Novo ensino médio: o que mudou na nova proposta aprovado pelo Congresso

O Primeira Página conversou com a professora Luciane Gomes, da Faculdade de Educação Física da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) que apresentou um panorama sobre a situação

A proposta do novo ensino médio foi discutida e aprovada pelo Congresso Nacional nesta quarta-feira (10). A proposta apresenta mudanças substanciais em relação ao que estava vigente com a 1ª versão aprovada em 2017 no Governo Michel Temer. O texto segue para a sanção do presidente Lula que pode aceitar, modificar ou vetar a nova medida.

Foto educacao estudantes
Estudantes em frente a escola (Foto: Ilustrativa | Crédito: Agência Brasil)

Confira as principais mudanças de como era o novo ensino médio e como pode ser, se aprovado pela presidência.

?COMO ERA

Conforme o texto de 2017, que está em vigência, o número de disciplinas obrigatórias, previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) totalizam 1.800 horas. Além disso, as disciplinas optativas (aquelas escolhidas pelo aluno) devem totalizar 1.200 horas.

✅ COMO PODE FICAR

A nova proposta divide as mesmas 3.000 horas da seguinte forma:

  • 2.400 horas para disciplinas obrigatórias.
  • 600 horas para disciplinas optativas.

?COMO ERA

O ensino médio de 2017 garantia que apenas português, matemática, educação física, arte, sociologia e filosofia eram disciplinas obrigatórias em todos os anos do ensino médio.

✅ COMO PODE FICAR

A nova proposta aprovada pela Câmara tornam obrigatórias as seguintes disciplinas: português, inglês, artes, educação física, matemática, ciências da natureza (biologia, física, química) e ciências humanas (filosofia, geografia, história, sociologia). O espanhol se tornou uma matéria facultativa.

Especialista em educação da UFMT comenta o caso

O Primeira Página conversou com a professora Luciane Gomes, da Faculdade de Educação Física da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) que apresentou um panorama mais completo sobre a situação.

“Essa lei anterior do ensino médio, afrontava os nossos sonhos em relação a educação dos jovens. Dentre as questões estava a diminuição da carga horária obrigatória que diminui o acesso à educação historicamente construída para todos”, pontua a professora.

Além disso, para ela, o novo ensino médio de 2017 diminuía as chances de disputa no processo de formação. Nesse sentido, a professora afirma a importância da pressão dos movimentos sociais.

“Particularmente, não acredito que fosse possível remendar, mas sim revogar esse antigo ensino médio. Apesar da manutenção das 2.400h de Formação Geral Básica ter sido mantida, a luta continua, porque os avanços conseguidos no relatório do Senado foram, em sua maioria, rejeitados e os retrocessos estão mantidos na proposta”, conta a professora.

Quando ela fala sobre retrocesso, Luciane Gomes se refere à formação profissional, que segundo o que entende, pode ser feita por cursos questionáveis de curta duração, como a produção de bolo de potes, que não asseguram formação profissional de qualidade para a faculdade e formação geral científica.

“O novo texto para a sanção não prevê o respeito às prerrogativas curriculares, retira a obrigatoriedade do espanhol… Enfim, lamento que saiamos deste debate tão caro com expressivos retrocessos”, finaliza.

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