Tarifa dos EUA pode forçar Brasil a mudar destino do café, alerta USP
De acordo com o Cepea, os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro.
A partir do dia 6 de agosto, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos serão impactadas por uma tarifa de 50%, conforme determinação do governo norte-americano. A medida, oficializada por ordem executiva do presidente Donald Trump, acende um alerta para toda a cadeia produtiva do café no Brasil, que vive um cenário de incertezas às vésperas da aplicação da taxação.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, com destaque para a variedade arábica, que representa cerca de 23% das exportações nacionais. Isso pode forçar os produtores brasileiros a buscarem novos mercados para o escoamento da produção, exigindo agilidade logística e estratégia comercial.

O impacto não se restringe apenas ao Brasil. Como os Estados Unidos não produzem café internamente, a alta taxa poderá afetar a cadeia local que depende do grão importado – torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo.
Além disso, blends tradicionais utilizados nos EUA, que têm o café brasileiro como base sensorial, podem ser reformulados, o que pode repercutir no paladar e nos preços ao consumidor norte-americano.
O Cepea também chama a atenção para a perda de competitividade do Brasil frente aos concorrentes. A Colômbia, que responde por 17% das importações de café dos EUA, continuará isenta da nova tarifa, enquanto o Vietnã, fornecedor de robusta, negocia uma alíquota reduzida de 20%, abaixo dos 46% inicialmente previstos.
A exclusão do café da lista de 700 produtos brasileiros isentos de taxação intensificou o esforço do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), que segue em tratativas com o governo norte-americano na tentativa de reverter a medida.
O setor cafeeiro nacional monitora os desdobramentos da medida com cautela. De acordo com o Cepea, os preços internos do café têm oscilado conforme os movimentos das bolsas de Nova York e Londres, influenciados também por fundos especulativos que aguardam definições sobre a tarifa.
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