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O Novo Desenrola Brasil resolve a dívida… ou apenas adia o problema?

Nova edição do programa foi lançado pelo governo federal no dia 4 de abril, com descontos elevados, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e até a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar débitos.

Na semana passada, falei aqui sobre o recorde de endividamento das famílias brasileiras. Coincidentemente, ou não, o governo gederal anunciou agora o novo DESENROLA BRASIL, o programa que promete descontos de até 90% nas dívidas, juros menores e parcelamentos mais longos para milhões de inadimplentes.

A proposta parece positiva. E, para muita gente, realmente pode representar um respiro financeiro importante.

Mas existe um ponto que merece reflexão: essa não é a primeira edição do programa.

Governo federal lançou oficialmente nesta segunda-feira (4) o Desenrola Brasil 2.0. - Foto: Divulgação
Governo federal lançou oficialmente o Desenrola Brasil 2.0. – Foto: Divulgação

O primeiro Desenrola Brasil, realizado entre 2023 e 2024, renegociou bilhões em dívidas e alcançou milhões de brasileiros. Ainda assim, poucos anos depois, o país volta a bater recordes de inadimplência.

Isso levanta uma pergunta inevitável: estamos resolvendo o problema… ou apenas empurrando-o para frente?

O novo programa oferece condições bastante atrativas: descontos elevados, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e até a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar débitos.

Mas nenhuma renegociação funciona de verdade quando o comportamento financeiro permanece igual.

Porque o problema do brasileiro hoje não é apenas a dívida. É a dependência dela.

O cartão de crédito deixou de ser ferramenta e virou extensão da renda. O cheque especial passou a complementar o orçamento. Parcelar tudo se tornou normal.

E talvez esse seja o maior alerta: estamos normalizando viver endividados.

Claro que seria injusto ignorar que muitas famílias chegaram ao limite, pressionadas por juros altos, perda de renda e aumento do custo de vida. Mas também é verdade que programas recorrentes de renegociação podem criar uma sensação perigosa de que sempre haverá uma nova oportunidade futura para “resolver depois”.

O Novo Desenrola pode ajudar milhões de pessoas a limpar o nome. Mas limpar o nome não significa resolver a vida financeira.

A verdadeira mudança acontece quando a renegociação vem acompanhada de organização, consciência e mudança de hábitos.

Porque, no fim, o mais importante não é quantas vezes alguém consegue renegociar uma dívida, e sim quantas vezes precisará renegociar novamente para perceber que o

problema nunca esteve apenas no banco, no cartão ou nos juros, mas na forma como está construindo sua relação com o dinheiro.

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