Faça as contas

O custo invisível de ignorar suas contas

O que os seus olhos se recusam a ver, o seu bolso e o seu bem-estar sentem todos os dias.

Existe um ditado popular que diz que o que os olhos não veem, o coração não sente. Mas no mundo das finanças pessoais, essa lógica funciona ao contrário: o que os seus olhos se recusam a ver, o seu bolso e o seu bem-estar sentem todos os dias.

É muito comum adiarmos aquela conversa séria com a nossa própria conta bancária. Deixamos para abrir o aplicativo “depois”, evitamos somar o total da fatura do cartão de crédito e preferimos não calcular o impacto daqueles pequenos parcelamentos acumulados. O pretexto é quase sempre o mesmo: “Não quero me estressar agora”.

Maioria dos brasileiros considera renda insuficiente para pagar contas. - Foto: Ilustrativa/Canva
A gestão do dinheiro num tabu gera uma ansiedade silenciosa e contínua. – Foto: Canva

O problema é que o estresse não desaparece só porque você fechou os olhos. Ele apenas muda de forma. Transformar a gestão do seu dinheiro num tabu gera uma ansiedade silenciosa e contínua.

A anestesia financeira e a ilusão do controle

Ignorar a realidade financeira é uma forma de autodefesa que custa caro. Quando não sabemos exatamente quanto entra, quanto sai e para onde o nosso dinheiro está indo, vivemos em um estado permanente de alerta mental.

A dor de se sentar à mesa, abrir as planilhas, somar cada dívida e encarar o tamanho do desafio é real. Ela causa um incômodo imediato, um aperto no peito e até um sentimento de frustração. Mas essa dor dura apenas um dia. É a dor do diagnóstico, necessária para começar a cura.

Por outro lado, a “dor de fugir” é gota a gota. É a pontada de preocupação a cada compra no supermercado, o medo de o saldo não ser suficiente na data do débito automático e a frustração de trabalhar duro e ver o dinheiro evaporar sem deixar rastros.

Homem somando contas a pagar. - Foto: Canva
Homem somando contas a pagar. – Foto: Canva

O seu passo prático para esta semana

Que tal trocar a angústia da dúvida pela certeza do caminho?

1. Marque uma “reunião” com você mesmo: reserve uma hora da sua semana, sem distrações.

2. Coloque tudo no papel: mapeie todas as receitas, despesas fixas, variáveis e eventuais dívidas.

3. Respire fundo e encare: o valor final é apenas um número. A partir do momento em que ele está visível, você deixa de ser vítima do seu orçamento e passa a ser o piloto da sua história.

O que percebo é que o medo de encarar os números costuma ser muito maior do que a realidade dos números em si. A ignorância sobre a nossa própria vida financeira acaba não nos protegendo, infelizmente ela acaba adiando o inevitável e retira de você a capacidade de reação. A clareza pode ser desconfortável no primeiro momento, mas ela é a única ferramenta capaz de devolver o controle da sua vida para as suas mãos. O diagnóstico limpo, por mais duro que seja, é o primeiro passo para a liberdade.

Leia mais

  1. Fazer, manter e multiplicar: qual é o seu momento?

  2. Por que falar de dinheiro ainda cansa tanto?

  3. A ilusão do desconto: você está economizando ou apenas gastando menos do que não deveria?

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Faça as contas, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.