Entenda como fica preço do diesel após pacote para conter efeitos da guerra no Irã

Governo lançou medidas que devem impactar diretamente o valor nos postos de combustível e, consequentemente, na inflação de produtos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do governo federal anunciaram nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para tentar conter o impacto da guerra no Irã sobre o preço do diesel no Brasil. As ações devem impactar diretamente o valor nos postos de abastecimento e, consequentemente, na inflação de produtos que dependem do transporte rodoviário.

Valor do diesel deve reduzir na bomba
Valor do diesel deve reduzir na bomba (Foto: David Melo)

O aumento da tensão no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã, elevou as preocupações em torno do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Como consequência, o preço internacional do petróleo subiu, pressionando o valor dos combustíveis.

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Medidas anunciadas

O pacote anunciado pelo governo inclui quatro ações principais:

  • Decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro, segundo o governo federal;
  • Medida Provisória (MP) que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel, valor que deverá ser repassado ao consumidor final;
  • Tributação da exportação de petróleo, também por meio de MP, com o objetivo de incentivar o refino no Brasil e garantir o abastecimento interno;
  • Decreto que obriga postos de combustíveis a informar de forma clara e visível ao consumidor a redução de tributos e o impacto da subvenção no preço final.

Ou seja, com a combinação das medidas, o governo estima uma queda de até R$ 0,64 por litro no preço do diesel nas bombas.

Impacto no transporte e nos alimentos

O diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando o preço sobe, o custo do frete tende a aumentar e acaba sendo repassado ao longo da cadeia produtiva, impactando o preço de alimentos e outros produtos.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva sobre medidas para reduzir o impacto da oscilação do preço internacional do petróleo sobre o diesel no Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva sobre medidas para reduzir o impacto da oscilação do preço internacional do petróleo sobre o diesel no Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula afirmou que as medidas buscam evitar que a crise internacional chegue ao bolso dos brasileiros.

“Para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada de alface, da cebola e à comida que o povo mais come”, declarou.

Segundo o governo federal, as medidas têm caráter temporário e valem até 31 de dezembro deste ano. A iniciativa foi justificada pela alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio, que já levou alguns países a recorrerem a estoques emergenciais de combustível.

Com o decreto que zera PIS/Cofins, deixam de ser cobrados os dois únicos impostos federais incidentes sobre o diesel. De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a renúncia fiscal deve chegar a cerca de R$ 20 bilhões.

Para compensar parte da perda de arrecadação e estimular o refino no país, o governo decidiu criar uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo.

A medida busca ampliar a oferta de derivados no mercado interno e reduzir a dependência de importações.

Fiscalização e punições

O pacote também prevê reforço na fiscalização do setor de combustíveis. O governo estabeleceu parâmetros para que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e órgãos de defesa do consumidor atuem contra práticas abusivas.

O decreto prevê multas entre R$ 50 mil e R$ 500 mil para postos que:

  • aumentarem preços de forma considerada abusiva, especialmente em cenários de crise geopolítica ou calamidade;
  • se recusarem, sem justificativa, a fornecer combustíveis.

No caso da subvenção aos produtores e importadores, o pagamento estará condicionado à comprovação de que o benefício foi repassado ao consumidor final.

O pacote de medidas entrou em vigor com a publicação das normas em edição extra do Diário Oficial da União desta quinta-feira (12).

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