Magistrados declaram patrimônio 38 vezes maior que professores; veja quanto cada profissão declara e compare na calculadora
Dados da Receita Federal revelam diferenças patrimoniais entre profissões; confira o ranking e use a calculadora de desigualdade para comparar sua carreira.
Os dados mais recentes da Receita Federal sobre as declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) revelam um retrato das desigualdades patrimoniais entre as profissões no Brasil. Enquanto membros do Poder Judiciário informaram patrimônio médio de R$ 3 milhões no ano-base de 2025, professores da educação infantil declararam um patrimônio 38 vezes menor, chegando a R$ 79,35 mil.

As informações fazem parte do painel Perfil do Declarante IRPF, disponibilizado pela Receita Federal com dados estatísticos das declarações de Imposto de Renda já entregues. Os números são apresentados sem identificação dos contribuintes, preservando o sigilo fiscal.
Além da distância em relação aos professores, o levantamento evidencia um abismo patrimonial entre carreiras de alta remuneração e ocupações ligadas a serviços considerados essenciais.
Trabalhadores dos serviços de saúde, por exemplo, declararam patrimônio médio de R$ 61,47 mil, enquanto integrantes do Judiciário informaram média de R$ 3 milhões.
No topo do ranking aparecem os titulares de cartório, com patrimônio médio de R$ 3,3 milhões. Em seguida estão membros do Poder Judiciário (R$ 3 milhões), integrantes do Ministério Público (R$ 2,9 milhões) e diplomatas (R$ 2,5 milhões).
Também figuram entre os maiores patrimônios atletas profissionais, dirigentes de indústrias, produtores rurais, servidores das carreiras do Banco Central, médicos e advogados.
Veja o ranking completo:
Também figuram entre os maiores patrimônios atletas profissionais, dirigentes de indústrias, produtores rurais, servidores das carreiras do Banco Central, médicos e advogados.
Na outra ponta estão profissões ligadas à saúde, ao trabalho operacional e aos serviços. Técnicos de ciência da saúde humana lideram a lista dos menores patrimônios, com média de R$ 40,66 mil.
Os dados também chamam atenção para a posição da educação no ranking. Professores da educação infantil declararam patrimônio médio inferior a R$ 80 mil, enquanto docentes do ensino fundamental registraram média de R$ 101,14 mil. Os valores são considerados muito abaixo daqueles observados entre as carreiras mais bem posicionadas no ranking.
Para além das análises comparativas, o painel lançado pela Receita permite consultar informações estatísticas extraídas das declarações do IRPF a partir de diferentes recortes, como ocupação, faixa de renda, sexo, raça, cor, idade e localização geográfica.
Acompanhe o comparativo entre os patrimônios declarados a partir das profissões:
A ferramenta foi desenvolvida para ampliar a transparência dos dados e subsidiar estudos sobre o perfil dos declarantes, sem comprometer o sigilo fiscal.
Entre a média declarada e a vida real
Embora o patrimônio declarado ao Imposto de Renda não represente diretamente o salário recebido por uma categoria, os dados ajudam a revelar diferenças acumuladas ao longo da vida financeira dos profissionais.
O cenário também chama atenção quando observado o relato de profissionais da área, que apontam dificuldades para equilibrar as contas do dia a dia e os custos envolvidos no exercício da profissão.
Uma professora da educação infantil, que preferiu não se identificar, afirma que a realidade da categoria vai além da remuneração e envolve também as condições de trabalho enfrentadas nas escolas.
“O salário dos profissionais da educação infantil é vergonhoso. Deveríamos ter um olhar mais humanizado para esses profissionais, pois trocamos fraldas, damos banho e temos contato direto com crianças que muitas vezes chegam à escola doentes. O ambiente é insalubre e, mesmo assim, precisamos voltar para a sala de aula sem apoio”, afirmou a educadora em entrevista ao Portal Primeira Página.
A professora destaca ainda que a dificuldade financeira impacta diretamente a rotina dos profissionais.
“Muitas vezes não conseguimos fechar nem a quinzena, pois muitas vezes precisamos comprar material pra trabalharmos. Os nossos salários estão longe de ser um salário digno para um professor”, completou a professora.
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