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De 72 mil para 256 mil MEIS em dez anos

Receita de coragem

Empreendedores encontram em MT solo fértil para abrir o próprio negócio

Por Pollyana Araújo

Empreendedores encontram em MT solo fértil para abrir o próprio negócio

Adriana e Júlio começaram com uma máquina de frango na calçada. Alexia transformou a cozinha de casa em sustento após a maternidade. Simone criou uma fábrica de pão de queijo a partir de uma receita de família. Tânia começou vendendo sapatilhas na bolsa e hoje mantém uma marca própria. Histórias como essas mostram como Mato Grosso se tornou um terreno fértil para novos negócios.

Fonte: Sebrae/MT

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de microempreendedores individuais mais que triplicou em dez anos, saltando de 72,6 mil em 2015 para mais de 256 mil em 2025, um avanço de aproximadamente 252%. No mesmo período, o total de empresas ativas no estado passou de 236 mil para 554 mil, o que representa um crescimento de cerca de 135%.

Fonte: Sebrae/MT

A formalização também mudou de patamar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 29,6% dos trabalhadores por conta própria têm CNPJ, maior índice registrado. Segundo o Sebrae, atividades de comércio e serviços concentram hoje 74% dos pequenos negócios mato-grossenses. Quase metade das empresas ativas do estado é formada por MEIs, que se consolidaram como porta de entrada para quem busca autonomia financeira e novas formas de sustento.

Do calor da calçada ao ponto fixo

O início da trajetória de Adriana Café e Júlio Nunes como empreendedores nasceu no improviso, no calor de uma esquina e com apenas uma máquina de frango assado no bairro Tijucal, em Cuiabá. Na época, Júlio havia sido desligado do emprego com carteira assinada e viu no preparo de carnes, uma habilidade que já exercia informalmente, a chance de empreender.

A estrutura era mínima, o trabalho começava de madrugada e só terminava no fim da tarde. “A gente montava tudo ali mesmo, no sol quente. Tenda, gás, banco, balcão. Chegava três horas da manhã e ficava até 15 horas limpando o chão. Foram sete anos assim”, lembra Adriana.

O calor, o vapor das máquinas e o espaço apertado afastavam clientes e também funcionários. “Ninguém queria trabalhar com a gente por causa do sol. Às vezes a pessoa chegava para comprar, mas não tinha onde parar. O espaço era pequeno. Acabava indo embora”, conta.

Com o aumento da demanda, o casal percebeu que precisava dar um passo adiante. O sonho de um ponto fixo virou meta.

Quando finalmente conseguiram um espaço próprio, a virada foi imediata. O faturamento dobrou, o estoque cresceu e a empresa se estruturou. Hoje, o Assados do Julhão vende cerca de 700 quilos de carne por fim de semana, com cardápio ampliado e equipe de apoio.

A ampliação também trouxe novos desafios. “A luz dobrou. A gente precisava de mais freezers, mais geladeiras, mais estoque. Tudo aumentou junto”, diz Júlio. A solução veio por meio de crédito com juros baixos, que permitiu ao casal financiar uma usina solar e reduzir custos fixos.

“Foi sensacional. Conseguimos montar nossa usina e isso mudou tudo, trouxe estabilidade e economia”, afirma Adriana.

Entre 2020 e 2025 Cuiabá abriu mais de 30 mil novos CNPJs e Várzea Grande registrou alta expressiva em MEIs, superando 14 mil novos formalizados. Os setores de comércio, alimentação e serviços lideram a abertura de empresas nas duas cidades.

Adriana Café e Júlio Nunes

Da maternidade ao negócio próprio

A história de Alexia Silva reúne coragem, reorganização e persistência. Formada em Administração, ela decidiu, após a gravidez do segundo filho, que não voltaria ao trabalho onde ganhava um salário mínimo. Em 2020, durante a pandemia, transformou a cozinha de casa na primeira base da Totus Tuus Confeitaria.

O início foi feito com o que tinha à mão. “Comecei com quatro leite condensados, quatro cremes de leite, uma batedeira e o forno de casa mesmo”, lembra.

O crescimento foi rápido, mas também exigiu ajustes. Entre maternidade, demandas do dia a dia e pedidos cada vez maiores, Alexia percebeu que precisava se organizar para não se perder. Ainda assim, a clientela aumentava pela qualidade dos produtos.

