Diela quer abrir escola e curso online para formar trancistas em MT

Imigrante da Guiné-Bissau e empreendedora cultural em Cuiabá, ela usa as tranças como ferramenta de identidade, autonomia e luta por direitos das mulheres negras.

A trajetória de Diela Tamba Nhaque ganhou projeção nacional após a vitória na Expofavela 2025, feira de negócios que reúne empreendedores da periferia de todo o Brasil e premia projetos inovadores. A final desta edição foi transmitida ao vivo durante o programa É de Casa, da TV Globo.

Em entrevista à TV Centro América, Diela revelou que agora, o sonho é dar um novo passo: inaugurar uma escola estruturada e lançar um curso online de formação para trancistas.

Diela Tamba Nhaque leva o projeto D’jombai ao cenário nacional como finalista da Expo Favela Brasil. - Foto: Reprodução/Instagram
Diela Tamba Nhaque leva o projeto D’jombai ao cenário nacional como finalista da Expo Favela Brasil. – Foto: Reprodução/Instagram

Diela participou da competição com o projeto D’jombai, que ensina meninas em situação de vulnerabilidade social a fazer tranças de cabelo. Além do troféu, a empreendedora recebeu um prêmio de R$ 100 mil, que deve ser investido no fortalecimento da iniciativa.

“Para mim, ele é conhecimento e aprovação de Deus de que eu já estava no caminho certo. Há muito tempo montei os meus projetos. Sou de um país periférico e me considero uma mulher periférica. É importante nunca se esquecer das suas raízes”, disse.

Natural da Guiné-Bissau, na costa ocidental do continente africano, Diela deixou o país aos 19 anos, em meio a crises políticas e econômicas, e veio para o Brasil com a família em busca de novas oportunidades. Agora, a empreendedora mora em Várzea Grande, regão metropolitana de Cuiabá.

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Em Mato Grosso, formou-se em Serviço Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e atuou na área da saúde, sempre envolvida em movimentos de defesa dos direitos das mulheres e da população negra.

“Eu cheguei na universidade federal e pública e logo já me ingressei ao grêmio estudantil. Na primeira semana, já viajamos para São Paulo e comecei a me envolver em movimentos sociais em várias instâncias”, contou.

Conheça história de Diela Nhaque, trancista que virou destaque nacional – Vídeo: Redes sociais

Com o tempo, Diela percebeu que as tranças iam além da estética e faziam parte da afirmação da identidade e das raízes culturais. A prática também se transformou em uma alternativa de geração de renda para mulheres da periferia.

“Quando buscava emprego era sempre, sem vaga. Aí pensei ‘eu poderia ensinar outras meninas que estejam desempregadas ou desanimadas com a vida’. Muitas delas acreditam que aquilo não era para elas, por sermos negras não era possível sonhar. Quando vi tendo fila de clientes para fazer tranças comigo, comecei a dar curso básico. Algumas pessoas que ensinei, hoje já têm salão de beleza”, relatou.

O reconhecimento na Expofavela reforçou os planos de Diela para o futuro do projeto. Entre os principais sonhos estão a construção de uma escola estruturada e a criação de uma plataforma online de formação de trancistas.

“O projeto Djumbai é tornar a nossa escola bonita e legalizada, com uma estrutura, pois hoje nós temos muito improviso. São dois grandes sonhos: a construção da escola e a criação da nossa plataforma online de formação de trancistas. Esse prêmio veio para me lembrar da importância de vivermos o nosso propósito de vida”, afirmou.

As conquistas da empreendedora também são motivo de orgulho para o filho, Antônio Tamba, de 10 anos, que acompanha de perto a trajetória da mãe.

“Eu senti uma felicidade imensa em saber que a minha mãezinha do meu coração, que me carregou por nove meses na barriga, tá conhecida internacionalmente, porque o projeto dela é incrível”, disse.

Com o prêmio e a visibilidade conquistados, Diela agora se prepara para fortalecer o D’jombai e ampliar o alcance do projeto.

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