Inflação cai 0,32% em agosto puxada por conta de luz mais barata
IPCA teve a maior deflação mensal desde agosto de 2022; energia elétrica residencial caiu 7,63%, enquanto alimentos, combustíveis e passagens aéreas também ficaram mais baratos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu 0,32% em agosto, na maior deflação mensal registrada desde agosto de 2022, quando o índice recuou 0,36%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda foi puxada principalmente pela conta de luz, que ficou 7,63% mais barata no mês. Passagens aéreas, combustíveis e alimentos consumidos dentro de casa também registraram redução nos preços.
O resultado reforça o movimento de desaceleração da inflação. Em julho, o IPCA havia subido 0,07%, depois de avançar 0,16% em junho.

Mesmo com a deflação de agosto, a inflação acumula alta de 3,11% em 2026 e de 4,22% nos últimos 12 meses. O percentual em 12 meses ficou abaixo dos 4,44% registrados até julho.
Com isso, a inflação permanece dentro do intervalo de tolerância da meta. Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece inflação de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, formando um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Conta de luz cai 7,63%
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação apresentou a maior queda em agosto, de 1,87%. Segundo o instituto, foi o menor resultado para o grupo em um mês de agosto desde o Plano Real.
O principal impacto veio da energia elétrica residencial, com redução de 7,63%. O resultado foi influenciado pela incorporação do Bônus de Itaipu às faturas emitidas durante o mês. O bônus devolve aos consumidores recursos excedentes da operação da usina e provoca uma redução temporária no valor das contas de energia.

Apesar disso, permaneceu em vigor em agosto a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 à conta a cada 100 kWh consumidos. Também houve reajustes tarifários em concessionárias de São Paulo, Vitória, São Luís, Fortaleza e Rio Branco.
Dentro do grupo Habitação, o gás encanado seguiu caminho contrário e subiu 1,74%. A taxa de água e esgoto avançou 0,11%.
Passagens aéreas e combustíveis ficam mais baratos
O grupo Transportes apresentou queda de 0,86%, influenciado principalmente pela redução de 13,17% nas passagens aéreas.
Os combustíveis também ficaram, em média, 0,91% mais baratos. O etanol caiu 3,95%, o óleo diesel recuou 0,80% e a gasolina teve redução de 0,59%. Já o gás veicular subiu 2,62%.

O transporte por aplicativo apresentou queda de 4,57%. Segundo o IBGE, o resultado considera tanto a variação observada em agosto quanto parte dos efeitos registrados em julho.
Veja a variação dos grupos pesquisados pelo IPCA
Variação registrada em agosto
Batata, cenoura e tomate têm queda de dois dígitos
Alimentação e bebidas também ajudou a derrubar a inflação em agosto, com redução de 0,34%.
A alimentação no domicílio ficou 0,61% mais barata. Entre os produtos com as maiores quedas aparecem a batata-inglesa, com recuo de 19,89%, a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%).
Também ficaram mais baratos o ovo de galinha (-4,15%) e o café moído (-1,86%). Além de Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas, o grupo Comunicação registrou deflação de 0,09%.
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