Tarifa de Trump gera incerteza no setor da carne em MS

Com a suspensão dos embarques, a tendência é que haja mais carne disponível no mercado interno, o que pode levar à queda temporária dos preços ao consumidor

A decisão do presidente dos Estados Unidos Donald Trump de impor a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, acendeu um alerta vermelho no setor produtivo de Mato Grosso do Sul.

A medida, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto, já provoca efeitos diretos na economia de MS, já que pelo menos quatro frigoríficos suspenderam temporariamente suas exportações para os Estados Unidos.

Imagem mostra carne bovina pendurada em frigorico.
Carne Bovina no frigorífico (Foto: Arquivo Primeira Página)

Em entrevista ao Bom dia MS, da TV Morena, o consultor de comércio exterior Aldo Barrigosse classificou a taxação como “preocupante” e afirmou que a medida pode inviabilizar as exportações de carne bovina sul-mato-grossense para o mercado americano, considerado um dos mais exigentes e lucrativos do mundo.

“A abertura para o mercado dos Estados Unidos foi uma conquista dos últimos três anos. Essa carne era destinada principalmente à indústria alimentícia, como os hambúrgueres. Com a taxação, ela perde competitividade e a exportação deixa de ser viável”, explicou o consultor.

A carne pode ficar mais barata?

Com a suspensão dos embarques, a tendência é que haja mais carne disponível no mercado interno, o que pode levar à queda temporária dos preços ao consumidor.

Segundo Barrigosse, o preço da arroba do boi já mostra sinais de retração nas negociações locais, o que indica possíveis reduções nas próximas semanas para o consumidor nos açougues e supermercados.

No entanto, Aldo alerta que essa baixa nos preços não deve durar muito. “A tendência é que Brasil e Estados Unidos iniciem conversas diplomáticas. Se houver acordo, as exportações podem ser retomadas, o que restabelece a demanda externa e pressiona novamente os preços para cima”, afirmou.

Risco de demissões

Com a interrupção das exportações, há também o temor de demissões no setor frigorífico.

“Se não conseguirmos redirecionar rapidamente essa carne para outros mercados, o risco de corte de pessoal existe, sim”, disse Barrigosse.

Ele destaca que as indústrias estão sendo “cirúrgicas” ao suspender apenas a produção destinada aos EUA e buscam alternativas para minimizar os impactos.

O efeito da taxação

A taxação, segundo o especialista, não tem embasamento técnico e pode ser entendida mais como uma estratégia política de Donald Trump, em busca de holofotes e de fortalecer o discurso que marcou seu primeiro mandato. A medida pode inclusive aumentar a inflação nos próprios Estados Unidos, ao encarecer o produto para o consumidor americano.

Barrigosse destaca ainda que a medida não deve comprometer a relação comercial do Brasil com outros países, uma vez que se trata de uma questão bilateral.

“O setor produtivo está unido, em diálogo com o governo federal e com instituições públicas, tentando uma solução diplomática”, finalizou.

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