Famílias reclamam da falta de assistentes para alunos com deficiência

A ausência de acompanhantes para os estudantes com deficiência é um risco para o desenvolvimento educacional dos alunos da capital do Estado

Famílias de Campo Grande reclamam da falta de acompanhantes especializados para o apoio de estudantes com autismo e outras deficiências nas escolas da Rede Municipal de Ensino. Um risco para o pleno desenvolvimento educacional desses alunos garantidos por lei.

Aluna com autista aprendendo em sala de aula
Aluna Rafaela, de quatro anos, aprendendo com uma acompanhante. (Foto: David Melo)

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Pablo Henrique Ferreira Borges, de 12 anos, é um deles. O garoto recebeu diagnóstico de transtorno do espectro autista grau leve, e se esforça no processo de alfabetização. Ele recebe auxílio de uma assistente educacional inclusiva, conhecida como AEI, para apoio do aprendizado.

A irmã dele, Ana Júlia, de quatro anos, estuda na educação infantil. Ela também é autista e está aprendendo as vogais do alfabeto, as figuras, e também tem uma profissional que auxilia no desenvolvimento.

“É ele que vai transformar de uma forma mais simples aquilo que pro aluno é complexo. Passar do nível concreto pro abstrato. Então, é essa intermediação entre o que o aluno sabe, e o conteúdo é o profissional de apoio que faz essa ponte”, explica Ione Garcia dos Santos, professora de sala de recursos multifuncionais.

Mudança de comportamento

Pablo e Ana Júlia começaram a estudar neste ano na Escola Municipal João Nepomuceno. Em casa, os pais já estão vendo mudanças no comportamento.

“Depois que começaram a estudar, teve muitas melhoras. O comportamento mudou bastante”, revela Derlei Ferreira da Costa, pintor e pai das crianças.

Pablo na escola com acompanhante
Pablo, irmão de Rafaela e também autista, acompanhado por uma profissional na sala de aula. (Foto: David Melo)

Uma lei aprovada em 2012 instituiu a polícia nacional de proteção dos direitos a pessoa com transtorno do espectro. Isso inclui o acesso a educação e ao ensino profissionalizante.

Em casas de necessidade, a pessoa terá direito a um acompanhante especializado na sala de aula, mas na rede municipal de ensino de Campo Grande, nem todos conseguem esse profissional.

Falta de profissionais

Kalebe e Rafaela, ambos de quatro anos, são filhos da Taynara da Cunha Dias dos Santos, e possuem transtorno do espectro autista. Os dois estudam desde o início do ano na Escola Municipal Professora Flora Guimarães, mas perderam o assistente logos nos primeiros meses.

“Eles estão agora com uma profissional, estão na mesma sala dividindo essa profissional. E começaram agora a ter crises muitos fortes. Minha filha tá gritando muito e meu filho tá muito nervoso com toda essa situação. E a gente não sabe mais o que fazer”, declara a dona de casa.

Taynara disse que foi duas vezes na Semed (Secretaria Municipal de Educação) atrás de assistentes terapêuticos. “Falam que está sempre em processo de seleção”, afirma.

MAE DE ALUNOS AUTISTAS
Taynara, mãe de alunos autistas, aguarda profissionais para os dois filhos. (Foto: David Melo)

Ela ainda guarda a cópia de um ofício que a escola dos filhos encaminhou para a Semed, em julho, informando que 14 crianças com deficiência estão sem assistente educacional.

Aprendizado prejudicado

Segundo o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública, anteriormente eles precisavam ter uma formação superior e especialização na área, o que garantia um salário maior. Atualmente, a Semed contrata os assistentes educacionais sem formação superior e com salário menor.

“É um acompanhamento muito individualizado para cada criança. Certamente, se você coloca seis, sete alunos, vai sobrecarregar. O profissional não vai aguentar. Você tem a questão da remuneração alinhada com a quantidade de alunos por professor. Isso causa estresse”, diz Lucílio Nobre, presidente da ACP.

Rafaela aprendendo na escola
Pequena Rafaela estudando. (Foto: David Melo)

De acordo com o presidente, é aí que está o problema.

“Descontinuidade do acompanhamento dessa criança, traz prejuízos para aprendizagem do aluno que já tem essa dificuldade”, completa.

“Geralmente, essa crianças ficam num canto, brincando sozinhas, então a gente precisa de providências a respeito disso. Não acontece o processo de inclusão”, finaliza Taynara, mãe de Kalebe e Rafaela.

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