Comunicação para marcar golaços

No mundo do esporte, em especial no futebol, a habilidade de se comunicar bem também depende de treino

Com o início dos campeonatos estaduais de futebol, a cobertura esportiva volta a ter um espaço maior em diferentes mídias. A avaliação de comentaristas e as entrevistas com atletas, técnicos e dirigentes dos times ganham visibilidade nas transmissões das partidas, nas reportagens e nas resenhas na tv, no rádio, na internet e nas rodas de amigos.

Por isso, esta coluna traz uma análise sobre a importância da comunicação em torno do esporte preferido do brasileiro. Para entender as diferentes visões sobre o assunto, contamos com a colaboração de um atleta, profissionais do jornalismo esportivo e com quem atua na assessoria de imprensa de um clube.

Pikachu, atacante do União Esporte Clube (Assessoria de imprensa)

O atacante Deivisson Pikachu, que disputa a temporada 2024 pelo União, de Rondonópolis-MT, ressalta que é por meio da comunicação que o atleta ganha visibilidade, além dos 90 minutos em campo. ‘Quem não é visto não é lembrado’, diz o atleta.

“Atletas precisam de acompanhamento para que se comuniquem melhor”

Flávio Santos, apresentador, editor e narrador na TV Centro América (Globo Esporte MT) e portal Primeira Página

Experiente na cobertura esportiva em Mato Grosso, o jornalista Flávio Santos tem muitas histórias de bastidores da cobertura de partidas de futebol, várias delas relacionadas a entrevistas concedidas por atletas e técnicos.

Para Flávio, em uma boa entrevista é preciso dar detalhes sobre o tema perguntado, falar algo relevante: “Tem que despertar a atenção de quem está ouvindo, assistindo ou lendo o conteúdo”.

O jornalista lembra que a maioria dos clubes tem assessoria de imprensa, que orienta sobre o que, principalmente jogadores, devem dizer nas entrevistas.

Flávio acredita que atletas deveriam ter um acompanhamento mais de perto para que consigam se comunicar melhor.

“A boa comunicação abre portas para a exposição positiva”

Gabriela Troian, repórter da TV Centro América (Globo Esporte MT)

A jornalista Gabriela Troian, do Globo Esporte MT, defende que atletas precisam entender que a boa comunicação abre portas para exposição positiva, ou seja, destaca o profissional na mídia.

Gabriela recomenda que, durante as entrevistas, os atletas fujam das respostas ensaiadas e clichês, como “vamos ouvir o que o professor tem pra nos passar”. É importante prestar atenção na pergunta, já que muitas vezes o entrevistado não responde à pergunta que é feita.

E não precisa ter um furo jornalístico para que a entrevista seja produtiva. Se tiver uma curiosidade, um bastidor importante do elenco, uma contratação ou renovação de contrato, certamente o jornalista já terá elementos para produzir uma boa reportagem.

No entanto, Gabriela reconhece que o profissional de imprensa também precisa se preparar para que a entrevista seja produtiva: “Muitas vezes, nós jornalistas acabamos perguntando mais do mesmo”.

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Gabriela Troian, Flávio Santos e Bruna Ficagna (fotos: arquivo pessoal)

“Alguns profissionais precisam ter maior controle emocional para evitar respostas grosseiras”

Bruna Ficagna, repórter e apresentadora do Globo Esporte na EPTV (Campinas-SP)

Com uma trajetória no esporte que começou em Mato Grosso e hoje se consolida em São Paulo, a jornalista Bruna Ficagna reforça que muitas entrevistas pós-jogo acabam sendo superficiais, com respostas consideradas “padrão”.

A jornalista recomenda que, em entrevistas exclusivas ou coletivas, é fundamental que os entrevistados estejam preparados para possíveis questionamentos e possam enriquecer as respostas com seu conhecimento como atleta ou técnico.

