Trump aumenta tarifas para 50% e bloqueia vistos de ministros do STF e parentes

Medida cita ameaças à segurança dos EUA e acusa ministros do STF de censura e perseguição política; vistos de familiares também foram bloqueados

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (30) um aumento expressivo nas tarifas aplicadas a produtos brasileiros. O presidente Donald Trump assinou o decreto que acrescenta 40% aos tributos já existentes, elevando a tarifa total para 50%.

insuficiência venosa crônica
Donald Trump. (Foto: Reprodução Instagram)

A Casa Branca informou que a decisão decorre de medidas adotadas pelo governo brasileiro consideradas uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana. O texto da ordem acusa autoridades do Brasil de hostilizar empresas americanas e restringir a liberdade de expressão.

Ministros do STF na mira

O comunicado cita nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontando-o como responsável por “perseguir adversários políticos, blindar aliados e suprimir críticas”. Segundo Washington, Moraes teria expedido ordens judiciais para remover conteúdos de redes sociais, multar empresas de tecnologia e bloquear bens de companhias americanas que se recusaram a cumprir determinações.

Além da tarifa extra, a ordem executiva oficializou o bloqueio de vistos de ministros do STF e de seus familiares diretos, considerados envolvidos em violações de direitos humanos e censura. No dia 18 de julho, os EUA já haviam revogado os vistos de Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está na lista de restrições. Já os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não foram atingidos pelas sanções.

Cidadãos e empresas como justificativa

O governo americano também destacou o caso do blogueiro Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos e é processado no Brasil por declarações feitas em solo americano, como exemplo de ameaça à liberdade de expressão.

Segundo a Casa Branca, a nova ordem busca proteger empresas dos EUA de “pressões e coerções ilegais” e garantir que cidadãos americanos não sejam alvos de perseguição política.

Declaração de emergência

A medida foi editada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e declara uma “emergência nacional” relacionada ao Brasil. De acordo com o governo Trump, autoridades brasileiras teriam forçado plataformas de tecnologia a censurar usuários, fornecer dados sigilosos e alterar regras de moderação sob ameaça de multas pesadas, processos judiciais ou até proibição de funcionamento no país.

Trump afirmou que continuará usando tarifas e sanções diplomáticas como instrumentos de pressão para “proteger os interesses e valores americanos”.

Leia mais

  1. Negociação em alta: Trump reaproxima EUA e China após pressão da Nvidia

  2. Enquanto Brasil tenta acordo, EUA mantêm tarifa de 50% para 1º de agosto

  3. “Misturar política com economia é um erro grave”, diz Mendes sobre tarifaço