Após mudança de escola, mães temem que filhos do 6º ano vão sozinhos às aulas
As mães se sentem inseguras em mandar os filhos para a escola de ônibus sozinhas, devido a insegurança e por eles serem de menor.
Famílias com alunos cursando o 6° do ensino fundamental que moram no Jardim Florianópolis vivem dias de angústia com a mudança na organização do ensino em Cuiabá. Com o redimensionamento da rede, o 6º ano deixou de ser ofertado nas escolas municipais e passou a ser responsabilidade da rede estadual, que fica no CPA 3. A alteração, no entanto, acabou gerando um problema crítico: crianças foram encaminhadas para escolas a mais de 4 km de casa, sem garantia de transporte ou segurança no trajeto.
Uma das mães afetadas é Géssika Christinny, moradora do Jardim Florianópolis. A filha dela sequer conseguiu iniciar o ano letivo. “Hoje é o segundo dia de aula e ela não foi. As vans estão cobrando entre R$ 500 e R$ 550, e eu não tenho como pagar. De ônibus, eu também não deixo, ela não tem estrutura para andar sozinha”, contou.
Segundo a mãe, a situação tem afetado emocionalmente a criança. “Ela chorou na segunda-feira. A gente comprou todo o material, gastei quase R$ 500, mas ela não pode ir para a escola porque é muito longe”, desabafou.
O problema atinge mais de 30 famílias da região. Amélia Romana, mãe do estudante Matteo, relata que conseguiu levar o filho à escola apenas com ajuda. “Hoje eu levei ele de ônibus e uma amiga trouxe de volta. Mas mandar uma criança sozinha é muito perigoso, todos os dias crianças desaparecem. Ano passado 25 mil crianças desapareceram nesse percurso de ir para escola sozinho, eu não vou deixar meu filho ir. A travessia perto do Comando Geral é arriscada, tem muito movimento e circulação de pessoas o tempo todo. ”, afirmou.
Ela também questiona a retirada do sexto ano de uma escola do próprio bairro. “Aqui tem uma escola com estrutura, até o ano passado tinha sexto ano. Por que tiraram? As crianças poderiam estar estudando perto de casa, com segurança”, disse.
Outra mãe, Nilda Duarte de Oliveira, reforça o sentimento de insegurança e indignação. Segundo ela, nenhum dos filhos está frequentando as aulas. “O sexto ano foi mandado para o CPA 3, e eu não deixo ir sozinho. Se for para mandar de ônibus, vai ficar sem escola”, declarou. “A gente sabe que educação é importante, mas a segurança vem primeiro.”
As mães também relatam falta de diálogo antes da decisão. “Não teve reunião com os pais, nem com a escola. Simplesmente tiraram os alunos. Tem professores na escola do bairro, mas sem alunos suficientes para dar aula”, afirmou Nilda.
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) informou que está em tratativas com a Secretaria Municipal de Educação para a cessão de salas em escolas municipais da região, como as unidades Lenin Campos Póvoas e Antônia Tita, com a criação de salas anexas para atender os estudantes.
A Seduc também afirmou que pretende licitar, ainda este ano, a construção de um colégio estadual integrado na região. No entanto, não foi informado prazo para o alinhamento com o município nem para o início das adaptações.
Enquanto isso, o que se vê são crianças fora da sala de aula e famílias apreensivas. Pais e mães afirmam que não vão expor os filhos a riscos no trajeto até a escola e cobram uma solução urgente para garantir o direito à educação com segurança.
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