Ela começou vendendo brownies, pães de mel, geladinhos gourmet, tortas, bolos caseiros e doces diversos. Hoje, vende nas feiras de Cuiabá, faz bolos de aniversário sob encomenda e mantém uma agenda de pronta-entrega que sustenta a renda da família.

Para a ampliação da estrutura, ela também contou com financiamento a juros baixos, usado para comprar equipamentos como freezers, utensílios e insumos em maior volume. “Quando consegui investir, as vendas começaram a dobrar”, afirma.

Para Alexia, o negócio representa autonomia, presença nos filhos e um caminho possível para outras mães. “Espero que minha história encoraje mulheres que querem empreender. O medo existe, mas a vontade de crescer precisa falar mais alto”.

Da cozinha de casa à expansão nacional

Simone Carvalho Borges começou a produzir pães de queijo em 2023, na cozinha da casa dela, em Cuiabá. A receita, herdada da mãe e da avó, começou como um gesto caseiro, voltado a vizinhos e amigos. A demanda cresceu rápido e a produção logo deixou de caber na estrutura doméstica.

Com o aumento dos pedidos, Simone migrou para uma cozinha maior, onde pôde organizar processos, testar sabores e estruturar melhor a operação. O crescimento contínuo transformou o pequeno negócio em uma fábrica que hoje distribui para supermercados e estabelecimentos de Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Primavera do Leste, Rondonópolis e Tangará da Serra.

“Aprender a empreender exige coragem e ousadia. Não é fácil, mas é preciso ter fé de que tudo passa”, afirma.

O negócio, que começou apenas com ela, hoje sustenta uma equipe de cerca de 15 colaboradores. “São pessoas que acreditaram, que vestem a camisa. Empreender é confiar, persistir e ser consistente todos os dias”, destaca.

Em 3 de outubro de 2025, Simone inaugurou uma filial em Santa Catarina, passo que marca a chegada de seus produtos ao mercado nacional. “Nossa meta é que os pães de queijo cheguem a todos os cantos do Brasil”, diz.

A trajetória mostra como negócios nascidos em cozinhas domésticas podem ganhar escala, gerar empregos e cruzar fronteiras.

Das ruas à marca própria de sapatilhas

O negócio de Tânia Fernandes, de Tangará da Serra, também começou de forma simples. Após uma cirurgia vascular, ela não podia mais usar salto e buscou sapatilhas confortáveis e bonitas na cidade, mas encontrou opções limitadas. Comprou modelos pela internet e passou a usá-los no dia a dia.

As pessoas elogiavam e perguntavam de onde eram. Tânia, ainda sem revelar o site, sempre oferecia: “se você quiser uma igual, eu consigo”. Foi assim que descobriu uma demanda.

Ela começou com dois ou três pares de sapatilhas dentro de uma bolsa. Depois vieram bolsas maiores, malas e a bicicleta que Tânia usava para entregar os modelos pela cidade. A clientela aumentou, a produção cresceu e, com o tempo e o acesso a crédito, o improviso ganhou forma até se transformar em marca própria.

“Escolhemos tudo. Solado, palmilha, materiais, tecidos, napa, courino, verniz. Cada detalhe passa pela nossa mão”, explica.

Com a demanda em alta, Tânia percebeu que precisava profissionalizar a operação para manter a qualidade e acompanhar o ritmo das encomendas. A confecção própria ganhou estrutura à medida que ela passou a comprar insumos em maior volume, organizar processos e ampliar o estoque. O crédito ajudou a dar esse passo, permitindo expandir a capacidade produtiva sem perder o caráter artesanal que virou assinatura da marca.

Hoje, Tânia mantém uma produção artesanal que abastece praticamente todos os estados brasileiros e também clientes internacionais, como nos Estados Unidos. A venda online se tornou central na expansão da marca e ilustra o papel da digitalização no crescimento dos pequenos negócios.

Negócio que mudou o destino de uma família inteira

Poucos lugares oferecem tantas possibilidades de ascensão quanto Mato Grosso, estado que mais cresceu no Brasil nos últimos 20 anos, com média anual de 5,2% no Produto Interno Bruto, segundo o IBGE. Nesse cenário em que empresas se multiplicam, vagas de trabalho aumentam e pequenos negócios ganham fôlego, a trajetória de Neuza Anaia mostra como o empreendedorismo pode transformar não apenas uma vida, mas o futuro de uma família inteira.

