Falta de vagas deixa crianças fora da escola em Várzea Grande
Pais recorrem à Defensoria Pública para garantir matrícula enquanto bairros crescem sem escolas e crianças seguem fora da sala de aula.
O ano letivo já começou em Várzea Grande, mas para muitas famílias o som do sinal ainda não significa sala de aula. A falta de vagas na rede pública de ensino tem deixado crianças fora da escola e pais em uma rotina de incerteza, filas e pedidos de ajuda.
É o caso de Wellington Souza da Silva, diarista, que chegou a Mato Grosso com a mulher e os sete filhos em busca de uma nova oportunidade de vida. O emprego ainda era uma incógnita, mas a primeira grande barreira apareceu onde ele menos esperava: na porta da escola.
“Fui procurar escola e não consegui. Só consegui cinco vagas pela Defensoria Pública. Consegui cinco e falta uma do sexto ano ainda”, relata.
A vaga que ainda falta para um dos filhos de Wellington é na rede estadual. Além da superlotação, a distância se tornou mais um obstáculo. Segundo ele, as escolas mais próximas já não têm disponibilidade, e as que ainda possuem vagas ficam entre oito e dez quilômetros de distância da casa da família. “Não tem vaga, e a que tem é muito longe. Talvez precise entrar judicialmente pra conseguir uma”, afirma.
A situação enfrentada por Wellington reflete um problema maior. Em bairros novos de Várzea Grande, onde ruas estão cheias de casas, a infraestrutura básica não acompanhou o crescimento populacional. Falta escola, falta planejamento e sobram famílias aguardando. Para conseguir estudar no município, o problema vai além da ausência de vagas: é estrutural.
De acordo com a defensora pública Cleide Regina Ribeiro Nascimento, muitas regiões sequer contam com unidades escolares. “Há bairros que não têm nem escola. Existe uma necessidade enorme de construção de novas unidades”, explica a representante da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso.
Dados da Secretaria de Educação de Várzea Grande apontam que 1.193 crianças ainda aguardam vaga na rede pública. Desse total, mais de 353 casos estão sendo acompanhados pela Defensoria Pública, após chegarem por meio do mutirão Educação para Todos, realizado na semana passada.

A secretária municipal de Educação, Silmara Lopes da Costa Feitosa, afirma que a pasta tem buscado soluções em parceria com a Defensoria para mapear onde estão essas crianças e garantir o direito constitucional à educação. “Estamos trabalhando para que nenhuma criança fique fora da sala de aula”, declarou.
Enquanto isso, famílias seguem enfrentando dificuldades no atendimento. Wellington relata falta de orientação e acolhimento durante a busca por vagas. “Faltou um pouquinho de compaixão. A gente vai num lugar que não conhece, as pessoas não explicam direito, te jogam pra um canto, te jogam pra outro… assim fica muito difícil conseguir”, desabafa.
Apesar do cenário, algumas histórias trazem alívio. Sofia, de 10 anos, ficou meses fora da escola, mas conseguiu uma vaga por meio da Defensoria Pública. Agora, de volta à sala de aula, ela não esconde a alegria. Questionada sobre o futuro, responde com um sorriso: “Quero ser professora”.
Sobre a vaga no sexto ano para o filho de Wellington, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) informou que o aluno está em fila de espera em uma escola que já teve todas as vagas preenchidas. A orientação é que pais e responsáveis procurem unidades que ainda tenham vagas abertas. A pasta informou ainda que, no momento, há 123 vagas disponíveis na rede estadual.
Enquanto soluções definitivas não chegam, a espera continua — e com ela, o risco de que o direito à educação siga sendo adiado para quem mais precisa.
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