Bruna ressalta ainda que alguns profissionais precisam ter maior controle emocional para evitar respostas grosseiras, para que o destaque seja o desempenho no jogo, não a atitude nas entrevistas.

“Tem muito atleta que repete o que foi decorado”

Pedro Lima, jornalista esportivo na Rádio CBN Cuiabá

Com experiência como assessor de imprensa de clube (atuou por seis anos no Cuiabá) e como jornalista esportivo em rádio e site, Pedro Lima acredita que é muito importante investir em comunicação, seja para o clube, para atletas e técnicos.

O jornalista conta que já conheceu atleta que não conseguia dar entrevista, se comunicar em frente às câmeras. Ele lembra que, com a internet e as redes sociais, as falas são reproduzidas e é preciso ter cuidado com polêmicas desnecessárias e declarações infelizes, que podem trazer impactos negativos.

Ao mesmo tempo, Pedro Lima ressalta que entrevista boa é aquela que gera conteúdo para a imprensa: “Tem muito atleta que repete o que foi decorado. Mas jogador precisa ter personalidade, citar erros, ser sincero, para que a entrevista seja mais autêntica”.

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Robson Boamorte e Pedro Lima (fotos: arquivo pessoal)

“O desafio é entregar um conteúdo que atraia o torcedor e gere engajamento”

Robson Boamorte, assessor de imprensa do Cuiabá Esporte Clube

A rápida ascensão do Cuiabá, clube mais novo na Série A do Campeonato Brasileiro, atraiu os olhares do Brasil e do mundo. O assessor de imprensa do clube, Robson Boamorte, afirma que um bom trabalho com comunicação é importante para dar essa visibilidade ao time e para aproximar o clube do público.

Seja nas redes sociais ou na mídia tradicional, Robson conta que o desafio é entregar um conteúdo que atraia o torcedor e gere o engajamento necessário para transmitir o que é o Cuiabá.

Quando questionado sobre as principais dificuldades que os atletas e a comissão técnica enfrentam na hora de se comunicar com a imprensa, especialmente em entrevistas, Robson explica que “timidez, poucas palavras, respostas curtas e falta de resposta com conteúdo são sempre um desafio”.

O assessor de imprensa relata que há jogadores que pedem para não serem entrevistados. Em momentos assim, o assessor afirma que é preciso explicar que é bom para o atleta falar naquele determinado momento, seja por ter feito um gol, uma boa partida ou por ser uma peça importante na equipe. “O torcedor vai querer ouvi-lo, ter essa aproximação, esse contato”, diz o jornalista.

Robson Boamorte lembra que atualmente a maioria dos atletas dos times da Série A tem assessores próprios, que auxiliam nessa preparação. A dificuldade é com jogadores mais jovens que ainda não estão acostumados, não conseguem driblar a timidez, se assustam um pouco com as câmeras e holofotes.

Sem bola fora

No esporte, a comunicação também é uma habilidade exigida para quem quer liderar, seja como capitão do time ou como técnico. O atleta que ocupa posição de liderança sempre será aquele que tem ‘voz’ entre os colegas, com o clube, a torcida e a mídia. É também por meio de uma comunicação assertiva que o “professor” vai corrigir falhas e motivar a equipe.

Para ser um craque na comunicação, dentro e fora dos gramados, a regra é clara: é preciso treinar, estudar e não desanimar com algum tropeço. Com esse esquema tático, a chance de dar bola fora será muito menor.

Antonio Oliveira
Entrevista coletiva com o técnico do Cuiabá, António Oliveira (fonte: assessoria do Cuiabá EC)

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

Comentários (1)

  • Jeves Bejame Salvino

    Quem se comunica bem tem carisma e é lembrado sempre. Quem não se comunica se estrumbica “Chacrinha ” Os nossos Administradores Público tem que aprender a se comunicar, ouvir muito bem para assim mostrar o que há de bom em nossas comunidades. Valeu Luzimar!

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