Volume cai 20,8%, porém exportação de café rende US$ 15,5 bilhões, recorde da série

O café brasileiro chegou a 121 países, mantendo o país como principal origem global e responsável por mais de um terço do comércio mundial.

O Brasil encerrou 2025 com retração no volume de café embarcado ao exterior, mas com um desempenho financeiro inédito. Foram exportadas 40,04 milhões de sacas de 60 quilos, quantidade 20,8% inferior à registrada em 2024. Mesmo com a queda, a receita atingiu US$ 15,586 bilhões, crescimento de 24,1% e o maior resultado desde o início da série histórica, em 1990.

Os números foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e refletem a valorização internacional do produto ao longo do ano. O café brasileiro chegou a 121 países, mantendo o país como principal origem global e responsável por mais de um terço do comércio mundial.

Para o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o recorde financeiro está diretamente ligado ao aumento dos preços médios e aos investimentos do setor produtivo. Segundo ele, a cafeicultura nacional tem apostado em tecnologia, inovação e melhoria da qualidade, fatores que elevam o valor agregado do grão brasileiro e ampliam sua competitividade.

Pessoa segurando grãos de café
Exportação de café recua em volume, mas alcança faturamento recorde. – Foto: Mohd Afiq/Unsplash.

Menor oferta e impacto das tarifas

A redução no número de sacas exportadas já era esperada pelo setor. De acordo com Ferreira, o desempenho excepcional de 2024, quando o país realizou embarques recordes, diminuiu os estoques disponíveis para o ano seguinte. Além disso, problemas climáticos afetaram a safra de 2025, limitando a oferta do produto.

Outro fator decisivo foi a política tarifária adotada pelos Estados Unidos. Entre agosto e novembro, o governo norte-americano impôs taxa de 50% sobre o café brasileiro, medida que provocou forte retração nos embarques para aquele mercado. No período de vigência do chamado “tarifaço”, as vendas aos EUA caíram 55%. A tributação permanece para o café solúvel.

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Mudança entre os principais compradores

Com esse cenário, houve alteração no ranking dos maiores destinos do café brasileiro. A Alemanha assumiu a liderança ao importar 5,4 milhões de sacas, volume que correspondeu a 13,5% do total exportado, embora represente queda de 28,8% em relação a 2024.

Os Estados Unidos, tradicionalmente na primeira posição, passaram para o segundo lugar. O país adquiriu 5,3 milhões de sacas, 13,4% das exportações, com recuo de 33,9% na comparação anual, reflexo direto das barreiras tarifárias.

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Predomínio do arábica

O café arábica continuou sendo o carro-chefe das vendas externas, com 32,3 milhões de sacas, equivalentes a 80,7% de todo o volume exportado. A espécie canéfora, que inclui conilon e robusta, respondeu por 3,9 milhões de sacas (10%). O café solúvel somou 3,6 milhões de sacas (9,2%) e o segmento de torrado e moído teve participação residual, com 58,4 mil sacas.

Mesmo diante dos desafios climáticos e comerciais, o resultado financeiro histórico reforça a relevância do café para a balança brasileira e sinaliza a capacidade do setor de agregar valor e manter presença em mercados estratégicos ao redor do mundo.

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