Do aplicativo ao MEI: entregadores viram protagonistas do empreendedorismo em MS
No 2º quadrimestre de 2025 o setor de Serviços de Malote Não Realizados pelo Correio Nacional liderou as aberturas de MEIs em MS, com mais de 1,6 mil registros
As compras pela internet passaram a fazer parte da vida dos consumidores, principalmente após a pandemia da Covid-19 que assolou o país. O cenário impactou diretamente nas formas de entrega, exigindo maneiras rápidas e flexíveis, trazendo um novo modelo de microempreendimento, refletindo uma mudança na forma de trabalhar e circular renda em Mato Grosso do Sul.

Seja como entregador da Shopee, Amazon ou Mercado Livre: o que antes era visto como um trabalho pontual, se tornou profissão e os dados em MS não deixam dúvidas: o setor de ‘Serviços de Malote Não Realizados pelo Correio Nacional’ vem se consolidando como uma das atividades que mais crescem entre os MEIs (microempreendedores individuais) em Mato Grosso do Sul.
Dados da Receita Federal, do Sebrae/MS e da Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul) mostram a força do segmento no estado, com cada vez mais entregadores.
Atualmente, MS conta com 3.986 MEIs formalizados nessa atividade, segundo consulta do Sebrae-MS realizada em janeiro. O avanço é expressivo: em 2021 eram 435 registros; em 2022, 646; em 2023, 1.082; em 2024, 2.072; e, em 2025, o número praticamente dobrou novamente. Um aumento de 816% em quatro anos.
O levantamento mais recente da Jucems aponta que o estado possui 219.905 MEIs ativos, sendo o setor de Serviços o principal, com 140.455 registros (63,33% do total). No segundo quadrimestre de 2025, foram constituídas 17.056 novas microempresas, e o segmento de Serviços de Malote Não Realizados pelo Correio Nacional liderou as formalizações no setor de atividade econômicas, com 1.673 registros no período.
Os dados ainda mostram que, entre os MEIs com setores de atividade principal + secundária, o serviço está em 2° lugar: os setores de Transporte, Armazenagem e Correios somam 3.993 microempreendimentos.
E-commerce impulsiona e fácil formalização atrai
Embora não seja possível afirmar de forma categórica que o crescimento esteja exclusivamente ligado às vendas on-line, o Sebrae/MS avalia que a expansão do e-commerce, aliada à baixa barreira de entrada da atividade, que exige basicamente a formalização como MEI e um meio de transporte simples, como moto ou bicicleta, contribui diretamente para o avanço do setor.
Para o analista-técnico do Sebrae-MS, Carlos Henrique Oliveira, outro fator relevante é o comportamento sazonal dos consumidores.
“Além disso, especialmente em janeiro, observa-se um movimento sazonal de formalização após as festas de fim de ano, período que eleva a demanda por serviços de entrega. Muitos trabalhadores que atuavam informalmente buscam o MEI para atender operações de vendas on-line, shoppings, empresas e logística em geral. Embora não esteja entre as atividades mais procuradas da categoria, é um segmento que tem se destacado”, disse.
Perfil dos microempreendedores
Os serviços de malote lideram os registros de MEIs em três das cinco maiores cidades de Mato Grosso do Sul: Campo Grande, com 7.915 registros; Dourados, com 1.826; e Três Lagoas, com 825.
No geral, o perfil dos empreendedores mostra predominância masculina. Os homens somam 9.777 registros e têm justamente essa atividade de malote como principal ocupação econômica. As mulheres representam 42,7% dos MEIs no estado (7.290), concentradas principalmente no comércio varejista de vestuário e acessórios.
Mato Grosso do Sul em evidência no setor
Outros dados do Sebrae mostram Mato Grosso do Sul em evidência neste setor de entregas. Em 2024, o estado contabilizou 739 trabalhadores empregados na atividade, figurando entre os estados com maior número de vínculos formais no segmento, ao lado de Santa Catarina e Roraima.
Além do volume de empregos, MS também aparece entre os estados com melhor remuneração média do setor. Em 2025, o salário médio dos trabalhadores foi de R$ 2.176,82, acima da média nacional, que ficou em R$ 2.377,97.
Outro dado que chama atenção é a intensidade de geração de empregos nas micro e pequenas empresas. Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional no índice de empregados por microempreendimento no setor, com média de 12,5 trabalhadores por empresa, à frente de estados como Amazonas e Pernambuco.
Em nível nacional, o setor registrou 13.899 empregados em 2024, com crescimento de 9,16% em relação ao ano anterior, e chegou a 259.312 empresas ativas em dezembro de 2025.
A rotina de quem vive das entregas
O crescimento do setor se reflete diretamente na vida de trabalhadores como o entregador Darsley Magalhães, MEI há cerca de oito meses. Ao Primeira Página, o microempreendedor disse que, após atuar por aproximadamente sete anos como motorista de aplicativo, decidiu mudar de área em busca de melhores condições e flexibilidade.
“Com o tempo, as taxas ficaram muito altas e os pagamentos cada vez menores. Foi aí que resolvi abrir meu MEI e migrar para as entregas”, conta.

Atualmente, Darsley trabalha com entregas para a Shopee e destaca a flexibilidade como um dos principais benefícios. “Sempre gostei de trabalhar com horários mais livres, porque amo viajar. Esse modelo combinou bastante comigo.”
Mesmo assim, ele afirma que a rotina é exigente. Longas esperas para retirada de pacotes, sol intenso, chuva, clientes ausentes e situações de desrespeito fazem parte do dia a dia. “Tem gente que começa e desiste no mesmo dia”, relata.
Darsley também compartilha nas redes sociais, através de sua página no Instagram, as situações inusitadas da profissão, como quando uma encomenda acabou no telhado após ser arremessada por cima do muro a pedido do cliente. “Postei nos stories e a galera adorou. Faço isso pra mostrar que nem tudo são flores.”
Ganhos, custos e responsabilidade
Segundo ele, o rendimento médio diário gira em torno de R$ 220, com pagamento semanal. Trabalhando de segunda a sexta, o valor pode chegar a aproximadamente R$ 1.100 por semana. No entanto, há custos fixos, como a taxa mensal do MEI, em torno de R$ 80, além de despesas com combustível e manutenção.
“Não é CLT, então não tem férias nem décimo terceiro. É preciso ter disciplina e saber guardar dinheiro”, alerta.
Para Darsley, o trabalho compensa por permitir qualidade de vida e experiências pessoais. “Já consegui viajar bastante, ir a festivais e até fazer um cruzeiro internacional. Isso só foi possível por causa da flexibilidade. Tem os prós e os contras. O mais importante é entender que é um trabalho sério, com responsabilidade com o cliente”, finaliza.
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