IPCA sobe 0,33% em janeiro, puxado por combustíveis

Alta da gasolina após reajuste do ICMS pressiona índice, enquanto conta de luz mais barata ajuda a conter avanço; alimentos desaceleram e têm menor alta para janeiro desde 2006.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado repete a variação de dezembro de 2025 e veio ligeiramente acima das projeções do mercado, que estimavam avanço de 0,32%.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,44%, acima dos 4,26% observados no período imediatamente anterior. Em janeiro do ano passado, o índice havia subido 0,16%.

O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e acompanha os preços de 377 subitens, entre produtos e serviços, em todo o país.

Combustíveis lideram pressão sobre a inflação

O combustível limpo produzido em Mato Grosso abastece frotas de caminhões e ônibus em todo o país, conectando o campo às grandes cidades (Foto: Freepik)
IPCA sobe 0,33% em janeiro, puxado por combustíveis. – Foto: Freepik

O grupo Transportes foi o principal responsável pelo avanço do índice em janeiro, com alta de 0,60% e impacto de 0,12 ponto percentual (p.p.). O movimento foi influenciado pelo aumento médio de 2,14% nos combustíveis.

A gasolina foi o item que mais pressionou a inflação no mês, com alta de 2,06%, refletindo o reajuste do ICMS, que passou a valer na virada do ano. Apesar de o imposto ser estadual, o aumento ocorreu de forma uniforme em todo o país.

Também tiveram elevação:

  • Etanol: 3,44%
  • Óleo diesel: 0,52%
  • Gás veicular: 0,20%

No fim de janeiro, a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina, o que tende a aparecer nos próximos resultados do índice.

Conta de luz mais barata segura o índice

Na contramão, o grupo Habitação apresentou queda de 0,11%, com impacto de -0,02 p.p., sendo o principal fator de alívio para o IPCA no mês.

A energia elétrica residencial ficou 2,73% mais barata, graças à mudança da bandeira tarifária. Em janeiro, vigorou a bandeira verde, que não prevê cobrança adicional. Em dezembro, estava em vigor a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Alimentos desaceleram e têm menor alta para janeiro em quase 20 anos

O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no orçamento das famílias brasileiras (21,42%), subiu 0,23% em janeiro. O resultado representa desaceleração em relação a dezembro (0,27%) e é o menor para um mês de janeiro desde 2006, quando a alta foi de 0,11%.

A alimentação no domicílio teve variação de apenas 0,10%, com destaque para quedas importantes:

  • Leite longa vida: -5,59%
  • Ovo de galinha: -4,48%

Por outro lado, alguns itens pesaram no bolso do consumidor:

  • Tomate: 20,52%
  • Carnes: 0,84%, com destaque para
    • contrafilé (1,86%)
    • alcatra (1,61%)

Veja o desempenho dos grupos em janeiro

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, dois apresentaram queda no mês. Confira as variações e impactos no IPCA:

  • Comunicação: 0,82% (0,04 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,70% (0,10 p.p.)
  • Transportes: 0,60% (0,12 p.p.)
  • Despesas pessoais: 0,41% (0,04 p.p.)
  • Alimentação e bebidas: 0,23% (0,05 p.p.)
  • Artigos de residência: 0,20% (0,01 p.p.)
  • Educação: 0,02% (0,00 p.p.)
  • Habitação: -0,11% (-0,02 p.p.)
  • Vestuário: -0,25% (-0,01 p.p.)

Leia mais

  1. Facção liderada por foragido é investigada por lavagem de dinheiro em 4 estados

  2. Festival de Cinema de Cuiabá é lançado e abre inscrições com foco em migração e clima

  3. Quarta-feira de Cinzas não é feriado; entenda como funciona o Carnaval 2026