Neuza Anaia transformou uma banca simples em um negócio que mudou sua família
Neuza Anaia transformou uma banca simples em um negócio que mudou sua família - Foto: Arquivo pessoal

Paulistana de Auriflama, Neuza chegou a Mato Grosso em busca de oportunidades e começou vendendo frutas no Mercado do Porto. Trabalhava sob lona, enfrentava chuva, poeira e longas madrugadas, mas foi ali que percebeu que havia espaço para crescer. “Foi muita luta, uma luta muito grande, trabalhando no mercado do Porto. Debaixo de chuva, debaixo de lona, em caminhão. Não tinha banheiro”, conta.

Algum tempo depois, vieram as irmãs, que aprenderam o ofício ao lado dela e depois abriram suas próprias distribuidoras de frutas e verduras. Em seguida, veio o irmão, que também montou o próprio negócio no mesmo ramo. Os filhos dessas irmãs seguiram pelo mesmo caminho e hoje trabalham nas empresas da família, ampliando a rede construída a partir do esforço inicial de Neuza.

Do Mercado do Porto ao Distrito Industrial, a força de Neuza abriu caminho para três gerações
Do Mercado do Porto ao Distrito Industrial, a força de Neuza abriu caminho para três gerações - Foto: Arquivo pessoal

A distribuidora fundada por ela reúne hoje 52 funcionários e opera no Distrito Industrial de Cuiabá. Ao lado dela estão a filha, Cristiane Anaia, o genro e os dois netos, todos com funções definidas na empresa, que se tornou o ponto de encontro e trabalho das três gerações.

Cristiane diz que a força da mãe foi o que abriu todas as portas.

“Minha mãe nunca esperou acontecer. Ela sempre agiu. Trabalhou duro, veio sozinha e depois trouxe a família. Cada um aprendeu com ela e conseguiu montar o próprio negócio. Mato Grosso deu certo para todos nós”, afirma.

Ela explica que a origem humilde da mãe é parte essencial da história. “Ela veio de uma cidadezinha pequena e sempre foi muito comunicativa, sempre gostou de vender. Aqui ela encontrou espaço para crescer e criar raízes. Tudo o que temos hoje começou com a coragem dela”, declara.

O contraste entre o início, com apenas Neuza, o sobrinho do marido e um funcionário, e a estrutura atual, com dezenas de colaboradores e várias empresas familiares consolidadas, mostra a dimensão do que Mato Grosso proporciona.

Hoje mais de 50 trabalhadores fazem parte da empresa
Hoje mais de 50 trabalhadores fazem parte da empresa - Foto: Arquivo pessoal
Fonte: Sebrae

A presença digital como motor de expansão

A Maturidade Digital dos Pequenos Negócios em Mato Grosso, pesquisa do Sebrae realizada em 2024 com 887 empresários, mostra que:

  • 46% cuidam sozinhos do marketing digital
  • 41,5% recebem grande parte dos pedidos por redes sociais, WhatsApp ou e-mail
  • Quase metade nunca fez anúncios pagos
  • 50,6% usam WhatsApp Business de forma ativa
  • 74,2% usam a internet para pesquisar preços e fornecedores

Esses dados refletem o movimento de pequenas empresas que ainda enfrentam desafios de digitalização, mas já encontram nas plataformas digitais uma fonte de crescimento contínuo.

Empreender depois dos 45

Mato Grosso reúne mais de 129 mil empreendedores com mais de 45 anos. Desse total, 92,6% têm CNPJ; 67,8% são mulheres; 57% abriram o próprio negócio por necessidade e 32% ainda enfrentam dificuldade de acesso ao crédito.

RAIO-X DOS EMPREENDEDORES 45+

Perfil dos donos de negócio em Mato Grosso

Mais de 129 mil empreendedores com 45 anos ou mais

Esse grupo reúne profissionais experientes que, diante da instabilidade do mercado formal ou da aposentadoria, encontraram no empreendedorismo uma alternativa de renda, autonomia e realização pessoal.

Claudia sorrindo mostrando o buffet
Depois dos 50, Cláudia fez do empreendedorismo o novo capítulo da sua vida - Foto: Arquivo pessoal

É o caso de Cláudia Vasconcelos, que decidiu abrir um restaurante em Cuiabá após se aposentar, depois dos 50 anos. Ela transformou a experiência acumulada em décadas de trabalho no setor bancário na base do próprio negócio.

