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O país dos malabaristas: até quando o seu fôlego aguenta?

Segundo uma Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC, 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas; entenda como sair da estatística e retomar o controle.

Essa semana foi divulgada uma Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC, que é de assustar: 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. Se você olhar para o lado agora, oito em cada dez pessoas estão com o sono comprometido por um boleto. Esse recorde não é apenas um número no jornal, ele mudou a alma do nosso varejo. O consumidor não está apenas “sumido” das lojas; ele está mais cauteloso, sensível a cada centavo e, acima de tudo, cansado.

A verdade é que vivemos na economia do malabarismo. O brasileiro médio virou um especialista em escolher qual conta pagar primeiro e qual “pendurar” para o mês seguinte.

Brasileiros são malabaristas quando o assunto é escolher qual conta pagar primeiro e qual pendurar para o mês seguinte. - Foto: gerada por IA
Brasileiros são malabaristas quando o assunto é escolher qual conta pagar primeiro e qual pendurar para o mês seguinte. – Foto: gerada por IA

E quer saber o pior? Esse salto não aconteceu por um desejo de consumo de artigos de luxo. O endividamento subiu porque o brasileiro passou a usar o cartão de crédito para fechar a conta do mês. Com a inflação dos alimentos e dos serviços pesando, o crédito deixou de ser um aliado da compra planejada e virou um “puxadinho” do salário. Somado aos juros elevados, que dificultam a quitação de dívidas antigas, criamos uma bola de neve que agora está pressionando tudo isso.

Se você tem uma loja ou presta serviços, você sabe que o movimento mudou. O cliente que antes entrava e levava três itens por impulso, hoje entra com a calculadora aberta no celular. Ele pesquisa, pede desconto e, muitas vezes, desiste da compra no último segundo porque o limite do cartão “estourou”. O varejo está enfrentando um consumidor que não está apenas cauteloso, ele está escolhendo qual prioridade vai sacrificar. O desafio para o empresário hoje não é apenas vender, é convencer um cliente ultrassensível ao preço de que aquele gasto cabe na sua vida.

Dentro de casa, esse endividamento aparece nas pequenas angústias. É a dona de casa que precisa parcelar a compra do mês no supermercado, pagando juros sobre a comida que já consumiu. É o pai de família que usa o cheque especial para pagar a conta de luz, acreditando que “mês que vem resolve”. O problema é que o “mês que vem” chega carregado com os juros mais altos do mundo. O dinheiro não aceita desaforo, e o maior deles é tratar o limite do banco como se fosse renda própria.

O que mais me preocupa como alguém que acompanha o mercado há quase 30 anos é ver o endividamento ser tratado como algo “normal”. Estar devendo virou o padrão, e isso é uma armadilha silenciosa. O varejo se adapta, baixa o preço, cria promoções, mas a ferida na saúde financeira das famílias continua lá. Sabe o que é mais caro que o produto que você quer comprar? É a liberdade que você entrega quando perde o controle do seu nome.

Como sair da estatística e retomar o controle?

1. Mapeie os Juros, não só a Dívida: Pegue sua fatura hoje. Veja quanto do seu dinheiro está indo para o ralo dos juros rotativos. Às vezes, o que te afoga não é o que você comprou, mas o custo de “empurrar com a barriga”.

2. Negocie no Varejo: Como o comércio está sentindo a queda nas vendas, o poder de barganha mudou de lado. Se você tem o dinheiro ou pode pagar à vista, o desconto é sua obrigação. Não tenha vergonha de negociar, o varejista precisa do seu giro.

3. Corte o “crédito de sobrevivência”: Se você precisa de cartão para comprar o básico, seu orçamento está quebrado. É hora de reduzir o padrão de vida para estancar a sangria. O consumo de aparência é o caminho mais curto para a falência familiar.

Assumir esses passos exige coragem e, muitas vezes, uma dose extra de humildade para encarar a realidade de frente. Mas lembre-se: ajustar a rota hoje é o que vai permitir que você navegue em águas muito mais tranquilas amanhã.

No final do dia, o que todos buscamos não é apenas um saldo positivo, mas a tranquilidade de saber que o nosso esforço está construindo algo sólido para quem amamos. Esse endividamento recorde dói porque rouba o nosso sono e a nossa liberdade de escolha, mas você é muito mais do que uma estatística, você é o gestor do seu próprio destino. Não tenha medo de recomeçar ou de dizer “não” ao que é supérfluo agora para garantir o “sim” da sua paz futura. O dinheiro não aceita desaforo, mas ele se torna um aliado poderoso quando decidimos, com clareza, retomar as rédeas da nossa história. Proteja o seu suor, cuide do seu lar e recupere o prazer de planejar a vida com liberdade, segurança e prosperidade.

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