Alunos protestam por exigência de tênis; escola nega restrição

Manifestação questiona exigência de tênis padrão no uniforme; estudantes relatam restrições.

Um protesto realizado na Escola Estadual Professora Adalgisa de Barros, em Várzea Grande, nesta quinta-feira (5), expôs o descontentamento dos estudantes com a exigência do uso de tênis oficial como parte do uniforme escolar. A manifestação ocorreu após relatos de que alunos teriam sido barrados na entrada da unidade por não utilizarem o item exigido.

Um registro de vídeo mostra um grupo de alunos na frente da instituição reivindicando a entrada mesmo sem a utilização do tênis. Os estudantes afirmam que não foram previamente informados sobre a obrigatoriedade e criticaram a prioridade dada pela instituição diante de problemas estruturais da Escola. 

“A escola está sem cadeira e sem mesa, e acontece essa barbaridade”, disse um aluno durante o protesto.

Nas imagens é possível ver um grupo de estudantes na porta da Escola – Fonte: Reprodução

Em nota, a direção da escola negou que qualquer estudante tenha sido impedido de assistir às aulas por estar sem o uniforme completo. Segundo o posicionamento oficial, alunos sem a peça obrigatória não são mandados de volta para casa e, quando necessário, a escola realiza notificações e empresta os itens faltantes para garantir o acesso às salas de aula .

A gestão também afirmou que as regras sobre o uso do uniforme foram divulgadas previamente à comunidade escolar, com comunicados afixados nas salas de aula, enviados aos pais e registrados nos cadernos dos estudantes. Além disso, informou que todos os itens do kit escolar, incluindo tênis, foram entregues aos cerca de 1.200 alunos matriculados.

Apesar da justificativa, parte dos estudantes contesta a versão da escola e sustenta que a cobrança mais rígida começou apenas nesta semana, sem aviso prévio adequado.

O episódio reacende o debate sobre os limites da exigência do uniforme na rede pública e o equilíbrio entre disciplina, acesso à educação e as condições estruturais das escolas. Nesse sentido, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), por meio da direção regional, também se manifestou demonstrando preocupação com a ação da instituição. 

Em nota, a vice-presidente Regional da UBES em Mato Grosso, Layan Razec de Moura Silva, declarou que a ausência de qualquer item do uniforme padrão não pode impedir os estudantes de assistir às aulas. 

“A ausência de qualquer item de uniforme não pode, sob nenhuma hipótese, resultar no impedimento do estudante de assistir às aulas. Ainda que existam normativas locais. […] Causa estranheza que, em um contexto onde estudantes relatam carências estruturais básicas, como mobiliário insuficiente em sala de aula, a prioridade administrativa recaia sobre a fiscalização rígida de vestimentas”, disse a representante. 

Confira a íntegra

“A direção da Escola Estadual Prof. Adalgisa de Barros, em Várzea Grande, esclarece que nenhum estudante é mandado de volta para casa por estar sem o uniforme oficial da rede estadual. Quando necessário, a escola notifica a necessidade da obrigatoriedade e empresta a peça faltante, mesmo ao aluno que já tenha recebido o kit completo, garantindo a ele o acesso à sala de aula.

Todas as regras são repassadas em reuniões e em informativos para os pais ou responsáveis orientando acerca da necessidade de comunicar a gestão em casos de intercorrências com uniforme ou outras situações, para solução imediata.

A escola reforça que recebeu e entregou todos os itens do uniforme (camisetas, jaquetas, calças, bermudas e tênis) para os 1.200 alunos matriculados.

Em 30/01, a escola afixou em todas as salas as normas de uso do uniforme e as flexibilizações sobre o uso do kit completo. Em 02/02, a gestão publicou nos grupos de pais um comunicado oficial sobre uniforme, uso de celular e horários. Ainda em 02/02, as normas e condições de uso do uniforme (e outras orientações) foram registradas nos cadernos, turma por turma.”

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Comentários (1)

  • Aloísio

    Quer saber de uma coisa? A educação perdeu a parada, nessas últimas décadas, fez tantas concessões que hoje não é capaz de ditar seu rito, estabelecer suas normas. Ainda mais, não vejo gestores nem alunos brigando por qualidade na educação, condições de trabalho… mas fazer fumaça por privilégios é uma constante … Quem perde com isso? Todos! A pouca importância que damos à educação nos acompanha pelo resto da vida … Isso é pesquisa. Isso é realismo.

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