Entregadores de aplicativos fazem paralisação nacional nesta terça; veja reivindicações

Movimento chamado de “Breque Geral dos Apps” pede valor mínimo de R$ 10 por corrida curta, pagamento de R$ 2,50 por quilômetro e mudanças nas regras de bloqueio de contas.

Entregadores de aplicativos prometem paralisar as atividades nesta terça-feira (1º) em uma mobilização nacional organizada por meio das redes sociais e de grupos de mensagens. O movimento, chamado de “Breque Geral dos Apps”, cobra melhores valores pelas entregas e mais transparência das plataformas nos bloqueios de trabalhadores.

Entre as principais reivindicações está o pagamento de R$ 10 por corrida curta, além de R$ 2,50 por quilômetro rodado. Segundo os organizadores, os valores pagos atualmente não seriam suficientes para cobrir despesas enfrentadas pelos trabalhadores, como combustível e manutenção de motos e bicicletas.

Durante a paralisação, a orientação dos organizadores é para que os entregadores permaneçam off-line nos aplicativos. Buzinaços e carreatas também estão previstos em diferentes cidades do país.

Entregadores já podem financiar moto com 100% do valor. - Foto: Getty Imagens
Entregadores de aplicativos fazem paralisação nacional e cobram reajuste nas corridas. – Foto: Getty Imagens

Modalidade “+Entregas” está entre as reclamações

Um dos principais alvos da mobilização é a modalidade conhecida como “+Entregas”, na qual o trabalhador realiza entregas dentro de uma região e período previamente definidos.

Os organizadores afirmam que o modelo pode reduzir os valores recebidos pelos profissionais e prejudicar entregadores que optam por não aderir à modalidade.

Além do reajuste na remuneração, a categoria cobra que o governo federal publique uma medida provisória estabelecendo regras para taxas mínimas pagas aos trabalhadores das plataformas.

Governo federal anunciou medidas para melhorar as condições de trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. - Foto: Marcelo Casal Jr/Agencia Brasil
Entregadores de aplicativos fazem paralisação nacional e cobram reajuste nas corridas. – Foto: Marcelo Casal Jr/Agencia Brasil

Parte dos entregadores também critica o PLP 152, por avaliar que a proposta em discussão não contempla de forma adequada reivindicações relacionadas à renda e à proteção previdenciária.

Entregadores cobram explicação para bloqueios

Outro ponto levantado pelos trabalhadores é o sistema usado pelos aplicativos para suspender ou bloquear contas.

Entregadores afirmam que algumas decisões seriam tomadas de forma automática, sem explicações claras sobre o motivo da punição ou mecanismos considerados adequados para apresentação de defesa.

A categoria defende maior transparência sobre os critérios utilizados pelos algoritmos das plataformas, principalmente nos casos que podem impedir temporária ou definitivamente o profissional de trabalhar.

Breque Geral dos Apps

📋 Veja o que os entregadores reivindicam

Categoria cobra uma MP com taxa mínima e mudanças nas regras adotadas pelas plataformas.

💰 Taxa mínima

R$ 10
por entrega ou corrida de até 4 km
+ R$ 2,50
por cada quilômetro adicional acima de 4 km

🚫 Sistemas que a categoria quer mudar

+Entregas: fim do modelo do iFood que reúne corridas e que, segundo os entregadores, não garante remuneração integral.

Bloqueios: fim de suspensões consideradas indevidas e de paradas técnicas sem justa causa.

Semana Turbinada/Passe: fim de sistemas de metas que, segundo a categoria, podem incentivar jornadas exaustivas.

📌 Outras reivindicações

📍 Valor antes da corrida: destino e remuneração devem aparecer claramente antes de o entregador aceitar o serviço.

⏱️ Taxa de espera: pagamento quando o profissional aguardar por mais de 15 minutos.

🛡️ Seguro contra acidentes: cobertura custeada pelas plataformas.

📊 Mais transparência: fim de penalidades automáticas sem justificativa comprovada e acesso aos critérios usados pelas plataformas.

Com a paralisação desta terça-feira, os organizadores esperam pressionar empresas de aplicativos e o governo federal por mudanças nas condições de trabalho e na remuneração dos entregadores.

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