurats surgiu há cerca de 30 anos e ganhou projeção nacional após a suposta aparição do ET Bilu, em 2010.

Mas, para além do episódio, o local passou a chamar atenção pelo investimento em tecnologia e pela proposta de se transformar em uma “cidade futurista”, em Corguinho, na região centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Partindo de Campo Grande, o trajeto inclui 85 quilômetros pela MS-080 até Rochedo e, depois, mais 39 quilômetros por estrada de terra.

Caminhando pelas ruas de terra, é possível encontrar casas com arquitetura pouco convencional: estruturas cilíndricas e telhados abobadados, semelhantes a cúpulas.

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