Teatro usa arte pop e memes para falar de ciência com a garotada
A peça promovida por um projeto da UEMS foi inserida como intervenção artística com temas e personagens ligados à ciência
Arte pop e memes. É assim que a peça “Da Independência à Ciência Brasileira” do projeto “MS +Ciência” foi apresentada nesta tarde de quinta-feira (10), na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.

“Já é nossa quarta peça autoral, e nosso desafio tem sido encontrar novas formas de comunicar ciência. A gente tem visto a importância das pessoas em terem acesso e conhecimento científico, e o quanto às vezes é difícil traduzir esse conhecimento científico pro ensino médio e pessoas em geral, que não estão na universidade”, afirma André Mazini, coordenador do projeto e também jornalista.
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A peça do projeto “MS +Ciência” foi inserida como uma intervenção artísticas com temas e personagens ligados à ciência na 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A ação contempla ações de divulgação científica em todos os estados brasileiros.

Neste ano, o tema central é o Bicentenário da Independência Brasileira. No palco da UEMS, os atores Bruno Moser e Nicole Dichoff deram vida a personagens bastante conhecidos, o Google e a Alexa, duas inteligências artificiais que entram em crise por não conseguirem a pergunta feita por um ser humano: “Como vai ser a ciência no Brasil em 200 anos?

Para Bruno, que está no projeto desde 2020, há dois intuitos na apresentação, o de dar voz aos projetos científicos do Estado, e o de difundir a educação científica através do teatro.
“Poder transformar essas coisas em obras artísticas, deixar mais palpável, palatável, principalmente para os adolescentes, que serão os próximos universitários. É furar essa bolha com eles!”, declara o ator.
A peça é tão interativa e divertida, com Adriano Boeno interpretando o “Spotify” tocando guitarra, que os personagens Google e Alexa, o tempo todo, chegam perto do público jovem da Escola Estadual Ministro João Paulo Dos Reis Veloso, de Dourados.
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Inclusive, a dupla coloca uma “linha do tempo tecnológica” no meio dos jovens. Em cada ano, há momentos históricos e retratos dos grandes criadores dos mesmos. Entre eles, Jean Rosset, cientista de MS que desenvolveu uma pesquisa sobre como estocar carbono no solo, sem deixar que esses gases subam até a atmosfera.
“Tá muito legal! A forma como eles estão falando do assunto, é um pouco complexo, né? Tô gostando. Tomara que tenha mais isso tudo nas escolas, né?”, torce Milena Santos, uma das alunas na plateia.
No final da apresentação, André sobe ao palco ao lado do trio Google, Alexa e Spotify para deixar outro importante questionamento para todos: “Como tornar a ciência mais acessível no Brasil?”.

“Nossa ciência é basicamente produzida hoje no mundo por homens brancos. É assim, majoritariamente, mas no nosso Estado, por exemplo, nós temos a segunda maior população indígena do Brasil”, revela.
“Como a gente coloca mais indígenas dentro da universidade para produzir ciência? Como a gente aumenta o número de negros das nossas universidades pra produzir mais ciência a partir da perspectivas dessas pessoas? Como a gente coloca mais mulheres para produzir ciência no Brasil”, indaga André.
A UEMS é, atualmente, a única do país – além de ser a primeira – a ter vagas para indígenas em todos os cursos da universidade. Um deles é o de Medicina.

“Fomos a terceira universidade do Brasil a adotar cotas para negros, mas ainda não resolve o problema”, finaliza André.
O projeto que envolve a divulgação científica com o teatro também será expandido para o interior do Estado.
“Então, a gente tem tentado buscar alternativas de comunicação para que a comunicação de fato chegue às pessoas que precisam, promover ciência. A primeira fase termina amanhã [11] e começa a rodar por escolas de Campo Grande, do interior. Um dos objetivos é interiorizar”, finaliza André.
Assista abaixo alguns trechos da peça “Da Independência à Ciência Brasileira”:
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