Endividamento reduz uso do cartão de crédito e desafia comércio em MS

Mudança no comportamento do consumidor tem impactado diretamente a economia do estado

Em Mato Grosso do Sul, mais de 70% das famílias estão endividadas, causando a queda no uso do cartão de crédito e no consumo de produtos em todo estado. Por isso, o comércio tem buscado maneiras de contornar a situação, para evitar prejuízos econômicos ao setor. 

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Uso do cartão de crédito caiu no estado (Foto: David Melo)

Para conseguir se livrar da situação de endividamento, a empresária Rejane Moreira recorreu à ajuda de uma consultora financeira, após o cartão de crédito se tornar o maior vilão das finanças dela. 

“Eu sempre usei muito cartão de crédito. Era uma forma de poder usar o dinheiro que ainda não tinha entrado na conta. Comecei em alguns momentos a pagar o mínimo e a gente sabe que ele vem gerando um juros muito maior. E nesses juros eu comecei a me desorganizar. Aquilo que era dois mil começou a ser quatro.Foi aumentando uma dívida e acabou que eu não conseguia mais usar o cartão”, disse. 

Da mesma forma ocorreu com a coordenadora de vendas Aline Ayumi, que já passou bastante sufoco com o cartão de crédito. 

“Quanto mais você tem, mais você quer gastar. O cartão de crédito é algo que se você não tem controle, ele te domina”, destacou. 

O aumento da inadimplência está ligado à queda no uso do cartão de crédito, uma vez que também há maior restrição ao crédito. 

“O dinheiro está caro. Então as taxas de juros muito altas, os bancos pegam essa taxa de juros, jogam também dinheiro caro no mercado e as pessoas estão sem condições de pegar. E o limite sendo rebaixado, os bancos também não querem correr tantos riscos, tantos riscos de conversar com os juros altos. E a questão da escolha das pessoas, como a maioria das famílias estão endividadas. Tudo isso leva a um momento de dificuldade que só pode ser melhorado com alguma política pública”, pontuou o economista Eugênio da Silva Pavão. 

Dessa forma, o comércio de Campo Grande tem buscado meio para conseguir driblar a situação e manter as vendas em alta. 

“Oferecer formas de pagamento muito mais longas sem descuidar da segurança que possam fazer dessas vendas com análise de crédito muito mais rigorosa de maneira que as vendas sejam feitas de forma segura e também, por outro lado, nosso consumidor possa ser atendido ainda que com prazos mais alongados, parcelas menores mas de maneira que a economia continua gerando”, afirmou a presidente da CDL, Inês Santiago.

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