Cuiabano precisa trabalhar 115 horas para comprar cesta básica
Com valores acima da média nacional, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Cuiabá formam o grupo das cestas básicas mais caras do país.
O trabalhador de Cuiabá que recebe salário mínimo de R$ 1.518 precisou dedicar 115 horas e 5 minutos de jornada laboral para adquirir a cesta básica em setembro de 2025. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Segundo o levantamento, o conjunto de alimentos consumiu 56,55% do salário mínimo líquido do cuiabano, percentual acima da média nacional, de 49,09%.
Cuiabá continua entre as cestas mais caras do país
Valores da cesta básica — setembro de 2025. Barras proporcionais ao maior valor (São Paulo).
Maior valor
Entre as mais caras
Entre as mais caras
Entre as mais caras
Em setembro, o valor da cesta básica em Cuiabá foi de R$ 794,03, com leve queda de -0,77% em relação a agosto. A redução foi influenciada principalmente por:
- Tomate: -13,02%
- Batata: -8,95%
- Açúcar: -2,02%
- Arroz: -0,71%
Apesar da retração de hortifrutis, 7 dos 13 itens ficaram mais caros, mantendo o custo elevado. Entre as maiores altas:
- Banana: +3,24%
- Óleo de soja: +2,72%
- Feijão: +1,71%
- Café: +1,56%
A banana acumula +37,59% em cinco meses; o café, +13,73% no ano.
O levantamento mostra que a capital mato-grossense permanece entre as cidades com maior custo alimentar. Em setembro, os valores mais altos foram registrados em São Paulo (R$ 842,26); Porto Alegre (R$ 811,44); Florianópolis (R$ 811,07) e Cuiabá (R$ 794,03).
A cesta mais barata continua sendo a de Aracaju, a R$ 552,65.
Brasil: 22 capitais registram queda em setembro
A Conab e o Dieese apontam que 22 capitais tiveram redução mensal no custo da cesta, movimento influenciado pela maior oferta agrícola no período.
- Tomate caiu em 26 capitais, chegando a -47,61% em Palmas;
- Arroz recuou em 25 cidades;
- Açúcar diminuiu em 22 capitais.
O óleo de soja destoou da tendência: subiu em 25 capitais, puxado por menor oferta interna e demanda crescente para biodiesel.
No recorte de 12 meses, o valor da cesta subiu em todas as capitais com série histórica, variando entre 3,87% (Belém) e 15,06% (Recife).
Salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.075,83
Com base na cesta mais cara (São Paulo), o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.075,83, o equivalente a 4,66 vezes o mínimo vigente.
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