“A maior dificuldade é montar uma boa equipe e manter um controle financeiro rigoroso. A disciplina que aprendi no banco fez toda a diferença para o restaurante dar certo”, afirma.

O restaurante oferece alimentação saudável, com preços acessíveis, e nasceu da percepção de uma lacuna no mercado. “Há 19 anos eu percebi que faltava um lugar para quem trabalha almoçar bem, sem comida pesada. Hoje o conceito de ‘comfort food’ está em alta, mas naquela época ainda era uma novidade. O tempo mostrou que estávamos certos”, diz.

Agora, ela organiza a abertura de um novo restaurante em Chapada dos Guimarães.

Empreender com que dinheiro?

O acesso ao crédito continua sendo um dos pontos centrais para quem decide abrir o próprio negócio em Mato Grosso. Para a presidente da Desenvolve MT, Mayran Beckman Benicio, a principal dificuldade dos empreendedores ainda está em encontrar financiamentos que realmente se ajustem ao tamanho e às necessidades de cada operação.

“Hoje, grande parte dos empreendedores enfrenta dificuldade para obter crédito em condições alinhadas à realidade de seus negócios. Na Desenvolve MT, temos trabalhado justamente para reduzir essas barreiras”, afirma.

Os dados da agência mostram como essa demanda vem ganhando força. De janeiro a outubro de 2025, foram liberados R$ 65 milhões em financiamentos, distribuídos em 662 contratos, com valor médio de R$ 21 mil por operação. Quase 45,1% desse montante foi direcionado a empreendedores que abriram negócio por necessidade, e o volume total de crédito concedido representa crescimento de 124,9% de 2023 a 2025.

A ampliação das linhas de financiamento se reflete diretamente no interior do estado. Embora Cuiabá e Várzea Grande permaneçam como polos do empreendedorismo urbano, os saltos proporcionais mais altos ocorreram em municípios menores. Entre 2015 e 2025, cidades como Santo Afonso, Cocalinho, Nova Maringá, Nova Ubiratã, Tesouro e Sorriso registraram alguns dos maiores avanços no número de MEIs. Em Santo Afonso, o crescimento chegou a 584,8%. Em diversas localidades, o total de empresas ativas mais que dobrou.

Menos burocracia, mais empresas

A desburocratização tem sido um dos fatores decisivos para o avanço do empreendedorismo em Mato Grosso. Nos últimos anos, o estado reduziu significativamente o tempo de abertura de empresas, facilitando a formalização e diminuindo custos para quem decide iniciar um negócio. Com menos barreiras, milhares de empreendedores conseguiram sair da informalidade e colocar suas atividades em operação com mais agilidade.

Segundo Fernando Holanda, gerente de Relacionamento do Sebrae/MT, essa simplificação tem impacto direto na sobrevivência e no crescimento das empresas. “Quando o processo é mais rápido e menos oneroso, o empreendedor consegue começar certo, regularizado e preparado para buscar crédito, capacitação e novas oportunidades”, afirma.

Holanda explica que, além da desburocratização, o crescimento dos pequenos negócios se apoia em três pilares essenciais: capacitação, gestão e relacionamento com o cliente. Esses elementos, segundo ele, formam a base para que os empreendedores estejam mais preparados para enfrentar a concorrência e se manter no mercado.

“As empresas crescem quando o empreendedor sabe gerir, planejar e responder rapidamente às mudanças. Mas nada substitui o atendimento. O diferencial está no relacionamento direto com o cliente, no olho no olho. Conhecer quem compra é fundamental para permanecer no mercado”, destaca.

Efeito Dominó

O efeito dominó que impulsiona empregos e novos CNPJs

Para o economista Emanuel Daubian, a expansão do empreendedorismo em Mato Grosso é resultado de dois movimentos que caminham juntos. O primeiro é a ampliação do acesso ao crédito, impulsionada por programas como Procredi 360, Pronamp e Desenrola Pequenos Negócios, que facilitaram o início das atividades de MEIs, microempresas e pequenos negócios. O segundo é o aumento da demanda interna, estimulado pelo ritmo forte das obras públicas em andamento no estado.

Daubian explica que grandes investimentos em infraestrutura, habitação e saúde têm ampliado a oferta de empregos e aumentado a renda disponível das famílias.

