Falta de profissionais vira principal desafio para empresas do Centro-Oeste

Levantamento com 355 participantes do COMARH 2026 mostra que atração e retenção de talentos lideram as preocupações dos gestores da região.

A dificuldade para encontrar e manter profissionais qualificados se tornou o principal desafio de gestores do Centro-Oeste. Levantamento feito com 355 participantes do Congresso Mato-grossense de Recursos Humanos (COMARH 2026) mostra que 33,52% apontaram a atração e retenção de talentos como a maior preocupação na gestão de pessoas.

O estudo foi realizado pela FESA Group durante o congresso. Na sequência aparecem o desenvolvimento e a sucessão de lideranças, citados por 22,82% dos participantes. Somados, os dois problemas concentram 56,34% das respostas.

Os dados chamam atenção em uma região marcada pela expansão de setores como agronegócio, cooperativismo e infraestrutura. Segundo a avaliação da empresa responsável pelo levantamento, a dificuldade de encontrar profissionais preparados para ocupar funções estratégicas pode interferir nos planos de crescimento das companhias.

Cursos preparam profissionais para operar máquinas pesadas em obras e serviços de infraestrutura. - Foto: Senai-MT
Cursos preparam profissionais para operar máquinas pesadas em obras e serviços de infraestrutura. – Foto: Senai-MT

A cultura organizacional e o engajamento aparecem em terceiro lugar entre as preocupações, com 11,55%. Saúde mental e bem-estar dos trabalhadores representam 10,70% das respostas.

Já a adoção de tecnologia e dados na gestão de pessoas foi apontada por 7,89% dos participantes. Remuneração e benefícios competitivos aparecem com 6,48%, enquanto a estruturação da governança corporativa nas decisões relacionadas aos trabalhadores representa 6,20%.

Políticas de diversidade, equidade e inclusão foram apontadas por 0,85% dos participantes.

Entre as áreas com maior demanda por profissionais está a agropecuária, com 36 mil. (Foto: Reprodução/ Senai)
Entre as áreas com maior demanda por profissionais está a agropecuária. – Foto: Reprodução/ Senai

Salário não é o único fator

Para Emilyn Machado, sócia associada da FESA Group, os resultados indicam uma mudança na disputa por profissionais no Centro-Oeste. Na avaliação dela, oferecer um salário competitivo, isoladamente, já não tem a mesma capacidade de atrair profissionais qualificados.

Segundo Emilyn, a falta de especialistas capazes de acompanhar os planos de expansão das empresas se tornou uma barreira para as companhias da região.

A avaliação é de que empresas familiares e holdings ligadas ao agronegócio também precisam acelerar os planos de sucessão para evitar que a falta de profissionais preparados para assumir cargos de gestão comprometa projetos futuros.

O levantamento aponta ainda que fatores relacionados à carreira e ao ambiente das empresas ganharam espaço na disputa por profissionais. Entre eles estão perspectivas de crescimento, cultura organizacional e condições oferecidas para a permanência dos trabalhadores.

Sucessão também preocupa

O desenvolvimento e a sucessão de lideranças aparecem como o segundo maior desafio apontado pelos participantes, com 22,82% das respostas.

A questão ganha relevância especialmente em empresas familiares, que precisam preparar profissionais para assumir cargos estratégicos e garantir a continuidade da gestão.

O levantamento também mostra que temas relacionados à tecnologia aparecem atrás dos desafios ligados diretamente às pessoas. Enquanto 33,52% citaram atração e retenção de talentos como principal preocupação, 7,89% apontaram a adoção de tecnologia e dados na gestão.

A pesquisa ouviu 355 participantes do COMARH 2026, em Mato Grosso.

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