Falta de trabalho ainda é o maior fator de dívidas entre brasileiros, revela levantamento

O estudo, realizado entre 9 e 24 de setembro de 2025, mostra que 19% dos entrevistados apontaram a falta de emprego como causa das dívidas, número menor que o de 2024 (24%).

Mesmo com a melhora gradual do mercado de trabalho, o desemprego ainda é o principal fator de endividamento entre os brasileiros, de acordo com pesquisa divulgada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box.

O estudo, realizado entre 9 e 24 de setembro de 2025, mostra que 19% dos entrevistados apontaram a falta de emprego como causa das dívidas, número menor que o de 2024 (24%). Em seguida, aparecem gastos emergenciais (18%) e o empréstimo de nome para terceiros (14%).

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Mesmo com queda no desemprego, falta de renda ainda é o principal motor das dívidas. – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Contas básicas continuam pesando no bolso

A pesquisa revela que 1 em cada 10 brasileiros afirma não conseguir pagar as contas essenciais, como água, luz e gás. Entre os endividados, 82% comprometem até R$ 750 por mês com despesas básicas e 88% declararam ter reduzido o consumo. Desse grupo, 37% cortaram até 10% dos gastos e 25% reduziram entre 11% e 20% das despesas mensais.

Na região Centro-Oeste, o cenário é semelhante: 18% dos entrevistados atribuem o endividamento ao desemprego, seguidos por gastos emergenciais (18%) e redução de renda (15%). Mais da metade dos consumidores da região (52%) já esteve endividada em algum momento da vida, e 6% afirmam não conseguir pagar nem as contas básicas.

Segundo Patrícia Camillo, especialista em educação financeira da Serasa, o endividamento reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. Ela avalia que a queda no desemprego é positiva, mas insuficiente para garantir estabilidade. “Após um período de perda de poder de compra, é essencial que o consumidor use a nova renda para reorganizar o orçamento e evitar o acúmulo de dívidas”, destacou.

Cartão de crédito: aliado ou vilão

O levantamento também mostra que o cartão de crédito segue sendo a principal forma de endividamento no país. Metade dos entrevistados (50%) declarou ter dívidas com compras feitas em supermercados, enquanto 41% usaram o cartão para adquirir roupas, calçados e eletrodomésticos. Nos últimos 12 meses, 25% dos inadimplentes concentraram seus gastos na modalidade.

No Centro-Oeste, o comportamento é quase idêntico: 49% das dívidas no cartão vêm de compras em supermercados e 40% de itens de consumo não essenciais. Na região, 26% afirmam ter concentrado as despesas no cartão de crédito ao longo do último ano.

Dívidas antigas e reincidência preocupam

Outro dado que chama atenção é o tempo de atraso das dívidas. Cerca de 46% dos débitos no país já ultrapassam um ano, com destaque para contas ligadas a securitizadoras, empresas de telecomunicações e varejo, que lideram os casos de inadimplência prolongada.

Além disso, 53% dos endividados já passaram por situação semelhante no passado, o que indica reincidência. Atualmente, o Brasil soma 79,1 milhões de pessoas com dívidas em atraso, totalizando 313 milhões de débitos ativos — o maior volume registrado desde 2020. No Centro-Oeste, 45% das dívidas têm mais de um ano e a reincidência subiu dois pontos percentuais em relação ao último levantamento.

Caminhos para o recomeço

Para Camillo, o cenário é desafiador, mas também representa uma oportunidade para reorganização financeira. “Compreender as causas do endividamento e buscar renegociações é essencial para recuperar o equilíbrio das contas”, afirmou.

A Serasa reforça esse movimento por meio do Feirão Limpa Nome, mutirão nacional que permite que 141 milhões de consumidores negociem dívidas com descontos expressivos e condições especiais. O objetivo é facilitar a renegociação de débitos e permitir que mais brasileiros entrem em 2026 com o nome limpo e o orçamento sob controle.

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