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EISE 2026 debate energia como motor do crescimento em MT

Evento segue até quarta-feira (13), em Cuiabá, com painéis, feira de negócios e debates sobre infraestrutura, investimentos, inovação e transição energética

O futuro energético de Mato Grosso está no centro dos debates do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026 (EISE 2026), realizado nesta terça (12) e quarta-feira (13), em Cuiabá. Promovido pelo SINDENERGIA-MT, o evento chega à 14ª edição consolidado como um dos principais fóruns do setor no Centro-Oeste.

A programação reúne autoridades públicas, empresários, especialistas, concessionárias, agências reguladoras e empresas do setor para discutir segurança energética, expansão da infraestrutura elétrica, sustentabilidade, inovação, biocombustíveis, biometano e novos investimentos.

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Crédito: Pedro Miranda

Realizado no UNISENAI, no Centro de Eventos do Sistema Fiemt, o EISE 2026 também conta com feira de negócios, painéis técnicos e exposição de produtos, serviços e soluções. Ao todo o evento reuniu 800 pessoas e contou com 25 estandes.

Para o presidente do SINDENERGIA-MT, Carlos Coelho Garcia, o principal desafio de Mato Grosso é transformar o potencial energético em estrutura real para atender o próprio estado.

Mato Grosso é um estado que exporta energia, mas que ainda tem dificuldade de levar energia de qualidade para dentro. Nós temos luz, mas muitas vezes não temos energia suficiente para instalar indústrias em diversos locais. Cerca de 70% do estado ainda conta com redes monofásicas, o que limita o uso produtivo da energia. O objetivo do evento é chamar a atenção das autoridades para a importância de Mato Grosso no contexto energético do Brasil, não só pela energia elétrica, mas também pelos biocombustíveis, pelo biodiesel, pelo etanol e por todo o potencial renovável que o estado oferece”, afirmou.

Segundo ele, o setor precisa de novos investimentos em transmissão e distribuição para acompanhar o crescimento econômico e produtivo de Mato Grosso. Garcia também destacou que a alta tarifa de energia é um dos principais entraves para a expansão da infraestrutura.

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Crédito: Pedro Miranda

“A gente exporta uma parte importante da energia que produz, mas muitas propriedades rurais e regiões produtivas ainda não têm energia adequada. Essa é uma incoerência que precisa ser enfrentada. O grande desafio é como fazer os investimentos necessários sem jogar todo esse custo na tarifa, que já é uma das mais altas do país”, completou.

A secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Roberta Pinho da Silva Vogel Lisboa, afirmou que o governo estadual trabalha em um projeto voltado à ampliação do trifaseamento em Mato Grosso, que deve ser lançado ainda neste mês.

“Nós temos trabalhado em um projeto de Estado para ampliar o trifaseamento em Mato Grosso, uma demanda antiga do setor. Também temos mantido agendas com a Empresa de Pesquisa Energética para apresentar as necessidades do estado na área de transmissão. Hoje, Mato Grosso produz toda a energia que consome e já conseguiu exportar parte da energia gerada. Mas a demanda deve continuar crescendo, principalmente porque o estado tem uma indústria em expansão, com destaque para agroindústria, irrigação e armazenagem”, disse.

Linacis também destacou que o EISE fortalece a conexão entre poder público, empresas, especialistas e pesquisadores.

Esse é o maior evento de energia de Mato Grosso. É um momento de conexão, de debate e de construção de perspectivas para o desenvolvimento do setor. O estado possui uma matriz energética diferenciada, com hidrelétricas, solar e biomassa. Aqui, sustentabilidade não é apenas discurso, é uma realidade”, afirmou.

Representando a Energisa, o assessor institucional Luiz Carlos Moreira Júnior afirmou que a concessionária já investiu R$ 9 bilhões em Mato Grosso desde que assumiu a concessão, em 2014, e prevê novos investimentos de R$ 9,5 bilhões nos próximos quatro anos.

“Mato Grosso já é um estado exportador de energia, mas a geração distribuída, principalmente solar, cresceu muito. Hoje, temos uma capacidade instalada de energia solar superior à carga consumida, e essa energia precisa escoar para os grandes centros consumidores. Isso cria gargalos na transmissão, que não são apenas de Mato Grosso, mas do Brasil. O desafio é estabilizar o sistema e encontrar soluções para integrar cada vez mais fontes limpas”, explicou.

Diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Gentil Nogueira de Sá Júnior defendeu segurança jurídica, estabilidade regulatória e equilíbrio tarifário para viabilizar os investimentos necessários no setor.

“As agências reguladoras têm um papel fundamental na segurança jurídica e na segurança regulatória. O Brasil avançou muito nesse ambiente, e agora o desafio é fazer os investimentos acontecerem. Mato Grosso tem uma capacidade imensa de oferecer ao país recursos importantes para o setor elétrico, especialmente por conta da biomassa, das PCHs e das hidrelétricas. O estado está muito bem posicionado para contribuir com o atendimento da demanda energética e com os desafios do horário de pico”, completou.

Pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o diretor do Departamento de Programas de Inovação, Osório Coelho, destacou uma parceria em construção para mapear o potencial de biomassa em Mato Grosso e fortalecer a agenda de energias renováveis.

“Existe uma parceria sendo construída entre o Ministério e o Estado de Mato Grosso para identificar a capacidade e o potencial de biomassa na região. A ideia é fortalecer o avanço das energias renováveis. O governo federal tem o papel de criar estabilidade, apresentar regras claras e construir um ecossistema de inovação que encoraje estados, empresas e instituições a investirem. O Ministério está de portas abertas para avançar nessa agenda junto com Mato Grosso”, afirmou.

O deputado estadual Carlos Avallone também participou do evento e destacou que Mato Grosso vive uma nova fase de industrialização, que exige energia de melhor qualidade.

“O SINDENERGIA tem uma tradição e esse evento já se consolidou no estado. Aqui são discutidos temas fundamentais para Mato Grosso. A Energisa deve anunciar investimentos bilionários para os próximos quatro anos e o governo do Estado trabalha em um projeto de trifaseamento junto com a concessionária. Isso vai permitir energia de melhor qualidade e dar condições para que a indústria avance no interior. Mato Grosso está entre os estados que mais cresceram em industrialização nos últimos anos, e um evento como esse mostra esse movimento para o Brasil e para o mundo”, disse.

Além dos debates institucionais, o EISE 2026 também abriu espaço para empresas apresentarem soluções tecnológicas ao mercado. Representante da Romagnole Produtos Elétricos S.A., Mac Douglas Vendramini destacou equipamentos voltados à qualidade do fornecimento e à eficiência energética.

“A Romagnole trouxe ao evento soluções como religadores, reguladores de tensão, transformadores e equipamentos voltados à geração, distribuição e transformação de energia. Hoje, existe uma busca cada vez maior por eficiência e qualidade no fornecimento. Os produtos estão evoluindo do ponto de vista técnico e tecnológico para melhorar a performance das concessionárias e também atender o mercado privado, como indústrias, comércios, construções e loteamentos”, explicou.

Já o diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Dourado Martins, afirmou que Mato Grosso tem grande potencial de fontes limpas, mas precisa ampliar a capacidade de transmissão para acompanhar o crescimento da geração.

“Mato Grosso tem um potencial importante de fontes limpas, com destaque para a geração solar e outras fontes renováveis. A EPE trabalha em estudos para expandir o sistema de transmissão e viabilizar o escoamento dessa geração. Há estudos em andamento para reforços na malha de 500 kV e também na malha de 230 kV, que devem aumentar a capacidade de exportação de energia do estado”, disse.

Segundo Thiago, o crescimento acelerado da micro e minigeração distribuída é um dos principais desafios do planejamento energético no país.

Só em 2024, o Brasil teve um aumento de cerca de 9 GW de capacidade em micro e minigeração distribuída, principalmente solar. É um crescimento muito rápido, quase 1 GW por mês. O desafio é acompanhar esse movimento, porque a expansão da transmissão exige prazos longos, desde os estudos até a entrada das obras em operação. Por isso, é necessário se antecipar para que a infraestrutura acompanhe a geração”, completou.

Com o tema “Mato Grosso, centro energético do Brasil”, o EISE 2026 segue nesta quarta-feira com novos painéis, palestras e debates sobre o papel do estado na transição energética, na atração de investimentos e na construção de soluções para o futuro do setor elétrico brasileiro.

Este conteúdo é uma produção do Primeira Página para a campanha Sindenergia-MT e não faz parte do conteúdo jornalístico do Portal.