Duplicação da BR-163 mobiliza milhares de trabalhadores -Foto: Christiano Antonucci - Secom MT
Duplicação da BR-163 mobiliza milhares de trabalhadores -Foto: Christiano Antonucci - Secom MT

Em Mato Grosso, esse impacto aparece com clareza em frentes de trabalho que, ao longo dos últimos anos, reúnem milhares de trabalhadores. A construção da Ferrovia Estadual Senador Vicente Vuolo, por exemplo, já chegou a mobilizar quase 5 mil operários nos canteiros. A duplicação da BR-163/364 também registrou, em diferentes fases, a utilização de forças de trabalho que variam entre dois e cinco mil trabalhadores, conforme a evolução das etapas da obra.

Construção do Hospital Central demandou mão de obra - Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT
Construção do Hospital Central demandou mão de obra - Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

O setor é ainda impulsionado por projetos urbanos de pavimentação e drenagem e pela construção do Novo Hospital Central, que, em seu pico, contou com mais de mil profissionais no canteiro.

“Cada novo emprego cria capacidade de consumo e esse consumo se espalha pelo comércio, pelos serviços e pela cadeia urbana”, afirma o economista. Ele explica que esse ciclo ajuda a entender por que Mato Grosso registra simultaneamente aumento nas contratações formais e na abertura de novos CNPJs. “Obras geram emprego, emprego amplia renda e renda cria espaço para novos negócios”, resume.

Daubian destaca ainda que a digitalização e a qualificação profissional estão elevando o desempenho dos pequenos empreendedores. Para ele, a combinação entre crédito acessível, demanda crescente e gestão mais eficiente explica por que tantos mato-grossenses têm buscado no próprio negócio uma renda mais estável do que a oferecida pelo mercado formal.

Ambiente econômico favorável

Mato Grosso também apresentou avanço constante no mercado de trabalho ao longo de 2025, reforçando o ambiente econômico favorável para novos empreendimentos. Dados do Novo Caged mostram que o estado gerou 56.358 empregos formais entre janeiro e outubro, um crescimento de 5,97% em relação ao mesmo período de 2024.

No total, foram 591.323 admissões, e o estoque de vínculos com carteira assinada chegou a 1.000.359, resultado que confirma a expansão do emprego e a abertura de novas oportunidades em diferentes setores.

Economia de MT desafia a média nacional

Crescimento econômico, safra recorde e geração de empregos puxam o ritmo acima do Brasil

Empregos formais criados Mercado aquecido

56.358

+5,97% ante 2024

Estoque total: 1.000.359 vínculos (Novo Caged)

PIB de Mato Grosso em 2025

Projeção do Banco do Brasil indica alta superior ao triplo da média nacional.

Ritmo dos principais setores

Safra recorde puxa a economia

Produção estimada em 50,3 milhões t de soja e 54,3 milhões t de milho 2ª safra.

Média nacional em 2025

2,0% PIB do Brasil

1,7% Indústria

2,3% Serviços

3,1% Emprego formal

Esse dinamismo acompanha o ritmo da própria economia estadual, que segue entre as mais fortes do país. Em 2025, Mato Grosso deve liderar o crescimento econômico nacional, com previsão de alta de 6,6% no PIB, segundo o boletim de Assessoramento Econômico do Banco do Brasil.

A projeção é mais que o triplo da média brasileira e cria um ambiente especialmente favorável para quem decide empreender, impactando tanto os grandes centros urbanos quanto municípios de médio e pequeno porte.

O avanço é sustentado por uma safra que tende a ser recorde. A produção de soja está estimada em 50,3 milhões de toneladas, um aumento de 28,2% em relação ao ano passado. O milho segunda safra deve alcançar 54,3 milhões de toneladas, crescimento de 14,3%. No algodão, Mato Grosso segue líder, com mais de 70 por cento da produção nacional. Esse desempenho movimenta transporte, armazenagem, consultorias, tecnologia, construção civil e uma extensa rede de pequenos negócios urbanos.

A indústria também registra expansão. A previsão é de crescimento de 6,7 por cento em 2025, um resultado muito superior à média nacional de 1,7 por cento, puxado pela agroindústria, pelos biocombustíveis e pela transformação de grãos. No setor de serviços, que inclui comércio, alimentação, logística, transporte e tecnologia, o avanço esperado é de 3,8%, reforçando um ciclo positivo para a abertura de MEIs, microempresas e negócios familiares.

Design e Desenvolvimento: Lucas Levino