Número de fábricas de móveis cresce 40% em MT impulsionado pelo avanço imobiliário e peças ganham o mundo
Impulsionado pelo mercado imobiliário e por investimentos em design e tecnologia, setor moveleiro já levou peças produzidas em Mato Grosso para vitrines internacionais, como o Salão do Móvel de Milão, na Itália.
O número de empresas ligadas à fabricação de móveis em Mato Grosso cresceu cerca de 40% nos últimos cinco anos, impulsionado pelo aquecimento do mercado imobiliário, pela busca por ambientes planejados e por investimentos em tecnologia e design. O avanço já coloca móveis produzidos em Mato Grosso em vitrines internacionais, incluindo o tradicional Salão do Móvel de Milão, na Itália.
Atualmente, Mato Grosso reúne mais de 9 mil empresas ligadas à cadeia da madeira e móveis. Desse total, cerca de 96% são micro e pequenos negócios, responsáveis por movimentar a economia, gerar empregos e agregar valor à matéria-prima produzida no estado.

A empresária Kerli Maria Ronsani acompanha essa transformação desde o início da trajetória profissional. Apaixonada pela marcenaria desde a época da faculdade de Arquitetura, ela transformou um pequeno escritório em uma empresa de móveis planejados que hoje atende projetos em diversas regiões do estado.
Segundo ela, o crescimento do setor está diretamente ligado à expansão imobiliária. “O mercado imobiliário está aquecido, com muitos condomínios e prédios residenciais. Hoje as pessoas buscam tudo planejado para aproveitar melhor os espaços”, afirma.
Para acompanhar o aumento da demanda, a empresa investiu em tecnologia e automação dos processos. Atualmente, o negócio conta com cerca de 50 funcionários diretos e mais de 80 trabalhadores indiretos.
O fortalecimento do setor também é observado pelo Sebrae Mato Grosso. De acordo com o gerente da instituição, Júlio Prior, existe uma demanda crescente por produtos de origem florestal com maior valor agregado.
“Há uma forte demanda do mercado para otimização de produtos de base florestal. Mato Grosso possui um mercado muito forte e tem registrado crescimento constante de empresas do segmento”, explica.
Além da produção em larga escala, o estado também tem ganhado destaque pelo design autoral. Um dos exemplos é o empresário Marcelo Lima Thomaz de Aquino, de Cuiabá, que desenvolveu um sofá produzido com madeira amazônica manejada de forma sustentável e conseguiu levar a peça para uma das maiores vitrines do design mundial.
Batizado de Maradu, o móvel foi exposto no Salão do Móvel de Milão e permaneceu na Itália após a exposição.
“A ideia era criar um móvel que aproximasse as pessoas. Pensei em um formato semelhante a um bumerangue para duas pessoas sentarem. Daí surgiu o nome Mara duo, que une Cedro Mara e a palavra ‘duo’, que significa dois em italiano”, conta.

Para produzir peças de alto padrão, a empresa investe em mão de obra especializada. Parte dos colaboradores veio da Bolívia, país com tradição no trabalho com madeira maciça.
Segundo Marcelo, a proposta vai além da fabricação de móveis. O objetivo é demonstrar que a floresta pode gerar riqueza sem comprometer sua conservação.
“Queremos provar que é possível produzir riqueza a partir da floresta de forma sustentável. Trabalhamos com manejo florestal e só retornamos à mesma área décadas depois, permitindo a regeneração da floresta”, afirma.
Para ampliar a competitividade das empresas do setor, o Sebrae Mato Grosso, o Sindimóvel, a Federação das Indústrias e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) desenvolveram um programa voltado à capacitação dos empresários.
A iniciativa oferece acesso a novas tecnologias, metodologias de gestão, feiras internacionais e oportunidades de negócios, com o objetivo de fortalecer a presença dos móveis mato-grossenses nos mercados nacional e internacional.
Para a diretora executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri, Mato Grosso reúne características estratégicas para se consolidar como referência no segmento.
“Mato Grosso possui matéria-prima diferenciada e produtos que precisam ser potencializados. Nosso trabalho é facilitar esse processo, conectar empresas a compradores e abrir portas para novos mercados”, destaca. Veja abaixo a reportagem completa:
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