MP investiga falhas em seletivo da Educação de Várzea Grande às vésperas do início das aulas
A notícia de fato foi instaurada após denúncias de falhas na convocação e na designação de profissionais aprovados, situação que pode comprometer o funcionamento das escolas.
Às vésperas do início do ano letivo de 2026, previsto para segunda-feira (03), o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) abriu investigação para apurar possíveis irregularidades no processo seletivo da rede municipal de ensino de Várzea Grande. A notícia de fato foi instaurada após denúncias de falhas na convocação e na designação de profissionais aprovados, situação que pode comprometer o funcionamento das escolas.
A apuração foi instaurada pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande, a partir de relatos veiculados em reportagens que apontam ausência de comunicação oficial aos candidatos, indefinições quanto à lotação nas unidades escolares, inconsistências no sistema online e insegurança sobre o início regular das atividades educacionais.

Diante da gravidade das denúncias e do risco de prejuízo direto aos estudantes e profissionais da educação, a promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello determinou o envio de ofícios à prefeita Flávia Moretti e ao secretário municipal de Educação, Igor da Cunha Gomes da Silva.
O Ministério Público estabeleceu prazo de 48 horas para que o Município apresente esclarecimentos e informe quais medidas estão sendo adotadas para corrigir as falhas apontadas.
Além disso, a promotora determinou tramitação urgente do procedimento, considerando que eventuais atrasos ou desorganização no processo seletivo podem impactar o início do calendário escolar e o direito à educação na rede municipal.
“A integridade do processo seletivo e o início regular do ano letivo são prioridades absolutas. Diante de indícios consistentes de falhas na convocação e na designação dos aprovados, o Ministério Público atua para assegurar transparência, organização e respeito aos direitos dos candidatos e dos estudantes”, afirmou Taiana Dionello.
Segundo ela, a população “precisa de respostas rápidas e eficazes”, o que está sendo cobrado da administração municipal.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação confirmou que recebeu os questionamentos do Ministério Público, e garantiu que irá respondê-los dentro do prazo estipulado.
Manifestação
A falta de informações claras tem gerado reclamações entre os candidatos convocados. Na manhã desta quinta-feira (29), os candidatos se reuniram em frente da Prefeitura para cobrar esclarecimentos da Secretaria de Educação. Segundo os relatos, muitos ainda não receberam o e-mail com a carta de apresentação, documento necessário para se apresentarem às unidades escolares.
Os candidatos também apontam inconsistências no processo. De acordo com eles, pessoas classificadas em posições inferiores já teriam recebido a carta e iniciado a apresentação nas escolas, enquanto aprovados melhor colocados seguem sem orientação oficial.
A situação tem provocado insegurança entre os profissionais convocados, que temem prejuízos na lotação e no início das atividades, justamente às vésperas do começo do ano letivo na rede municipal.
Contratações e cargos
O processo seletivo teve o resultado final homologado na última sexta-feira (16), conforme publicação em edição suplementar do Diário Oficial do Município. Ao todo, o certame prevê a contratação temporária de 2.946 profissionais para atuação ao longo do ano letivo de 2026.
As vagas contemplam cargos de níveis médio e superior. Para o nível médio, há oportunidades para Técnico de Desenvolvimento Educacional, Agente Administrativo, Técnico em Nutrição Escolar, Técnico de Manutenção e Segurança da Infraestrutura Escolar, além de funções nas áreas de higienização e transporte escolar, neste último caso, com exigência de Carteira Nacional de Habilitação categoria “D”.
Já para o nível superior, o seletivo oferta vagas para professores nas áreas de Pedagogia, Artes, Música, Educação Física, Ciências, Geografia, História, Inglês, Português e Matemática.
De acordo com o edital, os cargos de nível médio têm salário de R$ 1.613,18, com jornada de 30 horas semanais. Os professores recebem R$ 3.097,87 para carga horária de 20 horas por semana.
O Ministério Público aguarda as respostas da Prefeitura para avaliar os próximos encaminhamentos do caso.
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